Jane Austen para uma audiência moderna: The Austen Project

Algo que  me chamou muito a atenção neste projeto da Harper Collins, e não me agradou, é o fato de terem usado, pelo menos até o momento, o título original sem um subtítulo de destaque deixando claro que a obra é uma versão e não o orignal. Algo do tipo, Sense and Sensibility: modern version, ou coisa que o valha.

Leiam o post e me digam o que vocês acham. Estou curiosa para saber a opinião de vocês.

Esta semana quando li sobre a adaptação de Sense and Sensibility por Joanna Trollope não dei importância pois podia jurar que havia escrito sobre o assunto aqui no blog e se não fosse a  leitora Carla Camargo ter me avisado a noticia teria passado em branco. Obrigada, querida!

Sense and Sensibility, adapatado por Joanna TrollopeA versão de Sense and Sensibility (Razaõ e sentimento ou Razão e sensibilidade) de Joanna Trollope, que faz parte do chamado “The Austen Project” da editora Harper Collins, será lançado neste mês de outubro.

A sinopse, da qual transcrevo parte abaixo, é curta mas tudo indica que será fiel a história original:

Elinor Dashwood, estudante de arquitetura, valoriza paciência e confiança. Sua impulsiva irmã, Marianne, que é parecida com a mãe, Belle, é impetuosa e criativa e enche a casa com seus dramas e tocando guitarra enquanto sonha em ir para a escola de arte.

Mas quando o pai delas, Henry Dashwood, morre repentinamente, toda a família se vê forçada a abandonar Norland Park, sua amada casa por vinte anos. Sem conforto e status, elas descobrem que seus valores serão severamente postos a prova.

Poderá Elinor permanecer estoica e contida sabendo que o homem que ama já foi ardilosamente comprometido por outra garota? Será a crença de Marianne, um único amor por toda vida, abalada pelo garoto mais interessante e animado do condado, John Willoughby? Em um mundo onde as redes sociais e suas opiniões são as forças que controlam o jogos de relações, poderá o amor triunfar acima das convenções e reprovações?

Os próximos títulos para os quais já foram escolhido autores para adaptação, segundo o site da BBC, são:

  • Northanger Abbey (A abadia de Northanger) que será lançado ano que vem com versão da escocesa Val McDermid,  autora de história de crimes e suspenses, a maioria delas protagonizadas por seu famoso personagem, Dr. Tony Hill.
  • Pride anda Prejudice (Orgulho e preconceito) está previsto para 2015 e será escrito pela romancista americana Curtis Sittenfeld.
  • Emma está a cargo do escritor inglês, Alexander McCall Smith, autor de vários livros, dentre eles a conhecida série “The No.1 Ladies’ Detective Agency Series”.

Sobre Mansfield Park e Persuasion ainda não tenho maiores informações e assim que tiver publico aqui.

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Huswife ou estojo de costura no tempo de Jane Austen

Na leitura comparada que fiz das traduções portuguesa e brasileira de Sense and Sensibility* me deparei com muitos nomes específicos sem um equivalente na língua portuguesa. Um deles foi huswifes, no capítulo 38.

As irmãs Steel depois da descoberto o compromisso, ou namoro se vocês assim preferirem, entre Lucy Steel e Edward Ferrars foram praticamente expulsas da casa de John Dashwood. Tola e quase infantil, apesar de mais velha do que a irmã Lucy, Nancy Steel no final só se preocupava com o fato de ter que devolver os presentes que ganharam de Fanny Dashwood.

And for my part, I was all in a fright for fear your sister should ask us for the huswifes she had gave us a day or two before; but however, nothing was said about them, and I took care to keep mine out of the sight.

Quanto a mim, receava que a sua cunhada nos pedisse os livros de agulhas que nos dera uns dias antes; mas no entanto nada nos disse a respeito disso, procurei manter o meu escondido. |PT|

De minha parte, estava muito receosa de que sua cunhada nos pedisse de volta os estojos de agulhas que ela nos dera um ou dois dias antes; mas, na verdade, nada se disse sobre isto, e eu tive o cuidado de manter o meu bem escondido. |BR|

A leitura comparada foi entre as traduções e só recorria ao original quando não conseguia entender alguma coisa. Foi o que aconteceu neste caso com os termos “livros de agulhas” e “estojos de agulhas”. Qualquer um deles caberia perfeitamente como presente para moças. Mas afinal eram livros ou estojos? Recorri então ao original** onde estava a palavra “huswifes”, que por sua vez eu não conhecia também.

Não encontrei a palavra nos meus dicionários e passei para a internet, e uma das definições que encontrei para a palavra é “um pequeno estojo para carregar material de costura”.

Mas um estojo pode ser de tecido, de madeira ou de couro. Na busca por imagens encontrei o site de Jennifer Forest, autora dos livros Behind Jane Austen’s Door e Jane Austen Sewing Box. Lá estava a foto do estojo abaixo do modelo que hoje usamos para carregar agulhas, linhas, tesoura de modo compacto, principalmente para viagens, feito de tecido.

Nesse momento foi quando me lembrei de minha antiga cestinha de costura! Feita de palha e madeira.

Esta cesta deve ser dos anos 1930/1940 pois foi usada por uma tia quando aluna interna em um colégio de freiras e que por sua vez havia ganhado de outra moça. Está bastante combalida, sem o fecho de metal, o forro interno e também sem a almofada em cetim rosa que ficava na parte interna da tampa e onde pregávamos os agulhas e alfinetes.

ATUALIZAÇÃO

Preparando um post similar para o Jane Austen Today encontrei uma lindíssima huswife, do fim do século 18 início do 19, em couro carmesin no museu Fine Arts of Boston.

* Razão e sentimento, tradução brasileira de Ivo Barroso e Sensibilidade e Bom Senso, tradução portuguesa de Maria Luísa Ferreira da Costa.
**  Edição da Barnes and Noble.
  • Texto publicado originalmente em 27 de abril de 2012 no meu blog Lendo Jane Austen.

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