Era uma vez um livro… Digo: dois livros

Que ao fim e ao cabo viraram três livros. Comecemos com o primeiro livro.

No ano passado descobri a tradução portuguesa da editora Romano Torres de Persuasion. Para meu espanto, com o título Sangue Azul. Comprei um exemplar bastante acabadinho de 1949, como vocês podem ver no post “A decadência do Sangue Azul“. Depois de um tempo achei outro exemplar de 1954 e comprei-o para para fazer um sorteio aqui no blog.

No início de fevereiro deste ano resolvi restaurar ambos, e o primeiro passo foi a umidificação. Coloquei-os em um recipiente sem contato com a parte líquida e verificava de dois em dois dias para ver se estavam prontos para a próxima etapa: reparos e novas capas.

Até o dia que, na saída da UTI de um familiar que havia sobrevivido a duas cirurgias gravíssimas, recebi a notícia de que estava sendo processada. Naquele momento muito coisa foi banida de minha memória. Só lembrei dos livros muito tempo depois. Estavam parcialmente mofados. Comprei novo exemplar para minha biblioteca, mas mesmo assim não tive coragem de jogar os primeiros fora.

O desfecho desta história, que a princípio tinha todos os elementos da tragédia, transformou-se na alegria da vida, na solidariedade do mundo esclarecido e nas pequenas jóias em homenagem a Jane Austen e suas personagens.

E finalmente a sorteada deste mês foi Isa Melo (20), que receberá um relicário.

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Catherine Morland e as flores

Hoje, voltando para casa, percebi que ainda é primavera e lembrei das pilhérias de Henry Tilney diante das tentativas de Catherine em ocultar que passara a primeira noite na Abadia a imaginar bobagens. Como é muito jovem não sabe mentir formalmente e acaba se contradizendo em suas explicações.

— Mas a manhã está divina! — acrescentou ela, desejosa de mudar de assunto — E tempestades, como insónias, uma vez passadas, esquecem. Que lindos jacintos! Acabo de aprender a amar os jacintos!

— E como aprendeu? Por acaso ou por raciocínio?

— Foi a sua irmã quem mo ensinou. Como… não sei dizer. Mrs. Allen esforçou-se durante anos para me fazer gostar deles: mas eu não conseguia… Até que um dia os vi Milson Street. Por temperamento não aprecio flores.

Flores nas escadarias do terminal de ônibus.

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