Razão e insensibilidade

Sei que havia uma razão para este terrível selo verde, mas convenhamos, que insensibilidade!

Tudo bem… 4,90, um rasguinho de nada na capa e ele já é meu. Ah, consegui tirar a coisa verde sem machucar a capa.

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A vida como ela é

IMPORTANTE
Se você ainda não leu Razão e sentimento (ou Razão e sensibilidade),
não leia este post pois saberá o final do livro.


Uma das coisas que mais aprecio na obra de Jane Austen é o estilo “a vida como ela é”. Nada de ilusões.

Para ilustrar o que digo um trecho final de Razão e sentimento, onde o narrador fala do destino dos personagens e ficamos sabendo que fim levou Willoughby.

That his repentance of misconduct, which thus brought its own punishment, was sincere, need not be doubted – nor that he long thought of Colonel Brandon with envy, and of Marianne with regret. But that he was for ever inconsolable, that he fled from society, or contracted an habitual gloom of temper, or died of a broken heart, must not be depended on–for he did neither. He lived to exert, and frequently to enjoy himself. His wife was not always out of humour, nor his home always uncomfortable; and in his breed of horses and dogs, and in sporting of every kind, he found no inconsiderable degree of domestic felicity.
| Sense and Sensibility, chapter50 |

Que o arrependimento de sua má conduta, que trouxe consigo a sua própria punição, era de fato sincero, é o que não se pode por em dúvida. Não se pode duvidar também de que ele pensasse no coronel Brandon com inveja e em Mariana com tristeza. Mas não se devia esperar que ficasse eternamente inconsolável, que fugisse da sociedade ou adquirisse um temperamento sombrio ou morresse de desgosto, porque não fez nada disso. Continuou a sair e a divertir-se. Sua esposa nem sempre estava de má vontade e o seu lar nem sempre foi desagradável; na criação de cavalos e cães, na pratica de “sports” de todo o genero encontrou um grau de  não insignificante de felicidade domestica.
| trad. Dinah Silveira de Queiroz |

Que o arrependimento por sua má conduta, que assim lhe trouxe o próprio castigo, era sincero, disso não podemos duvidar… nem de que pensava sempre no coronel Brandon com inveja e em Marianne com saudade. Mas daí não devemos inferir que tenha permanecido para sempre inconsolável, que se afastou da sociedade,  passou a viver sempre mal-humorado ou morreu de paixão — pois na verdade nada disso aconteceu. Sua mulher nem sempre lhe era desagradável, nem a casa sempre sem atrativos; e em sua criação de cavalos e cães, na prática de esportes de toda a espécie, encontrou um grau razoável de felicidade conjugal.
| trad. Ivo Barroso |

Este é o final que Jane Austen deu ao Willoughby e acredito que mais realista impossível. Elinor certamente passou toda vida tranquila com Edward. Quanto a Marianne tenho dúvidas.

Fui presenteada, esta semana, com Willoughby’s Return. Estou curiosa para saber a solução que Jane Odiwe deu ao seu enredo e assim que puder lerei e contarei para vocês.

Enquanto isso digam-me o que vocês acham do casamento de Marianne Dashwood com o Coronel Brandon.

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