Para este post de 14 de março vou usar como desculpa o tal dia nacional da poesia. Muitos tradutores de Jane Austen no Brasil são também poetas e resolvi então adquirir pelo menos um livro de cada um deles. Mas a tarefa é mais difícil do que imaginei. Tenho em mão apenas três livros até o momento: Azul escuro de Alezandre Barbosa de Souza, Retro-Retratos de Celina Portocarrero e A caça virtual de Ivo Barrroso, dos quais escolhi um poema de cada que transcrevi logo abaixo da foto dos livros. E para não ser injusta com outros coloco as referências que encontrei nos links abaixo.
PS: Estou guardando para outro post um poema de Lêdo Ivo.

“mesmice”
Celina Portocarrero
– estou oca –
melhor louca
que assim pouca
Retro-Retratos, editora 7 Letras
“Acontece”
Ivo Barroso
Não quero. O caso é que não quero.
Não quero tudo aquilo que queria.
O que já quis. Tudo o que nunca
poderia alcançar. Pois acontece
que não quero. Hoje não quero nada.
Não quero Ariadne e o labirinto.
Não quero a paz nem o absinto.
Nem a pucela de Orleãs.
Nada pior que não querer.
Do que jã não querer. Não e nada.
Fatalmente e basta.
A caça virtual e outros poemas, editora Record
“Tristeza”
Alexandre Barbosa de Souza
Embalado na doçura,Que não dura seu indício,Sacrifício, desventura,Criatura só, de início.Silêncio do que não vi,a vida no seu avesso.Por sorte, que não vivi,a morte, que não esqueço.
Editora hedra a preguiça editorial
Azul Escuro, editora Hedra
Views: 1441