Orgulho e preconceito Atlanta | Resenha

Esta resenha do filme Orgulho e preconceito: Atlanta, foi escrita por Almudena Romero uma das autoras do site espanhol Salon De Te De Jane Austen. Salon De Te De Jane Austen. Com a devida permissão traduzi o artigo completo que vocês também podem ler em espanhol, neste link, “Critica de Orgullo y Prejuicio; Atlanta”.

Até o momento não encontrei o DVD do filme pra comprar e creio que dificilmente lançarão no Brasil portanto não me preocupei com a possibilidade de spoilers. Minha última esperança é que um dia eu possa mesclar meu Amazon Prime Vídeo Brasil com os de língua inglesa, pois no Prime dos Estados Unidos está disponível. Mas deixemos de lamentações e vamos ler o artigo de Almudena!

Resenha de Orgulho e preconceito: Atlanta.
por Almudena Romero

Este filme, feito para a televisão e sem pretensões, é um mero entretenimento para passar uma tarde. Poderia se classificar no gênero comédia romântica pelo tratamento dado aos personagens e a tônica geral do filme. Inspirado no clássico de Jane Austen, Orgulho e preconceito, a história conta, de uma forma simples, o caminho para a felicidade que terá que seguir sua protagonista, marcado por uma filosofia de vida de acordo com os interesses de uma família afro-americana residente em Atlanta nos dias de hoje e cujo pai é um pastor de uma importante igreja Batista.

As semelhanças com Orgulho e preconceito são evidentes; família de cinco filhas solteiras, mãe desejando casar suas filhas, protagonistas masculinos endinheirados… Vencer o orgulho e os preconceitos para alcançar a estabilidade e enamorar-se…

As diferenças são interessantes. Uma delas é a necessidade de adaptar a a história para o ano de 2019¹. No que se refere às protagonistas, por exemplo, Lizzy é uma ativista que trata de salvar o bairro antigo da demolição e evitar que um capitalismo mal canalizado acabe com algo de interesse histórico e grande apelo e que poderia impulsionar a economia da região de outra maneira.

Jane neste filme é viúva e tem um menino muito simpático. Lydia é uma garota jovem e passional, a que gosta de divertir-se indo a bares onde pode jogar, apostar etc. A senhora Bennet é dona de casa mas escreveu um livro sobre como conseguir um marido, que foi um sucesso. O senhor Bennet é um membri importante da igreja protestante com sua própria congregação. Will Darcy é um homem rico, interessado em política e é ajudado em sua carreira por sua tia. Bingely também muitos investimentos e propriedades, embora menores do que Darcy.

Quanto à personalidade dos personagens também encontramos semelhanças e diferenças.

A principal discrepância é sobre o casal Bennet: seu relacionamento é bom e se amam muito. A senhora Bennet é uma “mãe sulina”² em todo sua extensão e significado, amorosa e preocupada  com suas filhas, muito enérgica, com senso de humor e disposta a ajudá-las. Tem um grande carinho por Lizzy. O senhor Bennet é um homem risonho, calmo e que transmite confiança e segurança ao seu “rebanho”. Nunca faz pouco de sua esposa e se tem alguma piada, ambos entendem o seu sentido e também se preocupa com sua família, todos mantem um bom relacionamento.

Por outra lado, os elementos de “orgulho” e de “preconceito” são apresentados de maneira diferente. O peso de ambos recaem sobre Lizzy. É ela que muda sua perspectivas das coisas. Paira a ideia de que sua incapacidade para ser feliz provem de sua excessivo, e talvez único, envolvimento com seu lado profissional. Também intuímos que rejeito o lado emocional da vida. Quando encontrar o equilíbrio que necessita para encaminhar sua vida.

Finalmente, não existem desavenças reais entre os membros da família Bennet. Lydia e Wickham são queridos por todos e não há uma animosidade entre Wickham e Darcy. Descobriremos que os conselhos de Darcy para seu amigo Bingley não são ruins como parecem.

Acreditamos que Orgulho e preconceito: Atlanta é um filme que deve ser tomada pelo que é: simples, inocente e sem pretensões. Não podemos deixar de acrescentar que se estabelecem  muito claramente dois mundos: masculino e feminino, no qual o homem segue sendo o leme principal do “barco” mas quem dá a direção é a mulher (como diria a senhora Bennet). Por este motivo, não devemos abordar esta adaptação com preconceitos que nos levem a ver fantasmas sobre o valor da mulher na sociedade atual e melhor fará quem assistir esperando passar um momento agradável e aproveitar as situações cômicas que possam surgir.


NOTA

¹ Para maiores detalhes sobre os personagens vejam este post (em português) : Pride and Prejudice: Atlanta.

² No original “madre sureña”. Imagino que seja como as folclóricas mãe italianas, mães judias etc. Mesmo assim vou esclarecer com Almudena para contar para vocês.

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Jane Austen e a Índia

Jane Austen e a Índia certamente tem ligações, não só pelo comércio entre os dois países, mas também familiares. Philadelphia Austen, irmã do reverendo George Austen, pai de Jane, casou-se e morou na Índia.

O relacionamento da Inglaterra com a Índia começou em 1600 com o comércio (para mais detalhes vejam Companhia Britânica das Índias Orientais) que a partir de 1858 passou a governar o país. No filme “O último Vice-Rei”, mostra o final do domínio britânico, em 1947, com a entrega para os indianos de seu país e ao mesmo tempo parte do território é cedido aos muçulmanos para formação do Paquistão. A migração dos muçulmanos para o norte (Paquistão) e a dos hindus e sikhs para o sul (Índia) foi uma das grandes tragédias do século 20 pela falta de organização e consequente violência de ambas as partes.

Não só o país foi dividido mas seus bens de todos os tipos, sendo um percentual menor (não me recordo o número exato) para o Paquistão. Neste ponto, no filme, começa a partilha de talheres a livros, foi quando apareceu Jane Austen!

A senhora que determinava a divisão começa dizendo que o O morro dos ventos uivantes iria para o Paquistão, nesse momento desconfie que não morria de amores pelas irmãs Bröntes… Mas logo a seguir percebi que me equivocara, pois ela completou dizendo que Jane Eyre ficaria na Índia, e foi categórica quanto a Jane Austen, todos seus livros ficariam também! Não sei se na vida real essa partilha dos romances, como mostrada no filme existiu, mas ficou um lindo  momento para nós, Janeites.

E antes que me esqueça minha opinião sobre o filme como uma todo: gostei pois tudo relacionado com história me fascina e destaco a atuação de Gillian Anderson no papel de Lady Mountbatten, esposa do vice-rei interpretado por Hugh Bonneville, nosso conhecido por Mansfield Park, Lost in Austen e Jane Austen Regrets.

Sobre a Índia e o Império Britânico já escrevi sobre uma série que também menciona Jane Austen: Jane Austen e o whisky Old Sporran.

 

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