Jane Austen e Tom Lefroy – parte 6

Esta sexta parte é um apanhado de fatos esparsos sobre Tom e Jane. Alguns serão citados resumidamente pois dependem de leituras em fontes mais precisas do que a internet.

A primeira delas, uma tentativa da senhora Lefroy, tia de Tom e grande amiga de Jane, de arranjar um namoro e possível casamento para Jane com o reverendo Samuel Blackall, por ter desaprovado a conduta do sobrinho em relação a Jane durante sua visita a Steventon. Não encontrei referências exatas de carta ou passagem de livros sobre esse assunto.

A segunda, sobre uma carta de Caroline Austen para James Edward Austen-Leigh, sobrinho de Jane que escreveu A Memoir of Jane Austen, sobre a compra da carta de rejeição do manuscrito First Impressions, (mais tarde Pride and Prejudice), por um Tom Lefroy que tudo indica ser o sobrinho de Tom. Sobre este assunto preciso ler a edição da Oxford World’s Classics de A Memoir of Jane Austen and Other Family Recollections.

Encontrei um artigo, Who was the real Thomas Lefroy, na página “Irish Identity” do site HoganStand, escrito por um descendente de Tom Lefroy, o Tenente-Coronel Patrick Lefroy para o Longford Historical Society Journal em 1983. O artigo conta basicamente o que já sabemos sobre Jane e Tom e detalha um pouco mais sobre a vida do último. O que me chamou atenção foi a parte sobre o casamento de Tom Lefroy com Mary Paul. O irmão de Mary, Thomas Paul, era colega de universidade e amigo de Tom Lefroy em Dublin. O que leva a crer que Mary e Tom já se conheciam e provavelmente ter algum compromisso prévio, isto é, um comprometimento anterior a data em que Tom Lefroy conheceu Jane Austen. E o mais interessante desse texto é saber que Mary Paul na época de seu casamento não era uma herdeira dos bens e propriedades da família e sim seu irmão Thomas. Ela tornou-se herdeira depois de casada com Tom Lefroy quando o irmão morreu de forma inesperada, jovem e sem herdeiros, o que refutaria a idéia que Tom teria se casado com ela ser uma rica herdeira.

Outro artigo muito bom é de Joan Klingel Ray, The One-Sided Romance of Jane Austen and Tom Lefroy, publicado pela Jane Austen Society of North America – Jasna, onde questiona se realmente Tom Lefroy flertou com Jane Austen ou foi mais uma impressão da parte dela. Ela menciona também as cartas escritas pelos tutor de Tom, Rev. Dr. Burrowes e também cartas do tio, Benjamin Langlois, que foram publicadas no livro Memoir of Chief Justice Lefroy, todas dando conta de um rapaz educado, de boa índole, aplicado nos estudos e piedoso. Este artigo, se eu conseguir permissão, traduzirei futuramente na íntegra.

Links da série completa de posts sobre Jane Austen e Tom Lefroy:
Jane Austen e Tom Lefroy – parte 1 | parte 2 | parte 3 | parte 4 | parte 5 | parte 6 | parte 7 | Amor, inocência e pouco substantivo

4 comentários sobre “Jane Austen e Tom Lefroy – parte 6

  1. Gizelli disse:

    Quantas vezes na vida já passei pelo traumatizante “one-sided romance”? Acho que deveria ser comum naquela época, uma vez que os namoros eram tão contidos, expresso por meio de olhares e pequenas gentilezas. É até capaz que Tom Lefroy nunca tenha flertado com Jane. O que torna isso um pouco difícil é o fato da Jane ser tão minuciosa na análise das pequenas atitudes do cotidiano. Ela poderia se enganar assim?

  2. Raquel disse:

    Gizelli
    todas nós nos enganamos, pelo menos uma vez. Principalmente quando ficamos encantadas com alguém.
    E você percebe que já velhinho, ele admitiu “a boyish love” por ela. Tenho minhas dúvidas e no último post sobre o “rapazinho”, colocarei este ponto.
    E às vezes, não estamos enganadas, mas a outra parte acovarda-se e diz que nós estávamos imaginando coisas… Afinal, somos cheias de imaginação!

  3. Aline disse:

    Eu já sabia da parte do casamento de Tom, de ter sido sem o propósito de enriquecer, só não sabia que Mary e Tom se conheciam antes. Isso foi inesperado.

    Mas os sentimentos são tão contraditórios, gostaria mesmo de saber se Tom nunca flertou com Jane ou se era mais contido e menos esperançoso do que ela, mesmo que Jane soubesse do fim daquilo.

    Mesmo assim, ninguém pode dizer nada, nem mesmo os relatos dos que conviveram com eles e de ambos, porque acho que algo assim, naquele tempo, era muito bem guardado no fundo da alma.

    Bjs e parabéns pelo blog!

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