Gazeta de Meryton, 29 de maio de 2016

EDITORIAL

Há mais de um ano que não publicava a Gazeta de Meryton. Retorno hoje com notícias do mundo de Jane Austen, como sempre foi a proposta deste tipo de postagem e também com as novas metas do blog.

Jane Austen em Português completará oito anos em junho e constato que tem mais de três mil e duzentos posts publicados como vocês podem ver na captura de tela abaixo. Esta quantidade de textos, por pequenos sejam, com o passar do tempo foram perdendo links, imagens, diagramação etc. Esse conjunto de fatos por sua vez vez gerou uma quantidade de erros de acesso muito acima do aceitável. Por esse motivo, de hoje em diante, passo a fazer uma limpeza profunda e também reorganização do blog. Essa tarefa será longa e me tomará um tempo razoável, portanto novos textos serão escassos e usarei e abusarei da Gazeta para pelo menos manter vocês atualizados.

Uma modificação que será testada inúmeras vezes será de novos temas, não se assustem, pois aparecerão e sumirão com a mesma rapidez até conseguir algo adequado! A medida que for implementando as modificações avisarei nos editorias da Gazeta. A Biblioteca Jane Austen continuará, devagar e sempre, sendo atualizada nesse período.

Quanto tempo levarei nesse trabalho… sinceramente, não sei. A única certeza é que um blog totalmente desorganizado não vale a pena ser publicado, então me desejem sorte e disposição.

Ah! todas as sugestões e avisos de erros serão bem-vindas, conto com vocês!

LIVROS

Jane Austen, Edward Knight, & Chawton: Commerce & Community por Linda Slothouber.
Blog da autora com mais informações sobre o livro.

Say It Like Miss Austen por Stefan Scheuermann,

Say It Like Miss Austen

ARTIGOS

“Orgulho e Preconceito – uma história de ódio à primeira vista”, por Carina Teixeira

“No romance, Elizabeth despreza a arrogância de Darcy sem perceber que essa arrogância, às vezes, funciona como uma forma de defesa: “o amor assusta mais do que todos os fantasmas que habitam o coração humano”. Darcy despreza Elizabeth porque Elizabeth é uma ameaça ao seu conforto social e até sentimental. Elizabeth e Darcy não são personagens divergentes. Eles são, no seu orgulho e preconceito, personagens rigorosamente iguais.”

Jane Austen’s Guide to Alzheimer’s” por Carol J. Adams

“Early on in tending to my mother, who had Alzheimer’s, I was sustained by other Austen novels, but during the middle stages of her disease it was all “Emma,” all the time. What started as entertainment soon became an important guide.”

MISCELÂNEA

An Animated Introduction to Jane Austen”, Dan Colman (vídeo)

Blog Jane Austen’s London

Crispin Bonham-Carter is now a teacher”, Lucy Stephens, Independent

Crispin Bonham Carter, Mr. Bingley 1995, agora professor

Views: 377

Os mistérios de Udolpho – O gótico no seu apogeu

Ainda não li Os Mistérios de Udolpho pois quero fazê-lo sem pressa e, infelizmente, este tempo é um luxo que não tenho no momento. Mas vocês, leitores do Jane Austen em Portugês, não ficarão sem uma indicação de peso. Claire Scorzi de quem já tenho publicado o artigo “Jane Austen e os movimentos literários” e o vídeo “Jane Austen”.nos autorizou graciosamente a publicação de sua resenha sobre Os Mistérios de Udolpho que foi lançado, em dois volumes, pela editora Pedrazul.

“Os mistérios de Udolpho – O gótico no seu apogeu”
por Claire Scorzi

Ann Radcliffe ficou conhecida por este e outros romances góticos – livros de mistério, suspense, ambientados em geral fora da Inglaterra (aqui, França e Itália) o que devia dar uma atmosfera “exótica” ao público leitor inglês, e quem sabe a ideia de que tais horrores não aconteceriam em solo britânico…

Otto Maria Carpeaux (História da Literatura Ocidental) escreveu que Radcliffe tinha certo talento literário, mas que hoje não a leríamos mais. Esta é uma das vezes em que discordo do grande Carpeaux. Embora eu não tenha como saber, ainda, se Radcliffe escreveu uma “obra” que permanecerá – só li este – apreciei muito descobrir que Ann Radcliffe tinha, de fato, talento literário:

Usa o gótico com discernimento, sem exagerar nas cenas e optando sempre pelo gótico fundamentado na razão – todos os “eventos estranhos” tem explicação racional – e criando boas cenas de suspense;

a atmosfera da narrativa é cuidada, sem transições abruptas e superficiais;

um possível feminismo – só possível! rs – na sua heroína, Emily, cuja firmeza moral é a sua única “arma” contra Montoni, mas que a autora consegue tornar admirável em mais de um episódio de confronto entre os dois personagens;

ausência do cinismo e irreverência tão comuns na literatura inglesa do século XVIII – ou seja, nada de Fielding – sem, contudo, abrir mão de um humor discreto;

frases de personagens memoráveis (inclusive algumas de Emily enfrentando Montoni);

personagens de apoio simpáticos (Annette e Ludovico, para citar só dois);

esforço de análise psicológica, o que me fez suspeitar que Radcliffe tinha certa familiaridade com a literatura francesa da época.

Enfim: um romance que merece ser lido.

Os mistérios de Udolpho

Views: 777