Carta do Capitão Wentworth por Clara Ferreira

A linda carta de amor do Capitão Wentworth para Anne Elliot, em Persuasão de Jane Austen, na tradução de Clara Ferreira do blog Jane Austen Portugal.

Não consigo mais permanecer em silêncio. Tenho de falar contigo pelos meios de que agora disponho. Trespassaste a minha alma. Sou metade agonia, metade esperança. Não me digas que é demasiado tarde e que sentimentos tão preciosos desapareceram para sempre. Ofereço-me novamente à tua pessoa com um coração ainda mais teu do que quando quase o partiste há oito anos e meio. Não digas que um homem esquece mais depressa do que uma mulher, que o seu amor morre mais cedo. Eu somente te amei a ti. Posso ter sido injusto, fraco e ressentido, fui, mas nunca inconstante. Somente a tua pessoa me trouxe a Bath. Por ti apenas, eu penso e ajo. Não viste isso? Falhaste a entender os meus desejos? Não teria esperado nem estes dez dias se pudesse ler os teus sentimentos, como penso que penetraste nos meus. Mal consigo escrever. A cada instante oiço algo que me oprime. Baixas a voz mas eu sei distinguir os tons dessa voz mesmo quando ela se perde para os outros. Demasiado bondosa, excelente criatura! Tu fazes-nos justiça, de facto. Acreditas no verdadeiro afecto e constância entre os homens. Acredita nisto, mais fervoroso e constante, F.W.

Parto, incerto sobre a minha sorte, mas voltarei aqui ou para a tua festa. Uma palavra, um olhar será suficiente para que eu entre em casa do teu pai esta noite ou jamais o faça.

 

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Carta do Capitão Wentworth por Raquel Sallaberry Brião

Resolvi republicar a tradução que fiz, em 2009, da carta do Capitão Wentworth para que ficasse próxima da tradução de Clara Ferreira (acima) e desse modo vocês possam apreciar as diferenças da tradução.

Não posso mais ouvir em silên­cio. Pre­ciso falar com você pelos os meios de que dis­po­nho neste momento. Você fen­deu minha alma. Sou metade ago­nia, metade espe­rança. Não me diga que é tarde demais, que sen­ti­men­tos tão pre­ci­o­sos foram-se para sem­pre. Ofereço-me para você de novo com um cora­ção muito mais seu do que quando você quase o des­pe­da­çou há oito anos e meio atrás.  Não se atreva a dizer que o homem esquece mais rápido do que a mulher, que seu amor morre mais cedo. Eu tenho amado somente você, mais nin­guém. Injusto posso ter sido, fraco e res­sen­tido tam­bém, mas nunca incons­tante. Você, ape­nas você trouxe-me para Bath. Faço pla­nos pen­sando somente em você. Você não ainda per­ce­beu? Terá você falhado em enten­der meus dese­jos? Eu não teria espe­rado nem estes dez dias se tivesse podido ler seus sen­ti­men­tos como eu penso que você pene­trou nos meus. Quase não posso escre­ver. A todo ins­tante ouço alguma coisa que me ator­doa. Você abaixa sua voz, mas eu posso dis­tin­guir seus tons mesmo quando per­di­dos em meio aos outros. Bonís­sima e exce­lente cri­a­tura! Você nos faz jus­tiça, deve­ras. Você crê que há afeto ver­da­deiro e cons­tân­cia entre os homens. Creia “nisto” mais fer­vo­roso e cons­tante em

F. W.

Devo par­tir – incerto de minha sorte –, mas vol­ta­rei aqui ou irei para sua festa, assim que pos­sí­vel. Uma pala­vra, um olhar, será o sufi­ci­ente para que eu decida entrar na casa de seu pai esta noite, ou nunca.

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