A verdade de Orgulho e preconceito

A verdade de Orgulho e preconceito é um post sobre a primeira frase do mais famoso e amado romance de Jane Austen e suas traduções. Escrevi este post em fevereiro de 2010 inspirada por um comentário da leitora Nique. Procurei então em outras línguas e me arrisquei apenas com as latinas, mais conhecidas.

Hoje, 18 de setembro de 2017, com muitos livros acrescentados na Biblioteca Jane Austen e cada vez maior acesso a textos online, decidi aumentar o números de traduções, não só em português mas também outras línguas.

Em primeiro lugar a frase original, em inglês:

It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife.

As traduções em português brasileiro

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro possuidor de uma boa fortuna deve estar necessitado de uma esposa. (trad. Lúcio Cardoso | Várias editoras)

É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa. (trad. Celina Portocarrero | L&PM)

É verdade universalmente admitida que um homem solteiro, possuidor de boa fortuna, deve estar precisando de uma esposa. (trad. Laura Alves e Aurélio Rebello | Francisco Alves)

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, de posse de boa fortuna, deve estar atrás de uma esposa. (trad. Alexandre Barbosa de Souza | Penguin/Cia. das Letras)

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de uma boa fortuna deve estar à procura de uma esposa. (trad. Carol Chiovatto | Giz Editorial)

Em português de Portugal onde tenho uma favorita, a de Leyguarda Ferreira, que de tão direta tem um humor involuntário!

É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa. (trad. Maria Francisca Ferreira de Lima | Europa América)

É uma verdade universalmente admitida que um homem solteiro, possuidor de uma grande fortuna, precisa de arranjar mulher. (trad. J. Almeida Pinto | Portugália Editora)

É indiscutível e todos sabem que um rapaz novo, solteiro e rico precisa casar-se. (trad. Leyguarda Ferreira | Romano Torres)

É uma verdade universalmente aceite que um homem solteiro na posse de uma fortuna avultada necessita de uma esposa. (trad. Nuno Castro | Grupo COFINA)

As traduções em italiano são do site Jane Austen Italia e tem muitas outras, de causar inveja com tantas traduções! Notem que o título tem duas traduções, assim como Razão e sentimento em português.

È verità universalmente riconosciuta che uno scapolo largamente provvisto di beni di fortuna debba sentire il bisogno di ammogliarsi. (Orgoglio e prevenzione, trad. Giulio Caprin | Mondadori)

È cosa ormai risaputa che a uno scapolo, ricco di un vistoso patrimonio, manchi soltanto una moglie. (Orgoglio e pregiudizio, trad. Italia Castellini e Natalia Rosi | Tariffi)

As duas traduções em espanhol foram encontradas nos sites de Jane Austen en Castellano:

Es verdad universalmente admitida que un soltero poseedor de buena fortuna tiene que necesitar una mujer [trad. José Urriez de Azara)

Es una verdad generalmente admitida que un hombre soltero, poseedor de una gran fortuna, debe tomar esposa (trad. Fernando Durán)

Em francês

Chacun se trouvera d’accord pour reconnaître qu’un célibataire en possession d’une belle fortune doit éprouver le besoin de prendre femme. Orgueil et Préjugés (Folio Classique Gallimard, trad. Pierre Goubert)

C’est une verité universellemet reconnue qu’un célibataire ourvu d’une belle fortune doit avoir envie de se marier, […] (trad. Valentine Leconte e Charlotte Pressoir, editora Christian Bourgois) Detalhe: no final da frase a tradução coloca uma vírgula e emenda com a frase seguinte)

A tradução em húngaro ganhei de presente:

Átalánosan elismert igazság, hogy a legényembernek, ha vagyonos, okvetlenül kell feleség. (Büszkeség és balítélet [Orgulho e preconceito], Trad.Szenczi Miklós Editora: Lazi Könyvkiadó)

Em alemão tenho duas traduções sobre as quais já escrevi a respeito e coloco o link pois é muito interessante o modo de tradução, “Peculiaridades de Jane Austen em Alemão”.

Es ist eine Wahrheit, über die sich alle Welt einin ist, daβ ewin unbeweibter Mann von einigem Vermögen unbedingt auf der Suche nach einer Lebensgefährtin sein musβ. (trad. Karin von Schwab, editora Anaconda)

Es ist eine allgemein anerkannte Wahrheit, dass ein Junggeselle im Besitz eines schönen Vermögens nichts dringender braucht als eine Frau. (trad. Ursula e Christian Grawe, editora Reclan).

Em mirandês, língua falada no Nordeste de Portugal, no distrito de Bragança, com o título Proua i Percunceito. Do tradutor sei apenas o primeiro nome, Fracisco e não sei se levou avante seu projeto de traduzir todo livro.

Ye ũa berdade sabida an todo l mundo que un home sulteiro, duonho dũa buona fertuna, ten de percisar dũa mulhier.

Arremato o post com a tradução em latim, de Thomaso Cotton do site Ephemeris onde Orgulho e preconceito intitula-se Superbia & Odium.

Verum est ubique agnotum quo plus caelebs locuples uxore careat.

A verdade de Orgulho e preconceito

A verdade de Orgulho e preconceito

 

Emma Penguin Clásicos Espanha

Emma da Penguin Clásicos publicado na Espanha é uma edição comemorativa e creio antiga, mas como a capa é muito bonita não resisti e publiquei. Aliás, se fosse possível, em muitos casos, eu compraria só a capa.

Fica aqui também como registro minha paixão por xícaras, que não vou colecionar pois mais um vício não posso sustentar.

Está edição está à venda no Me Gusta Leer, onde se encontra todos os outros livros de Jane Austen, que por sinal as capas não são nada bonitas como vocês poderão ver no site da editora.

Antes que me esqueça a tradução do texto é de José María Valverde.

Emma Penguin Clásicos

Emma Penguin Clásicos

Jane Austen na revista Quatro Cinco Um

Quatro Cinco Um é uma revista sobre livros que surgiu há pouco tempo no mercado editorial. E claro, está aqui no Jane Austen em Português  por que neste mês de setembro publicou um artigo sobre Austen. Esta edição já está à venda em vários lugares, livrarias e bancas ou pode ser adquirida também por assinatura anual.

O nome da revista, para quem estiver curioso, é uma homenagem a um dos meus livros favoritos, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury.

O artigo sobre Austen foi escrito pela jornalista Bia Abramo e escreverei mais sobre o assunto em outro post assim que tiver a revista em mãos.

Revista Quatro Cinco Um

Revista Quatro Cinco Um – edição de setembro de 2017

Northanger Abbey da Folio Society

Northanger Abbey da Folio Society já está à venda no site da editora. Creio que é o último da série dourada de Jane Austen, a não ser que resolvam publicar outros textos como fizeram com a coleção dos anos 1960 que tem um sétimo volume sob o título Shorter Works. Vale lembrar que da coleção atual temos A Memoir of Jane Austen e que nos anos 2000 tivemos também Jane Austen’s Letters.

Esta edição de Northanger Abbey  tem a introdução da escritora de livros sobre crimes,  Val McDermid que também escreveu uma adaptação moderna de Northanger Abbey.

As cinco ilustrações do livro são de Jonathan Burton e vocês poderão veri três delas no primeiro link do post.

Meu plano era comprar todos os livros da Folio este ano, mas para não perder determinadas ofertas de outras coleções que precisava completar, foi adiado. Paciência, Iracema, como diz minha amiga Letícia.

Northanger Abbey Folio Society

Northanger Abbey Folio Society

 

Caio Fernando Abreu e Jane Austen

Caio Fernando Abreu, escritor e jornalista gaúcho, citou Jane Austen em uma de suas cartas. Ele estava em Londres em janeiro de 1991 quando escreveu para sua amiga, Jacqueline Cantore. Falava sobre seu modo vida londrino e sobre escrever cartas quando mencionou Austen:

Escrever cartas é algo que, no estrangeiro, tem outro gosto. Muito melhor. Um tanto Jane Austen, concordo. E receber então?

É inegável que ele gostava de escrever e receber cartas. E era inclusive melhor esse enviar e receber de cartas no exterior.

Mas, como o diabo mora nos detalhes, fiquei pensando na expressão “um tanto Jane Austen”, seria um elogio ou um certo desdém pelo estilo de Austen?

Agora me digam vocês, estou vendo significados onde não existem?

Caio Fernando Abreu Cartas

Caio Fernando Abreu Cartas – ebook na Amazon Organização de Ítalo Moriconi

Jane Austen, editora?

Jane Austen, editora?
por Mell Siciliano

Jane Austen, editora, será? Abaixo segue a definição de editor do dicionário Aurélio (2010):

e.di.tor [ Lat. editore] adj. 1. Que edita. 2. Quem edita. 3. O responsável pela supervisão, preparação de textos especializados, etc., em jornal, revista, etc.

Traduzindo para vida prática, o(a) editor(a) é aquela pessoa que trabalha com a supervisão de todo o processo para a publicação de um conteúdo, um texto, um livro, etc ou/e aquele que trabalha diretamente na preparação do texto, observando não só questões gramaticais como também de adequação do conteúdo ao objetivo fim, muitas vezes propondo alterações substanciais no conteúdo final.

E o que tudo isso tem a ver com Jane Austen? Bem, lendo suas cartas descobri duas coisas: a primeira é que sua sobrinha Anna Austen (depois Lefroy) também escrevia, e a segunda é que em suas cartas para sua tia ela pedia por conselhos sobre seus escritos!

E Jane não se resumia a dar opiniões, ela indicava alterações no texto, de forma que sua sobrinha pudesse passar mais claramente – ou da maneira mais adequada – aquilo que ela gostaria de passar. Separei alguns exemplos pra vocês:

Carta 103, para Anna Austen, Junho de 1814

A few verbal corrections were all that I felt tempted to make – the principal of them is a speech of St. Julians to Lady Helena – which you will see I have presumed to alter. – As Lady H. is Cecilia’s superior, it would not be correct to talk of her being introduced; Cecilia must be the person introduced.
Algumas correções de discurso foram tudo o que eu me senti tentada a fazer – a principal delas é uma fala de St. Julians para Lady Helena – você verá que eu ousei alterar. – Como Lady H. é superior a Cecília, não seria correto falar dela ser introduzida; Cecilia deve ser a pessoa introduzida.

Carta 104, para Anna Austen, Junho de 1814

(…) We have just finished the first part of the 3 books I had the pleasure of receiving yesterday; I read it aloud – & we were all very much amused, & like the work quite as well as ever. (…) My corrections have not been more important than before; – here and there, we have thought the sense might be expressed in fewer words (…) Lyme will not do. Lyme is towards 40 miles distance from Dawlish & would not be talked of there. I have put Starcross indeed. – If you prefer Exter, that must be always safe.
(…) Let the Portmans go to Ireland, but as you know nothing of the manners there, you had better not go with them. You will be in danger of giving false representations. Stick to Bath & the Foresters. There you will be quite at home.

(…) Nós acabamos de terminar a primeira parte dos 3 livros que tive o prazer de receber ontem; eu li em voz alta – e todos nós ficamos muito entretidos, e gostamos do livro tanto quanto antes. (…) As minhas correções não foram mais importante do que antes; – Aqui e acolá, pensamos
que o sentido poderia ser expressado em menos palavras (…) Lyme não servirá. Lyme fica a 40 milhas de distância de Dawlish e não seria falada por lá. Eu coloquei Starcross, de fato. – Se você preferir Exter, tal opção será sempre segura.
(…) Deixe os Portmans irem para a Irlanda, mas como você não sabe nada sobre os costumes de lá, o melhor a fazer é não ir com eles. Você correrá o risco de dar falsas representações. Mantenha-se em Bath e com os Foresters. Lá você estará em casa.

Existem ainda várias cartas que tratam dessas edições de texto. Como a numeração que tenho é a do meu livro, indico esse site caso queiram ler todas. As cartas que lá estão são de outra edição, a de Brabourne, mas o conteúdo é o mesmo.

Agora vocês devem estar se perguntando: mas cadê o livro da Anna pra gente conhecer St. Julians e Lady Helena e Cecilia? Devo dizer que, infelizmente, ele não foi publicado. Na verdade, ele nem foi terminado. Segundo as informações do livro, as obrigações de Anna após o casamento a deixaram com pouco tempo disponível para escrever. Além disso, a morte de Jane em 1817 privou Anna da sua maior incentivadora. Após guardar o manuscrito por muitos anos, Anna decidiu queimá-lo. Uma pena, pois – como expressado no próprio livro – mesmo sendo um livro incompleto, as edições indicadas por Jane tornariam o manuscrito muito valioso.

Termino a postagem com uma resposta para a pergunta proposta no título. Jane Austen, editora? SIM. Apesar da profissão na época ser exercida somente por homens e de ainda não existir um curso que cuidasse da formação acadêmica de tal profissional, o que Jane fazia com os escritos de Anna era edição pura.

Austen Editora | Captura de tela do filme Becoming Jane (Amor e inocência)

Austen editora | Captura de tela do filme Becoming Jane (Amor e inocência)

Três casais Darcy brasileiros

Já podemos nos vangloriar que temos três casais Darcy brasileiros! Numa peça de teatro, num musical e agora numa novela da Rede Globo: Orgulho e paixão.

O primeiro casal foi da peça Orgulho e preconceito apresentada por o Grupo Fora de Foco. Guilherme Magalhães e Alice Martins fizeram Mr. Darcy e Elizabeth Bennet e tive prazer de assistir uma apresentação e conhecer toda trupe!

Grupo Fora de Foco - Guilherme Magalhães e Alice Martins

Grupo Fora de Foco – Guilherme Magalhães e Alice Martins – Foto Yuri Palaro

No musical Nuvem de Lágrimas o casal foi representado por Gabriel Sater e Lucy Alves, ambos cantores e atores. Eram respectivamente o advogado Darcy que trabalhava para uma grande fazenda e Bete Borba, gerente de uma cooperativa agrícola, que sonhava ser cantora.

Nuven de Lágrimas - Gabriel Sater e Lucy Alves

Nuvem de Lágrimas – Gabriel Sater e Lucy Alves – Foto divulgação

E agora temos os atores Thiago Lacerda e Nathalia Dill, em Orgulho e Paixão. Pelo que li até o momento o personagem de Thiago manterá o nome (ou sobrenome) Darcy e será um empresário importante que tomará parte na construção de uma ferrovia. Nathalia será uma das filhas de produtores de café e até o momento temos o nome como Elizabeta. Já li comentários de quem não gostou muito da adaptação do nome mas segundo um site, a personagem é adepta do  “sincericídio”, portanto é nossa Lizzy, não importa o nome!

Assim que que tivermos o casal Darcy de Orgulho e Paixão em foto devidamente caracterizado prometo novo post só com eles!

Casais Darcy brasileiros Novela Orgulho e Paixão oThiago Lacerda e Nathalia Dill

Casais Darcy brasileiros – Novela Orgulho e Paixão – Thiago Lacerda e Nathalia Dill

Orgulho e preconceito | Guerra e Paz

A editora portuguesa Guerra e Paz lança nova tradução de Orgulho e preconceito no bicentenário da morte de Jane Austen. O livro chegará às livrarias a partir de 6 de setembro. O tradutor é Diogo Ourique.

Tomei conhecimento desta edição lendo os comentários de Vera Santos, do Jane Austen Portugal e que já escreveu como leitora-convidada aqui no Jane Austen em Português. Vera não gostou nem um bocadinho da capa.

Eu confesso que não me desagradou e que já vi capas de arrepiar os cabelos. Aguardemos para ver o que as meninas de Portugal dirão desta nova tradução.

Eis a capa, o que vocês acham?

Orgulho e preconceito Guerra e Paz

Orgulho e preconceito Guerra e Paz

 

Coleção Mulheres na Literatura – Persuasão

A coleção Mulheres na Literatura da Folha de São Paulo/UOL publicará Persuasão de Jane Austen. Alvíssaras! Até que enfim teremos um outro livro que não seja o meu amado Orgulho e preconceito. A tradução é a de Mariana Menezes Neumann, tradução esta que já foi publicada pela BestBolso Persuasão será o sexto volume e estará nas bancas no dia 17 de setembro.

Os primeiros três livros da coleção já estão nas bancas: Perto do coração selvagem de Clarice Lispector; Poemas escolhidos de Emily Dickson e a Casa dos espíritos de Isabel Allende já estão nas bancas.

Já estou doida para comprar, não digo a coleção completa, mas certamente comprarei Rachel de Queiróz, Edith Warthon, Fannie Flag e melhor terminar esta sentença com um etc!

Detalhes do projeto e tradutores quando cabíveis verei ao longo da semana e coloco aqui no post. Com vocês a lista completa para já ficar com vontade…

  1. Clarice Lispector – Perto do coração selvagem
  2. Emily Dickinson – Poemas escolhidos (trad. Ivo Bender)
  3. Isabel Allende – A casa dos espíritos  (trad. Carlos Martins Pereira)
  4. Simone de Beauvoir – Mal-entendido em Moscou  (trad. Stella Maria da Silva Bertaux)
  5. Virginia Woolf – Cenas londrinas  (trad. Myriam Campelo)
  6. Jane Austen – Persuasão (trad. Mariana Menezes Neumann)
  7. Jeannette Walls – O castelo de vidro
  8. Lya Luft – Perdas e ganhos
  9. Herta Müller – Depressões (trad. Ingrid Ani Assmann)
  10. Rachel de Queiroz – Dôra, Doralina
  11. Agatha Christie – E não sobrou nenhum (trad. Renato Marques de Oliveira)
  12. Nélida Piñon – Vozes do deserto
  13. Mary Shelley – Frankstein (trad. Irineu Franco Perpetuo)
  14. Fannie Flagg – Tomates verdes fritos (trad.  a conferir)
  15. Madame de Lafayette – A princesa de Clèves (trad. Léo Schlafman)
  16. Maria Adelaide Amaral – Tarsila
  17. Florbela Espanca – Poemas
  18. Françoise Sagan – Bom dia, tristeza (trad. Sieni Marla Campos)
  19. Katherine Mansfield – 15 contos escolhidos (trad. ?)
  20. Thays Martinez – Minha vida com Boris
  21. Emily Brontë – O morro dos ventos uivantes (trad. Rachel de Queiroz)
  22. Louisa May Alcott – Mulherzinhas (trad. ?)
  23. Anna Gavalda – Eu a amava (trad. Procópio Abreu)
  24. Thrity Umrigar – A distância entre nós (trad. ?)
  25. Alice Munro – Fugitiva (trad. ?)
  26. Edith Wharton – A época da inocência (trad. ?)
  27. Wendy Holden – Os bebês de Auschwitz (trad. ?)
  28. Charlotte Brontë – Jane Eyre (trad. ?)
  29. Jhumpha Lahiri – Aguapés (trad. ?)
  30. Agustina Bessa-Luís – A sibila
Mulheres na Literatura_- Persuasão

Coleção Mulheres na Literatura – Persuasão

As primeiras traduções de Jane Austen no Brasil | Pride and Possibilities 19

As primeiras traduções de Jane Austen no Brasil foram publicadas muito tempo depois de sua publicação na Inglaterra, para ser precisa, 129 anos depois.

A primeira tradução brasileira de Jane Austen foi Orgulho e preconceito (Pride and Prejudice) feita pelo escritor Lúcio Cardoso e publicada em 1940 pela editora José Olympio. Acredito que foi movida pela sucesso da adaptação cinematográfica com Laurence Olivier e Greer Garson pois na orelha do livro tem o seguinte anúncio, “Este romance foi filmado pela Metro-Goldwyn-Mayer e será apresentado no Brasil com o título ‘Orgulho’”. O filme foi exibido com o título original completo.

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil - Orgulho e preconceito

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil – Orgulho e preconceito

Em 1942 foi a vez de Mansfield Park que foi traduzido pela escritora Rachel de Queiroz e publicada pela mesma editora de Orgulho e preconceito. A tradutora era certamente leitora de Austen pois em seu primeiro livro, O Quinze, escrito em 1930, colocou sua heroína dizendo: “Não sei amar com metade do coração…”, claramente inspirada em Marianne Dashwood. Desta tradução consegui para meu acervo apenas uma segunda edição.

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil - Mansfield Park

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil – Mansfield Park

O livro seguinte,  Razão e sentimento (Sense and Sensibility), completa os três livros de Jane Austen que foram publicados pela editora José Olympio e foi traduzido pela escritora Dinah Silveira de Queiroz em 1944. Exemplares desta edição, assim como de Mansfield Park são raros de se encontrar. Sense and Sensibility aqui no Brasil, como em vários outros países, tem duas traduções para o título: Razão e sentimento e Razão e sensibilidade, sendo esta última a única utilizada nas traduções de filmes e séries de TV.

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil - Razão e sentimento

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil – Razão e sentimento

No mesmo ano de 1944 foi publicada pela editora Panamericana a tradução de A Abadia de Northanger (Northanger Abbey). O tradutor foi o poeta e escritor Lêdo Ivo. Estas edições dos anos 1940 foram todas impressas em papel de baixa qualidade devido a escassez do período da Segunda Guerra Mundial e por esse motivo livros se encontram em estado bastante precário.

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil - A abadia de Northanger

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil – A abadia de Northanger

Passaram-se quase trinta anos para que em 1971 finalmente  Persuasão (Persuasion) fosse publicado pela editora Bruguera com tradução da escritora Luiza Lobo. Persuasão teve duas edições e praticamente desapareceu do mercado. Emma levou mais de duas décadas depois de Persuasão, sendo publicado em 1996 com tradução do poeta e escritor Ivo Barroso, que também traduziu Razão e sentimento, em 1982, pois a tradução de Dinah Silveira de Queiroz era impossível de encontrar.

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil - Emma e Persuasão

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil – Emma e Persuasão

Em 2014 as duas novelas inacabadas,  Os Watsons (The Watsons) e Sanditon foram traduzidas também por Ivo Barroso e com introduções minhas. Todas as traduções de Ivo Barroso foram publicadas pela editora Nova Fronteira. Lady Susan foi publicado por duas editoras, Pedrazul e Zahar no ano de 2012 e a Juvenília em 2014 pela editora Companhia das Letras.

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil - Os Watsons, Sanditon, Lady Susan

Primeiras traduções de Jane Austen no Brasil – Os Watsons, Sanditon, Lady Susan

Esta foi a trajetória das primeiras traduções de Jane Austen no Brasil e que atualmente, graças aos filmes e principalmente a internet se popularizou imensamente.

Para se ter uma ideia do alcance de Jane Austen neste ano de 2017, a maior emissora de televisão do país, a Rede Globo, lançou uma novela chamada Novo Mundo que conta a história de uma dama de companhia da esposa do príncipe Dom Pedro, a princesa Leopoldina com quem ele se casara em 1817. A dama de companhia é cortejada por um capitão inglês que entre galanteios e tentativas de conquista dá-lhe de presente um exemplar de Pride and Prejudice. Para a alegria das Janeites brasileiras, é claro!

A personagem foi levemente inspirada na inglesa Maria Dundas Graham Callcott² que de fato esteve no Brasil e foi tutora de uma das filhas da Princesa Leopoldina. Maria Graham  como era mais conhecida escreveu livros sobre o Brasil, e para minha surpresa, foi publicada por John Murray, o mesmo editor de Jane Austen!


¹O artigo “Jane Austen: primeiras traduções no Brasil” foi escrito por mim para o periódico online Pride and Possibilities da Jane Austen Literacy Foundation, sob o título ISSUE 19: THE FIRST BRAZILIAN TRANSLATIONS e traduzido para o inglês por Rita L. Watts.

²Maria Graham Wikipedia – https://en.wikipedia.org/wiki/Maria_Graham