Jane Austen e Tom Lefroy – parte 1

Quando comecei a ler sobre Thomas Langlois Lefroy, ou apenas Tom Lefroy como é mais conhecido, percebi que há muito mais do que eu imaginava e ainda preciso ler as cartas de Jane Austen, indispensáveis para escrever sobre esse tema. Decidi então dividir o assunto em partes e ir publicando aos poucos e com informações mais precisas. Começo com os fatos: uma mini-biografia de Tom.

Tom Lefroy - Thomas Langlois Lefroy, aquarela por George Engleheart, 1798. - Imagem: The Independent.

Tom Lefroy – Thomas Langlois Lefroy, aquarela por George Engleheart, 1798. – Imagem: The Independent.

THOMAS LANGLOIS LEFROY | 1776-1869

A familia Lefroy é originária da França e seu nome seria derivado de L’Offroy. Em 1587, Antoine Lefroy fugindo da perseguição religiosa aos huguenotes pelo católicos franceses estabeleceu-se em Canterbury, Kent, na Inglaterra. No início do século 18, um de seus descendentes, Anthony Lefroy, avô de Tom, casou-se com Elizabeth Langlois e tiveram três filhos que chegaram a idade adulta: Phoebe, George (mais tarde reitor em Ashe) e Anthony-Peter, pai de Tom.

Deirdre Le Faye, uma das biógrafas de Jane Austen, conta que o pai de Tom, Anthony-Peter Lefroy, recebeu de presente de um tio Langlois um cargo no exército da Irlanda e casou-se com Anne Gardiner em 1765. O outro biógrafo, professor Park Honan, conta uma história um pouquinho diferente. Ele diz que o pai de Tom teria casado com a senhorita Gardiner quando tinha 23 anos em 1763 – secretamente – por medo do tio Benjamin Langlois que financiava sua vida e possivelmente não teria aprovado a união e que somente em 1774, já com filhos, teria oficializado a união casando na catedral de Limerick.

Tom Lefroy era o sexto entre doze filhos e o primeiro o filho homen do casal. Recebeu educação esmerada, estudou no Trinity College em Dublin de 1790 a 1793, e posteriormente no Lincoln’s Inn em Londres com a ajuda do mesmo Benjamin Langlois, seu tio-avô.

No inverno de 1795-1796 Tom Lefroy e Jane Austen, ambos com 20 anos, se conheceram quando ele em férias visitou seu tio, o reverendo George Lefroy e a esposa Anne, na reitoria de Ashe próximo a Steventon. O casal era amigo da família Austen e Anne Lefroy apesar da diferença de idade era grande amiga de Jane.

Em 1797 Tom Lefroy ficou noivo de Mary Paul do condado de Wexford, Irlanda. Casaram-se em 1799 e tiveram oito filhos: Anthony, Jane Christmas, Anne, Thomas, Jeffry, George Thomson, Mary Elizabeth e Benjamin que morreu na infância.

Três anos mais tarde, Tom tornou-se membro do Parlamento na Câmara dos Comuns, pela Universidade de Dublin e em 1835 membro do Conselho Privado da Irlanda. Em 1841 foi nomeado Juiz e um ano depois, Juiz do Supremo Tribunal de Justiça da Irlanda, cargo que ocupou até os 90 anos, em 1866. Thomas Lefroy faleceu em 1869.

Tom Lefroy - Thomas Langlois Lefroy, por W.H.Mote, 1855.

Tom Lefroy – Thomas Langlois Lefroy, por W.H.Mote, 1855. Imagem do livro Memoir of Chief Justice Lefroy, via Wikipedia.

PS: Todas as fontes serão citadas no último post sobre o assunto.

Links da série completa de posts sobre Jane Austen e Tom Lefroy:
Jane Austen e Tom Lefroy – parte 1 | parte 2 | parte 3 | parte 4 | parte 5 | parte 6 | parte 7 | Amor, inocência e pouco substantivo

23 comentários sobre “Jane Austen e Tom Lefroy – parte 1

  1. Beatriz disse:

    Obrigada por ter postado, Raquel! Eu andava bastante curiosa em saber a história de Tom.
    Esperando ansiosa pela continuação!

  2. Nique disse:

    realmente muito interessante, nao conhecia nada da historia de Tom Lefroy, ele viveu bastante… toh curiosa pra ler os proximos posts =]

  3. keu disse:

    nossa!!! eu assistir o filme “amor e inocência” e fiquei apaixonada pelo romance de Jane Austen e Tom Lefroy,tanto que vou ler os livros dela e estou tentando saber se a história deles dois foi realmente verdadeira.
    bjos amei seu blog.

  4. gabi disse:

    assisti dois filmes dela… o “orgulho e preconceito” e ” amor inocência” no filme 1 filme dela… é bem parecido com o 2 porem .. ha uma diferença .. o amor de um acontece enquanto do outro livro, jane acaba ficando sozinha….
    achei tmo lindo as duas historia..
    mais vou comprar os livro.. que falta.. quero ler razão e sentimento..
    se puder passar pra mim .. o primeiro capitulo..
    bjokas obrigado

  5. Raquel disse:

    Gabi,
    seja bem-vinda ao Jane Austen em português.
    Você tem razão esse filme parece uma paródia de Orgulho e preconceito com final infeliz.
    Se você souber inglês, você pode baixar o livro no Project Gutenberg gratuitamente.
    Em português não tenho nenhuma tradução em domínio público que possa passar um capítulo inteiro, mas Razão e sentimento está nas livrarias atualmente e você encontra com facilidade.

  6. Caio disse:

    Engraçado como este site tem todo um “cenário”. Descobri o mesmo há poucos dias e, mesmo não tendo a chance de ler todo seu conteúdo, ainda, já dei uma rápida visualizada a respeito de cada tópico. O que me deixa a dizer que é realmente fascinante! Em cada palavra que aqui leio, me deixo levar pelos fatos escritos, de fato, presenciando toda a época, por mais que seja apenas para comigo mesmo. Haha! Sou meio a suspeito a falar qualquer coisa a respeito de Tom Lefroy, cujo me identifico e me admira, mesmo que o “conhecendo” pós-Becoming-Jane.
    Pude ler a mini-biografia por agora. Breve estarei lendo toda sua sequência, e claro, também as cartas, na maior ansiedade.
    Raquel, minha nobre… meus mais sinceros parabéns e desejos para que continue esse excelente trabalho! É realmente aplaudível ver que ainda há pessoas dispostas a trazer o que muitos nem sequer se atreveriam a fazê-lo. Poderá sempre contar com minha presença aqui para verificar novas atualizações.

  7. Raquel disse:

    Caio,
    muito obrigada e seja bem-vindo ao Jane Austen em português!

    Temos, no Brasil, poucas traduções da obra de Jane e ontem fiz um post com um pedido para traduções honestas e baratas – junte-se a nós e subscreva nosso apelo aqui:
    Post aberto à L&PM Editora

  8. Nicole Lefroy disse:

    eu realmente me apaixonei por Tom Lefroy, nao consigo parar de pensar nos momentos que pude verno filme de jane austen e tom..

  9. Teresa disse:

    Raquel,

    primeiramente deixe-me parabeniza-la pelo seu blog. Você escreve muito bem e com uma clareza sobre um tema que tem dispertado muito meu interesse ultimamente: JANE AUSTEN!!!
    Não conhecia seus romances até ler Razão e Sensibilidade, mas depois dessa leitura, não quis mais parar. Pena que foram apenas seis! Encontro-me em uma fase digamos de compulsão pela leitura sobre a vida da autora. Por isso, não deixe de continuar a publicar as partes de “Jane Austen e Tom Lefroy”. Comprei alguns dos livros sobre ela no Amazon, mas ainda não chegaram. Quando tiver algo de interessante postarei como comentário.

    Parabéns novamente!

  10. larissa disse:

    Sou apaixonada pelos romances de Jane Austen e esse blog esta à altura da grande escritora que ela foi. Na minha opinião não há adaptação mais perfeita para o cimena que “Orgulho e Preconceito”, com direção impecável de uma simplicidade e encantos como nunca vi: as tomadas em um único take, a atmosfera criada, retratando o cotidiano, quase um poema, incrível esse diretor. Sem falar da atuação de Keira e Matthew como Lizzy e Darcy, perfeitos. Uma pena que justamente no papel de Jane tenham escolhido Anne Hattaway, achei um desastre, extremamente superficial. Anyway, parabéns pelo blog, amo e leio sempre!

  11. Aline disse:

    Olá novamente!

    Antes que vc estranhe, já que hoje já deixei dois coments em outro assunto há pouco tempo. Eu gosto muito de ler coisas interessantes e que me fazam pensar e enquanto procurava isso aqui encontrei essa matéria, não deu para não comentar.

    Tom Lefroy foi um personagem que me encantou, antes do filme eu já havia pesquisado sobre ele, mas seu blog deu muito mais informações do que o Wikipédia, fato.
    Agora percebo porque não gostei do Tom no filme, eu o achei muito diferente de um rapaz que conheceria Jane Austen e ganharia a simpatia dela, não que não existissem rapazes como o Tom do filme ou piores, somente que, para chegar ao ponto de Jane Austen se “apaixonar” por ele, ele teria mais encantos e mais tato para ser considerado com um Darcy.

    Ele era muito galanteador. u.u

    Mas eu gosto desse Tom e o do filme, que no fim, é muito engraçado e interessante.

    Obrigada pelas novas informações Raquel!
    Bjs e parabéns pelo blogue!

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