Estava pensando o que escreveria no Chá com Jane Austen sobre o último livro que lemos no grupo: Mansfield Park. Decidi escrever sobre um personagem, que parece secundário, mas é um dos motivos pelos quais a vida em Mansfield teve tantos reveses e não seguiu um curso normal de uma família inglesa daquela época: Tom Bertram. Há uma série de possibilidades se Tom tivesse sido um pouco menos extravagante, mas neste post não me alongarei muito sobre o assunto e, assim como Tom, encurtarei a conversa só mencionando quando me enamorei dele.
A primeira vez que li Mansfield apaixonei-me pelos Crawfords; e da família Bertram a única criatura que gostei foi Tom. Ele me conquistou definitivamente quando conseguiu se safar de um aborrecidíssimo jogo de cartas com tia Norris, tirando Fanny para dançar.
“I should be most happy,” replied he aloud, and jumping up with alacrity, “it would give me the greatest pleasure; but that I am this moment going to dance.” Come, Fanny, taking her hand, “do not be dawdling any longer, or the dance will be over.”
[…]
“A pretty modest request upon my word,” he indignantly exclaimed as they walked away. “To want to nail me to a card-table for the next two hours with herself and Dr. Grant, who are always quarrelling, and that poking old woman, who knows no more of whist than of algebra. I wish my good aunt would be a little less busy! And to ask me in such a way too! without ceremony, before them all, so as to leave me no possibility of refusing. That is what I dislike most particularly. It raises my spleen more than anything, to have the pretence of being asked, of being given a choice, and at the same time addressed in such a way as to oblige one to do the very thing, whatever it be! If I had not luckily thought of standing up with you I could not have got out of it. It is a great deal too bad. But when my aunt has got a fancy in her head, nothing can stop her.”
— Teria muito prazer, respondeu ele alto e pulando da cadeira todo animado, gostaria muitíssimo; mas é que neste momento vou dançar. Venha /fanny, disse puxando-a pela mão, não perca mais tempo senão a dança acaba.
[…]— Um pedido bastante modesto, palavra de honra! exclamou ele indignado, quando se afastavam. Pretender que eu fique preso numa mesa de jogo durante duas horas com ela e o Dr. Grant, que estão sempre brigando, e com aquela velha sorumbática, que entende tanto de cartas quanto de álgebra. Era melhor que minha boa tia não fosse tão solícita! E ainda por cima, me convidar de tal maneira! Sem a menor cerimônia, à vista de todos, para que eu não tivesse jeito de recusar. É o que mais detesto. Não há nada que me contrarie mais do que me convidarem por fingimento, e ao mesmo tempo ser abordado de tal maneira que não possa deixar de aceitar, seja lá para o que for! Se eu não tivesse tido a feliz idéia de ficar a seu aldo, não poderia podido escapar desta. É muita perversidade. Mas quando minha tia mete uma idéia na cabeça não há quem possa com ela. | cap. 12, trad. Rachel de Queiroz |


Imagens: capturas de telas, minhas e ilustração de meu exemplar de MP.
Terminei de me apaixonar por Mr. Bertram quando foi interpretado pelo ótimo ator James Purefoy em 1999. Mesmo não gostando muito da versão de 2007 também me agradou a atuação de James D’Arcy. Ainda não assisti completamente a versão de 1983 mas fiz a captura de tela de Christopher Villiers para termos os três Tom!
Não poderia me furtar de mostrar Tom na pena de C. E. Brock. Pelo visto C. E. Brock também gostou bastante dessa passagem e nos mostra o herdeiro de Mansfield Park no exato momento em que arrasta Fanny para dançar! A imagem completa fica para outra ocasião.
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