A Viagem: Virginia Woolf e Jane Austen

A Viagem: Virginia Woolf e Jane Austen
por Mell Siciliano¹

Gosto bastante de Jane Austen, então quando vi foi irresistível. Seguem os trechos em que a personagem Clarissa Dalloway fala sobre Jane Austen em A viagem (The Voyage Out):

Wuthering Heights! Ah – that’s more in my line. I really couldn’t exist without the Brontes! Don’t you love them? Still, on the whole, I’d rather live without them than without Jane Austen (…) “Jane Austen? I don’t like Jane Austen,” said Rachel. “You monster!” Clarissa exclaimed. “I can only just forgive you. Tell me why?” “She’s so – so – well, so like a tight plate,” Rachel floundered. “ah – I see what you mean. But I don’t agree, And you won’t when you’re older. At your age I only liked Shelley.”

Persuasion,” announced Richard, examining the volume. “That’s for Miss Vinrace,” said Clarissa. “She can’t bear our beloved Jane.” “That – if I may say so – is because you have not read her,” said Richard. “She is incomparably the greatest female writer we possess.” “She is the greatest,”, he continued, “and for this reason: she does not attempt to write like a man. Every other woman does. On that account, I don’t read’em”

Tradução:

Morro dos Ventos Uivantes! Ah! – isso é mais o meu tipo. Eu realmente não poderia existir sem as Brontes! Você não simplesmente as ama? Ainda assim, em geral, eu preferiria viver sem elas do que sem Jane Austen (…) “Jane Austen? Eu não gosto de Jane Austen,” disse Rachel. “Seu monstro!” Clarissa exclamou. “Eu posso apenas te perdoar. Diga-me, por que?” “Ela é tão – tão – bem, tão como uma chapa lisa” Rachel hesitou. “ah – Eu entendo o que quer dizer. Mas eu não concordo, e você não vai concordar quando for mais velha. Na sua idade eu gostava somente de Shelley.”

Persuasão“, anunciou Richard, examinando o volume. “Isso é para a Miss Vinrace,” disse Clarissa. “Ela não pode suportar a nossa amada Jane.” “Isso – se assim posso dizer – é porque você ainda não a leu”, disse Richard. “Ela é incomparavelmente a maior escritora do sexo feminino que possuímos.” “Ela é a maior”, continuou ele, “e por esta razão: ela não tenta escrever como um homem. Qualquer outra mulher o faz. E, por conta disso, eu não as leio”

The Voyage Out Virginia Woolf

A viagem – The Voyage Out Virginia Woolf


¹Artigo publicado originalmente no blog Caderneta Livresca de Mell Siciliano
²Foto do site TBCL Rare Books acrescentada por Jane Austen em Português.

Orgulho e preconceito citação na Suprema Corte

Orgulho e preconceito foi citado pela primeira vez na Suprema Corte dos Estado Unidos  pelo juiz Scalia no caso Whitfield v. United States. A citação¹, que reproduzo abaixo em inglês e traduzo logo a seguir, oferece um exemplo de uso comum do inglês, do mesmo modo que muitas vezes os linguistas o fazem.

In 1934 [when the relevant statute was enacted -EV], just as today, to “accompany” someone meant to “go with” him. See Oxford English Dictionary 60 (1st ed. 1933) (defining “accompany” as: “To go in company with, to go along with”). The word does not, as Whitfield contends, connote movement over a substantial distance. It was, and still is, perfectly natural to speak of accompanying someone over a relatively short distance, for example: from one area within a bank “to the vault”; “to the altar” at a wedding; “up the stairway”; or into, out of, or across a room. English literature is replete with examples. See, e.g., C. Dickens, David Copperfield 529 (Modern Library ed. 2000) (Uriah “accompanied me into Mr. Wickfield’s room”); J. Austen, Pride and Prejudice 182 (Greenwich ed. 1982) (Elizabeth “accompanied her out of the room”).

Em 1934 [quando o relevante estatuto foi promulgado – V], assim como hoje, “acompanhar” alguém significa “ir com” ele/ela. Ver Dicionário Oxford de Inglês 60 (1ª ed. 1933) (definindo “acompanhar” como: “ir em companhia de, ir junto com”). A palavra não conota movimento por uma longa distância, como Whitfield contesta. Era, e ainda é, perfeitamente natural dizer acompanhar alguém por uma relativa curta distância, como exemplo: de uma área dentro do banco “até ao cofre”; “até ao altar” num casamento; “até às escadas”; ou dentro, fora, ou através de uma sala. A literatura inglesa está repleta de exemplos. Veja, por exemplo, C. Dickens, em David Copperfield, 529 (Modern Library ed. 2000): “Uriah me ‘acompanhou até o quarto do Sr. Wickfield’”;  J. Austen, Orgulho e preconceito, 182 (Greenwich ed. 1982), “Elizabeth ‘acompanhou-a até a porta’”

A referência da frase é do capítulo 26, no momento que Charlotte Lucas se despede das Bennet pois vai partir para seu casamento com Mr. Collins. Reproduzo o trecho original e na tradução de Celina Portocarrero para editora L&PM:

Thursday was to be the wedding day, and on Wednesday Miss Lucas paid her farewell visit; and when she rose to take leave, Elizabeth, ashamed of her mother’s ungracious and reluctant good wishes, and sincerely affected herself, accompanied her out of the room.

Quinta-feira seria o dia das bodas e, na quarta, a srta. Lucas fez sua visita de despedida; e, quando ela se levantou para sair, Elizabeth, envergonhada pelos votos indelicados e relutantes de sua mãe e sinceramente emocionada, acompanhou-a até a porta.

FONTE
¹ “Pride and Prejudice” gets its first U.S. Supreme Court citation – The Washington Post.

Suprema Corte, citação de Jane Austen - Elizabeth Bennet e Charlotte Lucas

Suprema Corte, citação de Jane Austen | Cena da despedida do capítulo 26 com Elizabeth e Charlotte que pergunta se a amiga a visitará em sua nova casa, a reitoria de Hunsford. | Ilustração de Hugh Thomson

 

A verdade de Orgulho e preconceito

A verdade de Orgulho e preconceito é um post sobre a primeira frase do mais famoso e amado romance de Jane Austen e suas traduções. Escrevi este post em fevereiro de 2010 inspirada por um comentário da leitora Nique. Procurei então em outras línguas e me arrisquei apenas com as latinas, mais conhecidas.

Hoje, 18 de setembro de 2017, com muitos livros acrescentados na Biblioteca Jane Austen e cada vez maior acesso a textos online, decidi aumentar o números de traduções, não só em português mas também outras línguas.

Em primeiro lugar a frase original, em inglês:

It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.

As traduções em português brasileiro

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro possuidor de uma boa fortuna deve estar necessitado de uma esposa. (trad. Lúcio Cardoso | Várias editoras)

É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa. (trad. Celina Portocarrero | L&PM)

É verdade universalmente admitida que um homem solteiro, possuidor de boa fortuna, deve estar precisando de uma esposa. (trad. Laura Alves e Aurélio Rebello | Francisco Alves)

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, de posse de boa fortuna, deve estar atrás de uma esposa. (trad. Alexandre Barbosa de Souza | Penguin/Cia. das Letras)

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de uma boa fortuna deve estar à procura de uma esposa. (trad. Carol Chiovatto | Giz Editorial)

Em português de Portugal onde tenho uma favorita, a de Leyguarda Ferreira, que de tão direta tem um humor involuntário!

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa. (trad. Maria Francisca Ferreira de Lima | Europa América)

É uma verdade universalmente admitida que um homem solteiro, possuidor de uma grande fortuna, precisa de arranjar mulher. (trad. J. Almeida Pinto | Portugália Editora)

É indiscutível e todos sabem que um rapaz novo, solteiro e rico precisa casar-se. (trad. Leyguarda Ferreira | Romano Torres)

É uma verdade universalmente aceite que um homem solteiro na posse de uma fortuna avultada necessita de uma esposa. (trad. Nuno Castro | Grupo COFINA)

As traduções em italiano são do site Jane Austen Italia e tem muitas outras, de causar inveja com tantas traduções! Notem que o título tem duas traduções, assim como Razão e sentimento em português.

È verità universalmente riconosciuta che uno scapolo largamente provvisto di beni di fortuna debba sentire il bisogno di ammogliarsi. (Orgoglio e prevenzione, trad. Giulio Caprin | Mondadori)

È cosa ormai risaputa che a uno scapolo, ricco di un vistoso patrimonio, manchi soltanto una moglie. (Orgoglio e pregiudizio, trad. Italia Castellini e Natalia Rosi | Tariffi)

As duas traduções em espanhol foram encontradas nos sites de Jane Austen en Castellano:

Es verdad universalmente admitida que un soltero poseedor de buena fortuna tiene que necesitar una mujer [trad. José Urriez de Azara)

Es una verdad generalmente admitida que un hombre soltero, poseedor de una gran fortuna, debe tomar esposa (trad. Fernando Durán)

Em francês

Chacun se trouvera d’accord pour reconnaître qu’un célibataire en possession d’une belle fortune doit éprouver le besoin de prendre femme. Orgueil et Préjugés (Folio Classique Gallimard, trad. Pierre Goubert)

C’est une verité universellemet reconnue qu’un célibataire ourvu d’une belle fortune doit avoir envie de se marier, […] (trad. Valentine Leconte e Charlotte Pressoir, editora Christian Bourgois) Detalhe: no final da frase a tradução coloca uma vírgula e emenda com a frase seguinte)

A tradução em húngaro ganhei de presente:

Átalánosan elismert igazság, hogy a legényembernek, ha vagyonos, okvetlenül kell feleség. (Büszkeség és balítélet [Orgulho e preconceito], Trad.Szenczi Miklós Editora: Lazi Könyvkiadó)

Em alemão tenho duas traduções sobre as quais já escrevi a respeito e coloco o link pois é muito interessante o modo de tradução, “Peculiaridades de Jane Austen em Alemão”.

Es ist eine Wahrheit, über die sich alle Welt einin ist, daβ ewin unbeweibter Mann von einigem Vermögen unbedingt auf der Suche nach einer Lebensgefährtin sein musβ. (trad. Karin von Schwab, editora Anaconda)

Es ist eine allgemein anerkannte Wahrheit, dass ein Junggeselle im Besitz eines schönen Vermögens nichts dringender braucht als eine Frau. (trad. Ursula e Christian Grawe, editora Reclan).

Em mirandês, língua falada no Nordeste de Portugal, no distrito de Bragança, com o título Proua i Percunceito. Do tradutor sei apenas o primeiro nome, Fracisco e não sei se levou avante seu projeto de traduzir todo livro.

Ye ũa berdade sabida an todo l mundo que un home sulteiro, duonho dũa buona fertuna, ten de percisar dũa mulhier.

Arremato o post com a tradução em latim, de Thomaso Cotton do site Ephemeris onde Orgulho e preconceito intitula-se Superbia & Odium.

Verum est ubique agnotum quo plus caelebs locuples uxore careat.

A verdade de Orgulho e preconceito

A verdade de Orgulho e preconceito

 

Emma Penguin Clásicos Espanha

Emma da Penguin Clásicos publicado na Espanha é uma edição comemorativa e creio antiga, mas como a capa é muito bonita não resisti e publiquei. Aliás, se fosse possível, em muitos casos, eu compraria só a capa.

Fica aqui também como registro minha paixão por xícaras, que não vou colecionar pois mais um vício não posso sustentar.

Está edição está à venda no Me Gusta Leer, onde se encontra todos os outros livros de Jane Austen, que por sinal as capas não são nada bonitas como vocês poderão ver no site da editora.

Antes que me esqueça a tradução do texto é de José María Valverde.

Emma Penguin Clásicos

Emma Penguin Clásicos

Jane Austen na revista Quatro Cinco Um

Quatro Cinco Um é uma revista sobre livros que surgiu há pouco tempo no mercado editorial. E claro, está aqui no Jane Austen em Português  por que neste mês de setembro publicou um artigo sobre Austen. Esta edição já está à venda em vários lugares, livrarias e bancas ou pode ser adquirida também por assinatura anual.

O nome da revista, para quem estiver curioso, é uma homenagem a um dos meus livros favoritos, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury.

O artigo sobre Austen foi escrito pela jornalista Bia Abramo e escreverei mais sobre o assunto em outro post assim que tiver a revista em mãos.

Revista Quatro Cinco Um

Revista Quatro Cinco Um – edição de setembro de 2017

Northanger Abbey da Folio Society

Northanger Abbey da Folio Society já está à venda no site da editora. Creio que é o último da série dourada de Jane Austen, a não ser que resolvam publicar outros textos como fizeram com a coleção dos anos 1960 que tem um sétimo volume sob o título Shorter Works. Vale lembrar que da coleção atual temos A Memoir of Jane Austen e que nos anos 2000 tivemos também Jane Austen’s Letters.

Esta edição de Northanger Abbey  tem a introdução da escritora de livros sobre crimes,  Val McDermid que também escreveu uma adaptação moderna de Northanger Abbey.

As cinco ilustrações do livro são de Jonathan Burton e vocês poderão veri três delas no primeiro link do post.

Meu plano era comprar todos os livros da Folio este ano, mas para não perder determinadas ofertas de outras coleções que precisava completar, foi adiado. Paciência, Iracema, como diz minha amiga Letícia.

Northanger Abbey Folio Society

Northanger Abbey Folio Society

 

Caio Fernando Abreu e Jane Austen

Caio Fernando Abreu, escritor e jornalista gaúcho, citou Jane Austen em uma de suas cartas. Ele estava em Londres em janeiro de 1991 quando escreveu para sua amiga, Jacqueline Cantore. Falava sobre seu modo vida londrino e sobre escrever cartas quando mencionou Austen:

Escrever cartas é algo que, no estrangeiro, tem outro gosto. Muito melhor. Um tanto Jane Austen, concordo. E receber então?

É inegável que ele gostava de escrever e receber cartas. E era inclusive melhor esse enviar e receber de cartas no exterior.

Mas, como o diabo mora nos detalhes, fiquei pensando na expressão “um tanto Jane Austen”, seria um elogio ou um certo desdém pelo estilo de Austen?

Agora me digam vocês, estou vendo significados onde não existem?

Caio Fernando Abreu Cartas

Caio Fernando Abreu Cartas – ebook na Amazon Organização de Ítalo Moriconi

Jane Austen, editora?

Jane Austen, editora?
por Mell Siciliano

Jane Austen, editora, será? Abaixo segue a definição de editor do dicionário Aurélio (2010):

e.di.tor [ Lat. editore] adj. 1. Que edita. 2. Quem edita. 3. O responsável pela supervisão, preparação de textos especializados, etc., em jornal, revista, etc.

Traduzindo para vida prática, o(a) editor(a) é aquela pessoa que trabalha com a supervisão de todo o processo para a publicação de um conteúdo, um texto, um livro, etc ou/e aquele que trabalha diretamente na preparação do texto, observando não só questões gramaticais como também de adequação do conteúdo ao objetivo fim, muitas vezes propondo alterações substanciais no conteúdo final.

E o que tudo isso tem a ver com Jane Austen? Bem, lendo suas cartas descobri duas coisas: a primeira é que sua sobrinha Anna Austen (depois Lefroy) também escrevia, e a segunda é que em suas cartas para sua tia ela pedia por conselhos sobre seus escritos!

E Jane não se resumia a dar opiniões, ela indicava alterações no texto, de forma que sua sobrinha pudesse passar mais claramente – ou da maneira mais adequada – aquilo que ela gostaria de passar. Separei alguns exemplos pra vocês:

Carta 103, para Anna Austen, Junho de 1814

A few verbal corrections were all that I felt tempted to make – the principal of them is a speech of St. Julians to Lady Helena – which you will see I have presumed to alter. – As Lady H. is Cecilia’s superior, it would not be correct to talk of her being introduced; Cecilia must be the person introduced.
Algumas correções de discurso foram tudo o que eu me senti tentada a fazer – a principal delas é uma fala de St. Julians para Lady Helena – você verá que eu ousei alterar. – Como Lady H. é superior a Cecília, não seria correto falar dela ser introduzida; Cecilia deve ser a pessoa introduzida.

Carta 104, para Anna Austen, Junho de 1814

(…) We have just finished the first part of the 3 books I had the pleasure of receiving yesterday; I read it aloud – & we were all very much amused, & like the work quite as well as ever. (…) My corrections have not been more important than before; – here and there, we have thought the sense might be expressed in fewer words (…) Lyme will not do. Lyme is towards 40 miles distance from Dawlish & would not be talked of there. I have put Starcross indeed. – If you prefer Exter, that must be always safe.
(…) Let the Portmans go to Ireland, but as you know nothing of the manners there, you had better not go with them. You will be in danger of giving false representations. Stick to Bath & the Foresters. There you will be quite at home.

(…) Nós acabamos de terminar a primeira parte dos 3 livros que tive o prazer de receber ontem; eu li em voz alta – e todos nós ficamos muito entretidos, e gostamos do livro tanto quanto antes. (…) As minhas correções não foram mais importante do que antes; – Aqui e acolá, pensamos
que o sentido poderia ser expressado em menos palavras (…) Lyme não servirá. Lyme fica a 40 milhas de distância de Dawlish e não seria falada por lá. Eu coloquei Starcross, de fato. – Se você preferir Exter, tal opção será sempre segura.
(…) Deixe os Portmans irem para a Irlanda, mas como você não sabe nada sobre os costumes de lá, o melhor a fazer é não ir com eles. Você correrá o risco de dar falsas representações. Mantenha-se em Bath e com os Foresters. Lá você estará em casa.

Existem ainda várias cartas que tratam dessas edições de texto. Como a numeração que tenho é a do meu livro, indico esse site caso queiram ler todas. As cartas que lá estão são de outra edição, a de Brabourne, mas o conteúdo é o mesmo.

Agora vocês devem estar se perguntando: mas cadê o livro da Anna pra gente conhecer St. Julians e Lady Helena e Cecilia? Devo dizer que, infelizmente, ele não foi publicado. Na verdade, ele nem foi terminado. Segundo as informações do livro, as obrigações de Anna após o casamento a deixaram com pouco tempo disponível para escrever. Além disso, a morte de Jane em 1817 privou Anna da sua maior incentivadora. Após guardar o manuscrito por muitos anos, Anna decidiu queimá-lo. Uma pena, pois – como expressado no próprio livro – mesmo sendo um livro incompleto, as edições indicadas por Jane tornariam o manuscrito muito valioso.

Termino a postagem com uma resposta para a pergunta proposta no título. Jane Austen, editora? SIM. Apesar da profissão na época ser exercida somente por homens e de ainda não existir um curso que cuidasse da formação acadêmica de tal profissional, o que Jane fazia com os escritos de Anna era edição pura.

Austen Editora | Captura de tela do filme Becoming Jane (Amor e inocência)

Austen editora | Captura de tela do filme Becoming Jane (Amor e inocência)

Três casais Darcy brasileiros

Já podemos nos vangloriar que temos três casais Darcy brasileiros! Numa peça de teatro, num musical e agora numa novela da Rede Globo: Orgulho e paixão.

O primeiro casal foi da peça Orgulho e preconceito apresentada por o Grupo Fora de Foco. Guilherme Magalhães e Alice Martins fizeram Mr. Darcy e Elizabeth Bennet e tive prazer de assistir uma apresentação e conhecer toda trupe!

Grupo Fora de Foco - Guilherme Magalhães e Alice Martins

Grupo Fora de Foco – Guilherme Magalhães e Alice Martins – Foto Yuri Palaro

No musical Nuvem de Lágrimas o casal foi representado por Gabriel Sater e Lucy Alves, ambos cantores e atores. Eram respectivamente o advogado Darcy que trabalhava para uma grande fazenda e Bete Borba, gerente de uma cooperativa agrícola, que sonhava ser cantora.

Nuven de Lágrimas - Gabriel Sater e Lucy Alves

Nuvem de Lágrimas – Gabriel Sater e Lucy Alves – Foto divulgação

E agora temos os atores Thiago Lacerda e Nathalia Dill, em Orgulho e Paixão. Pelo que li até o momento o personagem de Thiago manterá o nome (ou sobrenome) Darcy e será um empresário importante que tomará parte na construção de uma ferrovia. Nathalia será uma das filhas de produtores de café e até o momento temos o nome como Elizabeta. Já li comentários de quem não gostou muito da adaptação do nome mas segundo um site, a personagem é adepta do  “sincericídio”, portanto é nossa Lizzy, não importa o nome!

Assim que que tivermos o casal Darcy de Orgulho e Paixão em foto devidamente caracterizado prometo novo post só com eles!

Casais Darcy brasileiros Novela Orgulho e Paixão oThiago Lacerda e Nathalia Dill

Casais Darcy brasileiros – Novela Orgulho e Paixão – Thiago Lacerda e Nathalia Dill

Orgulho e preconceito | Guerra e Paz

A editora portuguesa Guerra e Paz lança nova tradução de Orgulho e preconceito no bicentenário da morte de Jane Austen. O livro chegará às livrarias a partir de 6 de setembro. O tradutor é Diogo Ourique.

Tomei conhecimento desta edição lendo os comentários de Vera Santos, do Jane Austen Portugal e que já escreveu como leitora-convidada aqui no Jane Austen em Português. Vera não gostou nem um bocadinho da capa.

Eu confesso que não me desagradou e que já vi capas de arrepiar os cabelos. Aguardemos para ver o que as meninas de Portugal dirão desta nova tradução.

Eis a capa, o que vocês acham?

Orgulho e preconceito Guerra e Paz

Orgulho e preconceito Guerra e Paz