O castelo de Nachtstürm

Em 31 de outubro, no Hemisfério Norte, é celebrado o fim do outono e O início do inverno com seus dias mais curtos e mais sombrios e atualmente, nesta data, comemora-se também a festa de Halloween, ou dia das Bruxas, que tem suas origens nas festas celtas do Samhain. Deste tema para os livros góticos é um pulinho só. Para comemorar a data publico uma pequena resenha que fiz sobre o livro Nachtstürm Castle de Emily C. A. Snyder.

nachtsturmcastle

Nachtstürm Castle, Emily C. A. Snyder

EDIÇÃO: GirleBooks, 2009
RESENHA: Raquel Sallaberry Brião
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Eu nunca havia lido uma sequência ou mesmo um livro inspirado nas obras de Jane Austen e quando Laura do Girlebooks me convidou para fazer uma resenha, fiquei apreensiva. Não que eu seja uma purista, mas tenho lido textos nada animadores sobre esse tipo de literatura.

Entretanto a curiosidade foi maior do que o medo e assim fiz uma viagem com os Tilneys.
A história começa um ano depois do casamento de Catherine e Henry Tilney, o simpático casal d’A abadia de Northanger. O reverendo resolve presentear sua esposa com uma lua de mel apropriada e nada melhor do que uma viagem pelos lugares dos romances que ela tanto amava como, por exemplo, Os Mistério de Udolpho de Ann Radcliffe. As aventuras começam em Paris onde visitam a fabulosa catedral de Notre Dame e encontram uma cigana, e seu filho espertinho, que misteriosamente chama Catherine de “Fortuna”. Mais tarde, na Ópera, eles conhecem um alegre casal inglês que havia herdado há pouco um castelo nos Alpes, “coisica de nada” segundo eles, e oferecem para a lua-de-mel dos nossos heróis. A partir daí os acontecimentos passam a ser no melhor estilo gótico: viagem conturbada, clima de chuva e trovoadas, criados estranhos, amores impossíveis, loucura e morte em um castelo cheio de corredores, com passagens secretas, salas sem saídas e ladeado por um abismo. O castelo muito apropriadamente chamava-se Nachtstürm. Nossa querida heroína passou incólume por quase todas as dificuldades pois tinhas lá suas certezas e desconfianças da participação do marido em tais eventos. Nosso herói esforçou-se para manter o bom humor, mesmo em situações desesperadoras, como não poderia deixar de ser.

O bom humor de Henry Tilney e uma linguagem mais arcaica – até onde consigo entender como falante de língua estrangeira – foi mantido pela autora e foi o que mais me cativou no livro. Li com prazer e posso dizer que foi muito divertido!

Este livro está à venda no GirleBook Store. Vocês podem comprar, este ou qualquer outro da loja, com um desconto de 20% usando o código abaixo (que é case-sensitive). Este desconto é válido a partir de hoje, 31 de outubro, até 31 de dezembro de 2009.

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Isabella Thorpe, uma vilã?

Tenho que escrever um texto sobre minha leitura d’Abadia de Northanger para o Chá e me fiz a seguinte pergunta: Isabella Thorpe é uma vilã? A partir desta interrogação estive pensando nas vilãs de Jane Austen, se é que podemos chamá-las assim. Falo aqui somente das personagens jovens.

Em Orgulho e Preconceito temos a senhorita Bingley, que mais me parece uma enciumada do que uma vilã propriamente dita. E claro, temos Lydia, mas esta é só uma estabanada.

Jane Austen deu ótimos diálogos para Mary Crawford em Masnfield Park e a não ser por pequenas manobras para ajudar o irmão, não me parece que tenha feito nada de tão grave. Maria Bertram é apenas menos maluqueta do que Lydia Bennet!

Emma é um caso a parte, ela própria parece uma pequena vilã com suas pequenas vaidades e o que ao longo do livro vamos percebendo que não é verdade. A “cara sposa”, senhora Elton, é engraçada demais para ser vilã!

Não consigo achar uma criatura realmente má em Persuasão. Nem mesmo a senhora Clay que no final da trama parece estar de conluio com o senhor Elliot. São todos tão comuns, egoístas e tolos… Tão parecidos conosco no dia-a-dia!

Deixei Razão e sentimento para o final pois considero Lucy Steel a vilã mais acabada de Jane. Dissimulada e desprezível até a última página, quando já não era mais necessário pois já havia conseguido bem mais do que contava dos Ferrars.

Voltando para a Abadia. Em Isabella vemos uma menina que procurava um casamento – o mais vantajoso possível. Não esqueçam, Jane Austen não é romântica – todas suas heroínas procuravam um casamento, senão com um homem rico pelo menos com um futuro economicamente estável. Pois bem, Isabella já havia achado em James Morland, colega de seu irmão John, um casamento razoável dado o seu pequeno dote. Quando conheceu Catherine, ficou sinceramente encantada com a coincidência e mesmo sendo quatro anos mais velha me parece tão infantil como a futura cunhada. Suas exclamações como “querida criatura” e outras tantas era uma forma de impressionar a nova amiga. Mas aí aconteceu a paixão. E quando o consentimento do pai de James chegou ela já estava enamorada do capitão Tilney. Em seu íntimo ela sabia que não daria certo, tanto que manteve o compromisso com James. E no final acontece o que era previsível. Lamentei sinceramente pela perda da amizade das duas, que me parecia promissora. A última carta é patética e vale um tratado.  Ainda escreverei mais sobre Isabella Thorpe.

Namoradeira e tola, não resta dúvida. Vilã, não creio.  Com a palavra, vocês, leitoras de Jane Austen.

amigas

Capturei esta cena de Northanger Abbey 2007, quando Isabella (Carey Mulligan) e Catehrine (Felicity Jones) partem em “fuga-perseguição” de “dois odiosos rapazes”! (trad. Lêdo Ivo)

No Jane Austen Today, tem fotos lindas dessa atriz tão promissora, Carey Mulligan. Como comentei no post, Miss Mulligan fez-me amar Bella Thorpe. Ela também fez Kitty em Orgulho e preconceito, 2005.

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