Coleção Reclam Jane Austen

A Coleção Reclam dos seis romances de Jane Austen traduzidos para a língua alemã não está na Biblioteca Jane Austen. Ainda não comprei. Sim, eu sonho em comprar todas as coleções de Jane Austen do mundo!

No post da coleção Anaconda comentei sobre a tradução do título da A abadia de Northanger que é Die Abtei von Northanger, diferente da Reclam que é Kloster Northanger. Como vocês podem perceber o primeiro é a tradução literal do original e no segundo em português “Kloster” é mosteiro.

Confesso que não vejo grande diferença entre abadia e mosteiro mas de todo modo coloco aqui a definição do Aurélio:

abadia [Do lat. ecle. abbatia.] 1. Circunscrição eclesiástica sob a juridição de um abade. 2. Residência canônica do abade. 3. Os rendimentos correspondentes à abadia. 4. Mosteiro governado por abade ou abadessa.

mosteiro [Do  gr. monastérion, pelo lat. monasteriu, por via popular] S. m. Habitação de monges ou monjas [v. convento(1)];

Coleção Reclam Jane Austen

Verstand Gefuhl

Stolz Vorurteil

Mansfield Park

Emma

Kloster Northanger – A abadia de Northanger

Überredung – Persuasão

Cartas de Jane Austen: Miss Austen Regrets

Cartas de Jane Austen: Miss Austen Regrets
por Mell Siciliano

Cuidado! Este post contém spoilers da adaptação Miss Austen Regrets!

A adaptação da BBC Miss Austen Regrets cobre os últimos anos da vida de Jane Austen e, como o título sugere, os seu possíveis arrependimentos. Chamo de adaptação pois esse filme foi livremente inspirado nas cartas da autora. Em algumas cenas, inclusive, passagens exatas das cartas são ditas. Entretanto, quase nessa adaptação é contado por cartas, e sim através da interação entre as pessoas.

Pra quem nunca viu, Miss Austen Regrets começa com uma introdução, em 1802, no famoso episódio do pedido de casamento de Harris Bigg; pedido esse que Jane aceita e logo depois recusa. A história então pula para os anos 1812-1817; cobrindo os seguintes acontecimentos: o namoro de sua sobrinha Fanny com Mr. Plumtree, a publicação de Emma (e toda a trama da dedicatória para o príncipe regente), a escrita de Persuasão, a doença de Henry, o médico Charles Haden e a morte de Jane.

Miss Austen Regrets

Cartas de Jane Austen: Miss Austen Regrets

Mas o que é verdade e o que ficção nessa adaptação?  Separei alguns acontecimentos que mais me chamaram atenção em Miss Austen Regretspara comentar. Vamos lá?

Harry Bigg

Harry Bigg

1802 – O pedido de casamento de Harris Bigg  – Sim, Harris Bigg pediu Jane Austen em casamento. Suas irmãs eram amigas das meninas Austen (Jane e Cassandra) e as cartas de Jane dão a entender que de alguma maneira elas encorajaram o irmão a fazer o pedido. A adaptação nos leva a crer que Cassandra influenciou Jane a recusar o pedido; entretanto nas cartas não encontrei nada que sugerisse tal coisa. Mas, de maneira geral, verdade.

1812 – Namoro de Fanny e Mr. Plumtree – Por volta de 1812 a sobrinha de Jane – Fanny – conheceu Mr. Plumtree. Como a mãe de Fanny já havia falecido, ela viu na sua Jane Austen uma fonte de conselhos. Na adaptação, Jane está por perto para aconselhar Fanny, mas na vida real esse aconselhamento aconteceu por cartas. Fanny não sabia o que fazer, na verdade, ela não sabia se amava ou não o seu pretendente. No filme ela culpa Jane quando o namoro se desfaz. Nas cartas é possível perceber um certo ressentimento da parte de Fanny, mas nada tão explosivo como no filme. Jane nunca ousou, nas cartas, a dar conselhos assertivos, do tipo: case ou não case. Ao invés disso, ela ponderava sobre vantagens e desvantagens de se casar sem afeição, de se casar com um homem na posição de Mr. Plumtree e que tipo de consequências poderiam surgir de quaisquer decisões de Fanny. Novamente, de maneira geral, verdade.

1812 – Mr. Bridges – A família Bridges de modo geral era amiga da família Austen. Jane cita diversas vezes o Reverendo John Bridges em suas cartas, sempre de maneira muito afetuosa. No filme, ele representa um dos arrependimentos. John teria feito um pedido de casamento que Jane recusou. Porém, nada (nada nada mesmo) em suas cartas dá a entender que algo do gênero aconteceu. Podemos ter certeza? Não, porque Cassandra queimou diversas cartas. Mas se pensarmos assim, podemos imaginar o que bem quisermos para as cartas destruídas, e ainda sim nunca saberemos. Portanto, ficção.

Charles Haden

Charles Haden

1815 – Mr. Charles Haden – Na adaptação, é sugerida uma atração de Jane pelo médico de seu irmão, o Mr. Charles Haden. Inclusive, é proposta uma tensão entre Jane, Fanny e Mr. Haden. Nada disso é certo. Pelas cartas, temos certeza que tanto Fanny quanto Jane gostavam muito dele, e Jane ainda escreve para sua irmã Cassandra algo que é usado na adaptação como uma espécie de declaração: “He is a Haden, nothing but a Haden, a sort of wonderful nondescript creature on two legs, something between a man and an angel.” (Tradução: Ele é um Haden, nada além de um Haden, uma espécie de indescritível criatura maravilhosa sob duas pernas, algo entre um homem e um anjo). Esse tipo de ‘declaração’ realmente dá asas a imaginação, não é mesmo? Mas, como não temos nada de concreto, classificarei como ficção. Pra quem ainda não viu a série, é toda essa dinâmica com Haden que gera uma das mais bonitas cenas, uma conversa entre Jane e a empregada de seu irmão Charles.

Agora queria saber se alguém mais viu essa série e detectou mais alguma coisa. Em caso afirmativo, conta pra gente!

Ex-libris Persuasion da JALF

Doe e ganhe um ex-libris Persuasion da JALF, a fundação Jane Austen para Alfabetização administrada por Caroline Jane Knight. Desta vez o ex-libris ou bookplate está comemorando o bicentenário de Persuasão.

A ilustração do ex-libris é de Richard Jarvis, residente do mesmo condado de Jane Austen, Hampshire. Quando criança Richard morou muito próximo de Chawton House onde ficou sabendo sobre a famosa autora. O ilustrador tem outros trabalhos inspirados em Austen em seu site: Richard Jarvis Art.

Acesse a página Donate Now e pague com PayPal e terá seu ex-libris! Eu já imprimi o meu e só estou na dúvida em qual edição de Persuasão, as traduções brasileiras, que irei usar…

Ex-libris Persuasion JALF

Ex-libris Persuasion JALF – Celebrando bicentenário de Persuasão

 

Cartas de Jane Austen: Tom Lefroy

Cartas de Jane Austen: Tom Lefroy
por Mell Siciliano

Para todos aqueles que gostam de Jane Austen o nome Tom Lefroy1 é bem familiar. Pois bem, nossa querida Jane menciona algumas vezes em suas cartas o tão famoso quase namorado Tom Lefroy. Separei os trechos em que isso acontece. Não colocarei as cartas inteiras, somente as partes em que ele é citado. Atenção: as traduções foram feitas por mim. ”

Tom Lefroy

Tom Lefroy

Carta 1, para Cassandra Austen, Janeiro de 1776 (Jane tinha 20 anos)

In the first place I hope you will live twenty-three years longer. Mr. Tom Lefroy’s birthday was yesterday, so that you are very near of an age. […]
You scold me so much in the nice long letter which I have this moment received from you, that I am almost afraid to tell you how my Irish3 friend and I have behaved. Imagine to yourself everything most profligate and shocking in the way of dancing and sitting down together. I can4 expose myself, however, only once more, because he leaves the country soon after next Friday, on which day we are to have a dance at Ashe after all. He is a very gentlemanlike, good-looking, pleasant young man, I assure you. But as to our having ever met, except as the three last balls, I cannot say much; for he is so excessively laughed at about me at Ashe, that he is ashamed of coming to Steventon, and ran away when we called on Mrs. Lefroy a few days ago. […]
After I had written the above, we received a visit from Mr. Tom Lefroy and his cousin George. The latter is really very well-behaved now; as for the other, he has but one fault, which time will, I trust, entirely remove –  it is that his morning coat is a great deal too light. He is a very great admirer of Tom Jones and therefore wears the same coloured clothes, I imagine,  which he did when he was wounded5.

Primeiramente espero que você viva mais vinte e três anos. O aniversário do Sr. Tom Lefroy foi ontem, o que significa que você está chegando perto de uma certa idade2.[…]
Você me repreendeu tanto nesta deliciosa longa carta que eu agora recebi que estou com medo de contar como eu e o meu amigo Irlandês3 nos comportamos. Imagine tudo de mais libertino e chocante na maneira de dançar e sentar juntos. Eu ainda posso4 me expor, entretanto, somente mais uma vez, pois ele irá deixar o país logo após a próxima sexta-feira, dia no qual nos teremos um baile em Ashe. Ele é um jovem muito cavalheiro, bonito e agradável, lhe asseguro. Mas como nunca nos encontramos antes, além dos últimos três bailes, não posso dizer muito; ele foi motivo de tantas risadas por minha causa em Ashe que está envergonhado de vir a Steventon, e fugiu quando visitamos a Sra. Lefroy alguns dias atrás. […]
Depois do que eu escrevi acima, nos recebemos uma visita de Sr. Lefroy e seu primo George. O último está muito bem comportado agora; quanto ao outro ele tem apenas um defeito, que o tempo irá, eu acredito, remover completamente – seu casaco matutino é excessivamente claro. Ele é um grande admirador de Tom Jones, e portanto usa as mesmas cores de roupas, eu imagino, que eleusava quando foi ferido5.

Carta 2, para Cassandra Austen, Janeiro de 1776 (Jane tinha 20 anos)

Our party to Ashe to-morrow night will consist of Edward Cooper, James (for a Ball is nothing without him), Buller, who is now staying with us, & I – I look forward with great impatience to it, as I rather expect to receive an offer from my friend in the course of the evening. I shall refuse him, however, unless he promises to give away his white Coat. […]
Tell Mary that I make over Mr. Heartley and all his estate to her for her sole use and benefit in future, and not only him, but all my other admirers into the bargain wherever she can find them, even the kiss which C. Powlett wanted to give me, as I mean to confine myself in future to Mr. Tom Lefroy, for whom I don’t care sixpence. Assure her also, as a last and indubitable proof of Warren’s indifference to me, that he actually drew that gentleman’s picture for me, and delivered it to me without a sigh. […]
Friday.6 – At length the day is come on which I am to flirt my last with Tom Lefroy, and when you receive this it will be over. My tears flow as I write at the melancholy idea.7

Nosso grupo para o baile em Ashe amanhã a noite consistirá de Edwar Cooper, James (pois um baile é nada sem ele), Buller, que está agora hospedado conosco & eu – eu aguardo o baile com grande impaciência, pois espero receber uma oferta de meu amigo durante a noite. Mas eu o recusarei, a não ser que ele prometa se desfazer de seu casaco branco. […]
Diga para Mary que eu deixo Sr. Heartley e todas as suas propriedades para seu uso único e exclusivo no futuro; incluo não somente ele como todos os meus outros admiradores na barganha, onde quer que ela os ache; deixo até mesmo o beijo que o C. Powlett queria me dar, pois pretendo me guardar para o Sr. Tom Lefroy, por quem eu não me importo nem um centavo. Garanta a ela, também, como uma última e irrefutável prova da indiferença de Warren por mim o fato de que ele fez um retrato daquele cavalheiro para mim, e me deu sem nem pensar duas vezes.[…]
Sexta.,6 – Finalmente chegou o dia no qual eu flertarei pela última vez com Tom Lefroy, e quando você receber esta carta tudo estará acabado. Minhas lágrimas escorrem enquanto escrevo diante desta melancólica ideia.7

Carta 11, para Cassandra Austen, Novembro de 1778 (Jane tinha 23 anos)

Mrs. Lefroy did come last Wednesday, and the Harwoods came likewise, but very considerately paid their visit before Mrs. Lefroy’s arrival, with whom, in spite of interruptions both from my father and James, I was enough alone to hear all that was interesting, which you will easily credit when I tell you that of her nephew8 she said nothing at all, and of her friend9 very little. She did not once mention the name of the former to me, and I was too proud to make any enquiries; but on my fathers afterwards asking where he was, I learnt that he was gone back to London in his way to Ireland, where he is called to the Bar10 and means to practise.

A Sra. Lefroy realmente veio quarta-feira passada, bem como também os Harwoods, que com muita consideração fizeram a sua visita antes da chegada da Sra. Lefroy, com a qual, apesar de interrupções tanto do meu pai quanto de James, eu fiquei sozinha tempo o bastante para ouvir tudo o que era interessante, e você facilmente acreditará quando eu disser que de seu sobrinho8 ela nada disse, e do seu amigo9 muito pouco. Ela nenhuma vez mencionou o nome do primeiro para mim, e eu fui muito orgulhosa para fazer quaisquer perguntas; mas quando meu pai depois perguntou onde ele estava, eu soube que ele voltou para Londres em seu caminho para a Irlanda, onde ele foi chamado para o Bar10 e começará a praticar.

Notas

1 Para quem quiser saber mais sobre Tom Lefroy recomendo a série de posts sobre o moço no Jane Austen em Português, Jane Austen e Tom Lefroy – parte 1parte 2parte 3parte 4parte 5parte 6parte 7Amor, inocência e pouco substantivo
2 Tom Lefroy era mais velho que Cassandra. Mas fazia aniversário um dia antes do dela, e é a isso que Jane se refere.
3 Tom era irlandês.
4 Grifo original.
5 Aqui Jane faz uma referência ao livro Tom Jones. The History of Tom Jones, a Foundling (1949), de Henry Fielding. A parte específica que ela faz referência é o seguinte trecho: “As soon as the sergeant was departed, Jones rose from his bed, and dressed himself entirely, putting on even his coat, which, as its colour was white, showed very visibly the streams of blood which had flowed down it.”
6 Naquela época eles escreviam a carta durante a semana, até o momento de postá-la. Logo, antes de escrever o parágrafo, Jane indica qual era o dia da semana.
7 Sinceramente, fiquei em dúvida se Jane estava sendo irônica ou não.
8 Tom Lefroy
9 Esse amigo era Samuel Blackall. Aparentemente a Sra. Lefroy envergonhou-se do seu sobrinho ter flertado tão claramente com Jane, mesmo sabendo que não poderia casar, e tentou conseguir um outro pretendente para a moça. Para saber mais sobre esse pretendente e outros, clique aqui (em inglês).
10 Não sei como traduzir isso, infelizmente. Mas Bar é o nome dado ao processo de se qualificar para advogar. Veja mais aqui (em inglês).

Austen Cervejaria em Minas Gerais

Ergamos um brinde a Austen Cervejaria que homenageia com seu nome a nossa querida Jane Austen! A cervejaria fica em Minas Gerais na cidade de Vespasiano situada na região metropolitana de Belo Horizonte.

Para saber mais sobre a cervejaria fiz algumas perguntas para Eduardo Sanna, o gerente de marketing:

De quem foi a ideia de nomear a cervejaria de Austen?
A ideia partiu do dono da empresa, Sércio de Paula, por ser um fã da escritora. Nós compramos a ideia e acabamos virando fãs também.

Vocês já estão distribuindo o chopp em Belo Horizonte e grande BH. Quando pretendem distribuir em outras cidades?
A distribuição já é feita em Belo Horizonte e região metropolitana. Ampliaremos a distribuição a partir de 2018.

E a cerveja quando terá início a comercialização e distribuição não só em Minas Gerais como para outros estados?
Começaremos a operar com a cerveja a partir de novembro e pretendemos distribuir para todo o país.

Você falou em várias estratégias de venda, posso supor que poderemos comprar canecas, copos e outros tipos de memorabilia? Janeites são colecionadoras natas!
Com certeza! Temos várias ideias para fomentar a venda para os fãs de Jane Austen. Aguardem!!!

Bem, crianças, você já viram que teremos mais uma fonte de consumo de Jane Austen. Aliás, já me imagino dizendo: Garçom, para mim uma Austen, por favor!

Na página do Facebook da Austen Cervejaria vocês encontram mais detalhes sobre os tipos de cerveja produzidos e o contato para compras.

Austen Cervejaria - Vespasiano, Minas Gerais

Austen Cervejaria – Vespasiano, Minas Gerais

La Abadía de Northanger – Argentina

Este exemplar de La Abadía de Northanger, que comprei em 2012, foi publicado na Argentina pela Editorial ACME S.A.C.I.. O motivo principal da compra foi ter a Abadia em espanhol e também pela surpresa de encontrar uma tradução mais antiga publicada na Argentina que não consta na lista que me foi enviada pela JASBA – Jane Austen Soceity of Buenos Aires. O livro é o número 12 da Coleção Centauro que foi publicada em 1956 conforme colofão que transcrevo abaixo:

Acabado de imprimir el dia 12 de enero de 1956
en los Talleres Gráficos de la Compañia General
Fabril Financeira S. A. , Iriarte 2035, Buenos Aires

Esta tradução tem um detalhe interessante, não consta o nome do tradutor apenas a seguinte inscrição no frontispício, “supervisión de Héctor F. Casali”.

Reproduzo a primeira frase do livro e fica pergunta: quem será o(a) tradutor(a)?

Nadie que hubiera conocido a Catalina Morland em su primera infancia habría supuesto que el destino le reservaba um papel de heroína de novela.

Mistério desvendado!  Cinthia do Jane Austen en Castellano disse que “uma vez que se examine o texto descobre-se que a tradução é de Isabel de Oyarzábal, publicada em 1921 pela Calpe em Madri, a primeira tradução de Northanger Abbey para o espanhol.” Resumindo, a tradução é espanhola e certamente deveria ser um negócio comum entre os dois países.

La Abadia de Northanger, Argentina

La Abadia de Northanger, Argentina – Edição de 1956

La Abadia de Northanger, Argentina - Frontispício

La Abadia de Northanger, Argentina – Frontispício

Para quem Jane Austen escrevia suas cartas?

Para quem Jane Austen escrevia suas cartas
por Mell Siciliano

O livro é sobre as cartas de Jane Austen….Mas para quem Jane escrevia suas cartas?

Bem, Jane tinha uma família considerada grande hoje em dia, mas de acordo com os padrões da época. Seus pais – George e Cassandra – tiveram seis filhos e duas filhas, a saber: James (1765-1819), George (1766-1838), Edward (1767-1852), Henry-Thomas (1771-1850), Cassandra-Elizabeth (1773-1845), Francis-William (1774-1865), Jane (1775-1817) e Charles-John (1779-1852).

A maioria das cartas do livro são para Cassandra Austen, e algumas outras para alguns de seus irmãos. Jane escrevia principalmente para sua irmã. Quando estavam longe, escreviam uma para a outra de quinze em quinze dias.

Mas ela também escrevia para outras pessoas. A seguir, falarei um pouco sobre cada correspondente. Alguns deles temos somente uma carta no livro, entretanto isso não significa muita coisa, primeiro porque várias cartas se perderam ao longo do tempo, e segundo porque sua irmã Cassandra queimou tantas outras, por julgar que o conteúdo não deveria se tornar público. Ou seja, a falta de alguém na lista abaixo não significa que Jane nunca escreveu para essa pessoa.

Cassandra Austen (1773-1845) – Cassandra foi a única irmã de Jane Austen. Ela era só dois anos mais velha que Jane e elas eram muitíssimo próximas. Nas suas cartas, elas falam sobre tudo: bailes, pretendentes, roupas, assuntos de família, amigos, etc. Foram cúmplices até a morte de Jane, em 1817. Em uma carta, Cassandra se refere à morte de Jane da seguinte maneira: “I have lost a treasure, such a Sister, such a friend as never can have been surpassed, – She was the sun of my life, the gilder of every pleasure, the stoother of every sorrow, I had not a thought concealed from her, & it is as if I had lost a part of myself.” – “Eu perdi um tesouro, tal irmã, tal amiga, nunca poderá ser superada, – Ela era o sol da minha vida, o dourador de cada prazer, o calmante de cada tristeza, não havia um pensamento que eu escondesse dela, e é como se eu tivesse perdido parte de mim.

Philadelphia Walter (1761-1834) – Philadelphia era prima de Jane do lado Austen da família. Há somente uma carta endereçada para ela no livro, e é uma carta de condolescência pela morte do pai de Philadelphia.

Martha Lloyd (1765-1843) – Martha era muita amiga de Jane e Cassandra. Existem várias cartas endereçadas a ela. Em 1828 Marta se casou com Francis-William Austen, ela foi sua segunda esposa.

Francis-William Austen (1774-1865) – Francis – comumente chamado de Frank – era um ano mais velho que Jane. Francis fez carreira na Marinha. Casou-se duas vezes, a primeira em 1806 com Mary Gibson, e a segunda em 1828 com Martha Lloyd. Teve seis filhos e cinco filhas em seu primeiro casamento, e nenhum filho ou filha no segundo.
Fanny Austen (1793-1882) – Fanny era sobrinha de Jane, a filha mais velha de seu irmão Edward. Ela e Jane se correspondiam com frequência, sendo bastante próximas. Após a morte da mãe de Fanny, Jane Austen se aproximou mais ainda da sobrinha, sendo a figura feminina que a moça precisava. Em 1884, Lord Brabourne, filho de Fanny, editou a obra Letters of Jane Austen, que continham as cartas que estavam em posse de sua mãe.

R. Crosby and Co. –  Nesta carta, Jane reclama aos editores R. Crosby and Co. a não publicação de seu livro Susan (este livro só foi publicado após a morte de Jane e seu título foi alterado para a publicação. O conhecemos atualmente como Northanger Abbey), que foi vendido a eles por volta de 1803. Passado seis anos, ele ainda não havia sido publicado. Jane diz ainda, que caso não obtivesse resposta dos editores, ela enviaria o livro para outra editora. Os editores respondem que não havia sido estipulado um prazo para a publicação, e que caso eles vissem o livro publicado por outra editora, tomariam as medidas legais cabíveis para retirá-lo do mercado. Mas informam, que caso seja do interesse da autora, ela poderia adquirir o livro novamente, pelo mesmo preço que foi vendido.

Anna Austen / Anna Lefroy (1793-1872) – Anna era sobrinha de Jane, filha primogênita de seu irmão mais velho, James. Depois de Fanny, Anna era a sobrinha com a qual Jane mais se correspondia. Após seu casamento com Benjamin Lefroy (sim, ele era parente de Tom Lefroy. O pai de Benjamin era tio de Tom), em 1814, Anne obviamente passou a se chamar Anna Lefroy, logo as cartas após 1814 já estão endereçadas com o novo sobrenome. Anna e Benjamin tiveram seis filhas e um filho.

Caroline Austen (1805-1880) – Caroline era irmã de Anna por parte de pai, fruto de seu segundo casamento. Caroline era afilhada de Cassandra. São poucas as correspondências de Jane para ela.

John Murray (1778-1843) –  John era o editor dos livros de Jane. Através dele foram publicados: Emma, Northanger Abbey, Persuasion e a segunda edição de Mansfield Park. Existem algumas cartas de Jane para ele, todas tratando sobre a publicação de seus livros. Entretanto, esse tipo de assunto era normalmente tratado pelo seu irmão Henry (sua ajuda foi inestimável para a publicação dos livros de Jane).

James Stanier Clarke (1767-1834) – O reverendo James Clarke era, dentre outras coisas, bibliotecário do Príncipe de Wales, e foi devido a essa função que ele e Jane Austen entraram em contato. Foi pela correspondência entre eles que Jane obteve a autorização de dedicar uma próxima obra ao príncipe. A obra em questão foi Emma.

Charles Thomas Haden (1786-1824) – Charles era o médico que cuidou do irmão de Jane -Henry – quando ele adoeceu. Na carta, de 1815, Jane agradece os livros que ele emprestou à família de seu irmão, dizendo que eles trouxeram muito entretenimento.

Lady Morley / Countess of Morley (1782-1857) – Não se sabe ao certo como Jane e a Condessa se conheceram, supõe-se que tenha sido através dos contatos londrinos de Henry. Fato é que a Condessa, que se interessava bastante por literatura, admirava as obras de Jane. Inclusive, durante algum tempo, acreditou-se que teria sido a Condessa a autora de Pride and Prejudice e Sense and Sensibility (lembrem-se que os primeiros livros de Jane publicados não indicavam que era ela a autora).

Catherine Ann Prowting  (1783-1832) – Jane conhecia a família de Catherine, especialmente sua mãe Elizabeth; os Prowting trabalhavam na paróquia de Chawton desde o século XVI. Na carta, Jane envia um exemplar de Emma para a família.

James Edward Austen (1798-1874) – James Edward Austen era sobrinho de Jane, filho de seu irmão mais velho, James Austen. Em 1816 ele escreveu Memoir sobre Jane Austen. Os filhos de James também publicaram ou colaboraram com obras sobre sua tia-avó.

Alethea Bigg (1777-1847) – Alethea Bigg e suas irmãs Catherine e Elizabeth eram amigas de Jane Austen e Cassandra desde a infância. Foi o irmão de Alethea – Harris Bigg – que protagonizou o famoso caso do pedido de casamento que Jane aceitou apenas para recusar no dia seguinte. Apesar desse contratempo, as moças continuaram amigas.

Charles Austen (1779-1852) – Charles era o mais novo da família. Assim como Francis, também servia na Marinha. Ele foi casado duas vezes, e teve no total cinco filhas e três filhos.
Anne Sharp (?-1853) – Anne foi governanta na casa de Francis-William Austen até 1806. Devido a problemas de saúde ela pediu demissão. Depois de passar por alguns outros empregos abriu seu próprio internato para moças por volta de 1823. O conteúdo da carta é basicamente a doença de Jane.

Frances Tilson (1777-1823) – Frances era esposa de James Tilson. Por sua vez, James Tilson era sócio do irmão de Jane – Henry – em seu escritório bancário em Londres, o Austen, Maunde & Tilson. Na época em que a carta foi escrita Jane já estava doente, e ela basicamente faz um relato sobre sua condição. A carta original se perdeu, e o que temos é uma versão com cortes, que estava no caderno de recortes biográficos de Henry Austen.

Cartas de Jane Austen para Cassandra

Cartas de Jane Austen para Cassandra – fragmento BBC

Coleção Anaconda Jane Austen

A Coleção Anaconda dos seis romances de Jane Austen traduzidos para a língua alemã já está na Biblioteca Jane Austen desde setembro.

Levei quase sete anos para completar a coleção e mesmo assim não consegui comprar os exemplares exatos, com os detalhes iguais das jaquetas. As capas também tem diferenças, umas são ilustradas como a própria jaqueta outras com simples papel vergê (Persuasão, Mansfield e Abadia). Bem, pelo menos são todos da mesma editora!

Nessa tentativa de ter uma coleção igual nos mínimos detalhes fiz descobertas interessantes. A primeira delas foi que Sense and Sensibility em alemão tem três versões que vocês conhecer neste post de 2011, “Verstand und Gefühl, Sense and Sensibility em alemão“.

Três anos depois tive uma ótima conversa com outro tradutor de alemão sobre as “Peculiaridades de Jane Austen em alemão”.

E por último descobri que A abadia de Northanger também tem duas traduções, Die Abtei von Northanger como desta coleção (abaixo) ou Kloster Northanger, de outra editora que será mostrada em outro post. Aguardem!

Verstand und Gefühl
Stolz und Vorurteil
Mansfield Park
Emma
Die Abtei von Northanger
Überredung

Coleção Anaconda Jane Austen

Coleção Anaconda na Biblioteca Jane Austen

Cartas de Jane Austen | Deirdre Le Faye

Cartas de Jane Austen | Deirdre Le Faye
por Mell Siciliano

“Where shall I begin? Which of all my important nothings shall I tell you first?”¹

Quantas vezes lemos um livro e nos perguntamos: o que será que o autor estava pensando neste momento? Ou ainda: será que essa personagem é inspirada em alguém?

Quando o autor do livro em questão está vivo se torna mais fácil responde-las, e não é raro encontrar entrevistas em que ele responde justamente aquilo que queríamos tanto saber. Mas o que fazer quando o autor está morto? Não podemos perguntar diretamente a ele o que queremos saber.

Pior, e quando o autor nunca deu nenhuma entrevista sequer sobre seus livros, e nem sobre si mesmo? Pois esse é o caso de Jane Austen. O que fazemos então?

Pesquisadores ao longo da história chegaram à uma simples solução: ler as suas cartas. E então, esses pesquisadores, aqui e ali, foram juntando cartas por vezes dispersas, e montando um grande quebra-cabeças de informações, que hoje chegam a nós assim, mastigadinhas.

Nós responderemos a todas as nossas perguntas? Não. E talvez nunca. Algumas coisas ficarão para sempre no campo da suposição. Ainda mais no caso da nossa querida Jane Austen, visto que sua irmã queimou parte de suas cartas. Mas se algumas coisas nós poderemos ter certeza; outras nós poderemos completar como bem quisermos em nossa imaginação, transformando Jane Austen também em uma personagem encantadora, como todas aquelas que ela escreveu.

Entretanto, precisamos separar o que é verdade do que é imaginação, suposição. O trabalho feito por Deirdre Le Faye em Jane Austen’s Letters foi belíssimo. Ao longo do livro temos inúmeras notas que nos ajudam a contextualizar cada carta; ela explica as referências que Jane faz à pessoas e lugares, a livros e peças e à outras inúmeras coisas que sem as notas explicativas seriam impossíveis de compreendermos. Isso sem contar as notas que explicam a origem das cartas, bem como o estado em que foram encontradas.

Ler o livro Jane Austen’s Letters foi uma aventura incrível no tempo e na vida de uma autora que está ainda hoje muito presente. Através dessa leitura pude conhecer a Jane autora que tanto admiro, inteligente, profissional e cuidadosa com aquilo que faz. Mas também entrei em contato
com a Jane irmã, a Jane tia que era toda carinho mas também exigente, a Jane mulher com seus affairs e decepções, a Jane “mulherzinha” que gastava longas cartas falando de luvas e tecidos, entra tantas outras. Como todos nós ela tinha muitas facetas. E ler as suas cartas nos mostra o quanto é impossível separar uma faceta da outra.

“Nobody ever feels or acts, suffers or enjoys, as one expects!”²

Por fim, só tenho a acrescentar que espero encarecidamente que alguma editora brasileira traduza essas cartas com a mesma qualidade e esmero que constam em sua publicação original. Os fãs da autora aqui no Brasil merecem esse presente.


Notas
¹ Por onde começo? Qual dos meus importantes nadas devo contar primeiro?
² Ninguém sente ou age, sofre ou aprecia da maneira que esperamos

Cartas de Jane Austen | Deirdre Le Faye

Cartas de Jane Austen | Deirdre Le Faye

Orgoglio e pregiudizio audiolivro

Este Orgoglio e pregiudizio em audiolivro foi publicado pela Emons em versão integral e tem a duração de 12 horas e 23 minutos. Imagino que para fãs de Orgulho e preconceito que estejam estudando italiano seja um ótimo exercício. A leitura é da atriz Paola Cortellesi.

O texto é da tradução de Italia Castellini e Natalia Rosi que foi publicado pela Newton Compton o que facilita o acompanhamento pois vocês podem comprar  tanto a antiga coleção como a mais nova chamada I MiniMammut em capa dura com caricaturas.

Nem preciso dizer que o que me chamou atenção foi a capa com a xícara!

Orgoglio e Pregiudizio audiolivro

Orgoglio e Pregiudizio audiolivro – Editora Emons