Mais livros, menos filmes

Laura MacDonalds do GirleBooks escreveu uma crítica abordando alguns aspectos interessantes de Pride and Prejudice. Dentre eles, os flertes de Elizabeth, que até então eu nunca havia visto ninguém comentar e que particularmente adoro. E o ponto mais interessante, na minha opinião, sobre as adaptações. Apesar de algumas delas serem bastante fiéis aos livros, nunca representam totalmente toda a multiplicidade do enredo e personagens tão bem construidos por Jane Austen. Laura comenta:

My overall impression after this time around is that I need to stop watching movie adaptations so much and read the actual books more.

Minha impressão geral desta vez é que eu preciso parar de assistir tantos filmes (adaptações) e efetivamente ler mais os livros.

Também confessei meus pecadilhos por lá, mencionando minha versão de Mr. Darcy, quase um filhote de Frankstein! Há muito mais do que comento e para quem lê em inglês o texto integral está aqui.

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Chawton House Library

Chawton era o local de um antigo povoado da Era da Pedra e consta do registro de 1086 do Domesday Book* como uma casa senhorial com terras cultivadas e florestas, propriedade de Oda, um barão do Hampshire. Por essa época, Guilherme, o Conquistador, obrigou Oda a entregar suas terras para um aliado normando, Hugh de Port. Pelo os três séculos seguintes a propriedade foi mantida por essa família.  Em 1551 a propriedade foi vendida para John Knight, cuja família já arrendava o local desde o século 13. O neto de John Knight substituiu a antiga mansão medieval por uma no estilo Elizabetano em uma obra que durou trinta anos. Desde então a propriedade permaneceu na familia Knight, embora em muitas ocasiões tenha sido herdada pela descendência feminina o que exigiu que herdeiros mudassem o nome para Knight. Como foi o caso do Thomas Brodnax May que passou a chamar-se Thomas Knight e que por sua vez também não teve filhos e adotou Edward,  irmão de Jane Austen que passou a chamar-se Austen-Knight.

“a little wilderness” ou pequeno bosque em Chawton

Em 1809, já de posse de suas herdades, Edward ofereceu uma pequena casa no vilarejo de Chawton para a mãe e as irmãs, Jane e Cassandra. Jane Austen morou nessa casa até quase sua morte, quando foi para Winchester para tratamento. Após a morte da escritora, Cassandara e a mãe continuaram na casa. Sobre essa casa, que hoje é o Museu Jane Austen, farei outro post mais adiante.

Janela de Chawron House antes de reparo

A mansão de Chawton passou a ser a moradia do filho de Edward Austen-Knight – de mesmo nome do pai, Edward – em 1826. Este sobrinho de Jane fez muitas melhorias na casa. Depois de sua morte, o filho Montagu também gastou quantias consideráveis de tempo e dinheiro na restauração e modernização da casa. Montagu não teve filhos e deixou para um sobrinho, Lionel que por sua vez deixou para o filho Edward Knight III. As taxas de sucessão e o aumento dos custos de manutenção muito caros após a guerra deu início a um longo período de declínio com a venda de construções periféricas da propriedade e a subdivisão da mansão em apartamentos.

Chawton House com neve, foto lindíssima de Ray Moseley, março de 2008

Em 1987, quando Richard Knight herdou Chawton, partes da casa estavam abandonadas, o teto com goteiras e os jardins tomados pelo mato. O estrago estancou quando em 1993 a mansão foi arrendada por 125 anos por uma instituição: a biblioteca fundada por Sandy Lerner e seu (ex)marido, Leonard Bosack, fundadores da Sisco Systems. Após dez anos de grandes obras de restauro e reparos a mansão foi reaberta em julho de 2003 como Chawton House Library. A biblioteca tem uma coleção de livros, na sua maioria de autoras inglesas de 1600 a 1830, reunidos e doados por Sandy Lerner. Nessa biblioteca encontra-se o manuscrito da juvenília de Jane Austen, History of Sir Charles Grandison.

Richard Knight continua como herdeiro da propriedade e participa ativamente da administração do projeto. As partes externas ainda estão em reparos e a casa aceita ajuda de voluntários para serviços, além de contribuições já que não conta com subsídios governamentais.

Richard Knight e Sandy Lerner

Os links abaixo são todos em inglês mas há lindas fotos com legendas que facilmente identificamos o assunto e a beleza do local.

E para a gente “morrer de vontade” esta sala de leitura da biblioteca

* Domesday Book ou somente Domesday é um livro-registro dos donos de terras e propriedades da Inglaterra, feito em 1085/1086.

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