Jane Austen e os irlandeses – parte I

Jane Austen refere-se a Irlanda e aos irlandeses em quase todo seus livros o que é bastante compreensível pois a Irlanda, desde 1171, fazia parte da Grã-Bretanha, e mais tarde Reino Unido, de algum modo ou de outro*.

Mary had neither genius nor taste; and though vanity had given her application, it had given her likewise a pedantic air and conceited manner, which would have injured a higher degree of excellence than she had reached. Elizabeth, easy and unaffected, had been listened to with much more pleasure, though not playing half so well; and Mary, at the end of a long concerto, was glad to purchase praise and gratitude by Scotch and Irish airs, at the request of her younger sisters, who, with some of the Lucases and two or three officers, joined eagerly in dancing at one end of the room.
| Pride and Prejudice, Chapter 6 |

Mary não tinha talento ou bom gosto e, ainda que a vaidade lhe tivesse dado dedicação, deu-lhe também um ar pedante e modos afetados, que empanariam um grau de excelência superior ao que alcançara. Elizabeth, calma e sem pretensões, havia sido ouvida com muito prazer, embora não tocasse tão bem. E Mary, ao final de um longo concerto, teve a sorte de conseguir elogios e agradecimentos por algumas árias escocesas e irlandesas a pedido de suas irmãs mais moças que com algumas das meninas Lucas e dois ou três oficiais, dançavam com entusiasmo num dos cantos do salão.
| trad. Celina Portocarrero |

Mary não tinha talento, nem gosto. Embora a vaidade lhe tivesse dado perseverança, dera-lhe igualmente um ar pedante de maneiras convencidas, coisa suficiente para obscurecer triunfos maiores do que aqueles que era capaz de alcançar.
Embora não tocasse tão bem, Elizabeth agradou muito mais, graças à sua naturalidade; e Mary, depois de um longo concerto, pode considerar-se feliz por alcançar alguns elogios, graças a algumas canções escocesas e irlandesas que executou a pedido das irmãs mais moças, que na outra extremidade do salão tinham entrado evidentemente na dança, com algum dos Lucas e dois ou três oficiais.

Em Orgulho e preconceito a referência está ligada à música irlandesa, assim como à escocesa, ambas ótimas para dançar. Até a pobre Mary se beneficiou desse toque irlandês! Quando escreveu este livro Jane era bem jovem e as músicas para dançar mais descontraidamente deviam ser as preferidas dos jovens da época. Sempre cercada de um certo preconceito das classes mais altas – vocês devem lembrar das palavras de Mr. Darcy – e o orgulho do erudito como no caso de Mary e seus infindáveis concertos e discursos!

Este post é também uma homenagem a duas lovely girls: Denise Bottmann e Joana Canedo, que me levaram para beber a pint of Guinness, algo que uma garota com alma irlandesa precisa de vez em quando para manter a sanidade!

Sláinte, dearests creatures!

Com vocês, The High Kings e uma adorável música irlandesa, The Irish Pub.

They’ve got one in Holalulu they’ve got one in Moscow too,
They got four of them in Sydney and a couple in Katmando
So wheather you sing or pull a pint you’ll always have a job,
‘Cause where ever you go around the world you’ll find an Irish pub.

Letra de música completa aqui.

* História da Irlanda (Wikipedia em inglês – em português não tem quase nada)

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Orgulho e preconceito à venda

Orgulho e preconceito da L&PM já está à venda no site da editora e hoje no Twitter estão sorteando um exemplar. Clique na imagem abaixo e re-tuite! Acredito ainda dá tempo de participar!

Se não for sorteado, não desanime, pois breve terá mais aqui no Jane Austen em Português.

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