Mr. Darcy, um desastre?

Charlotte Higgins, a jornalista do The Guardian que escreveu o artigo sobre as cinzas deixadas nos jardins de Chawton, nos dois últimos parágrafos de seu artigo comentou sobre o culto a Jane Austen, achando inacreditável que em um mundo pós-feminista ainda houvesse quem adorasse Jane como provedora de românticos finais felizes e não como a acre satirista social como ela mereceria ser vista e pergunta-se:

(Does anyone actually believe her, by the way, when she foretells a happy marriage for Darcey and Elizabeth? I fear a woman as interesting as Elizabeth would be sorely disappointed with this standard-issue British Repressed Public-school Man – hopeless emotionally, and probably hopeless in bed.)

(A propósito, será que alguém realmente acredita quando ela anuncia um casamento feliz para Darcy [Darcey?] e Elizabeth? Eu temo que uma mulher tão interessante como Elizabeth ficaria grandemente desapontada com este homem britânico padrão, oriundo de escolas particulares e reprimido – emocionalmente um desastre, e provavelmente o mesmo na cama.)

Ah! Charlotte dear (by Mags, AustenBlog)… ainda bem que o mundo é pós-feminista! Não tem coisa mais chata que “istas” de plantão querendo nos impor suas verdades, não é mesmo? E que mal lhe pergunte, o que há de errado em ser feliz – no casamento ou qualquer relacionamento? Na minha modesta opinião basta não insistir em casar com o sr. Firth ou o sr. MacFadyen que já são casados. Bem, eu não conheço intimamente nenhum britânico padrão mas fiquei deveras preocupada com o ensino particular na Inglaterra que torna os ingleses emocionalmente um caco e imprestáveis na cama…

PS1: Mulheres interessantes não são infalíveis – se desapontam como qualquer outra – só não ficam chorando as mágoas ou cozinhando seus ressentimentos.

PS2: A maioria das fãs de Jane Austen (não me refiro a fãs unicamente de filmes baseados na obra de Jane),  que tenho conhecido não me parecem nada românticas e apreciam muito a crítica ácida da autora.

PS3: Para quem sabe inglês o post da Mags no AustenBlog sobre esse assunto está ótimo:This kind of thing is why people think Janeites are weird. [Por esse tipo de coisa é que as pessoas pensam que as Janeites são esquisitas]

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Jane Austen e Tom Lefroy – parte 7

O solar de Carrigglas, ou Carrig Glas, foi comprado em 1837 por Tom Lefroy, nessa época com mais de sessenta anos e já nomeado Juiz do supremo Tribunal de Justiça da Irlanda. A casa, em estilo gótico, foi projetada pelo arquiteto Daniel Robertson, conhecido por seus Jardins Italianos em Powerscourt.  Os pátios e a célebre avenida Paladiana* foram obra de James Gandon, criador da Customs House e Four Courts em Dublin, capital de Irlanda.

A propriedade, infelizmente, não pertence mais a família Lefroy e sim a um grupo que está construindo casas, campo de golfe e um hotel nos arredores da mansão em Longford, condado da Irlanda. Ou estava. Um artigo de maio/2008 no The Post Online, diz que o grupo enfrentava liquidação por não pagamento de dívidas. No site do Grupo tem belas fotos da propriedade e das futuras construções, estas últimas breguíssimas, na minha opinião, é claro!

Há também nos Arquivos Web, o que restou do site da família Lefroy, onde apanhei as fotos que coloquei aqui.

Solar

Biblioteca

Estufa

Four Courts, Dublin

* Paladianismo: movimento arquitetônico que floresceu na Inglaterra circa 1720-1770 e que deve seu nome ao arquiteto veneziano Andrea Palladio, em quem foi buscada sua inspiração. Verbete do Dicionário de termos artísticos, Luiz Fernando Marcondes, Edições Pinakotheke.

Links da série completa de posts sobre Jane Austen e Tom Lefroy:
Jane Austen e Tom Lefroy – parte 1 | parte 2 | parte 3 | parte 4 | parte 5 | parte 6 | parte 7 | Amor, inocência e pouco substantivo

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