Sexo e nudez em Sanditon. Será?

Sexo e nudez em Sanditon. Será? Estas são as minhas primeiras impressões sobre a série, a começar pelo o que disse Andrew Davies, nosso conhecido das adaptações de Orgulho e preconceito 1995, Emma 1996 e Razão e sensibilidade 2008, sobre algumas cenas.

Sanditon¹ é um romance que Jane Austen deixou inacabado quando faleceu em 1817 e a série é inspirada nos 12 capítulos escritos por Austen mas o desenrolar da história e o desfecho é foi escrito por Andrew Davies.

Vamos então as declarações Davies para a imprensa: “Eu escrevo algo que gostaria de assistir e suponho que essa coisa de ‘sexualizar’ vem naturalmente.” Ele certamente se refere a cena em que a heroína, Charlotte Heywood, ao atravessar um parque vê um casal:

“Estavam sentados tão juntos um do outro e pareciam tão intimamente envolvidos numa conversação amorosa, que Charlotte de imediato sentiu que não tinha outra coisa a fazer senão recuar e calar-se.” ²

Se tal cena tiver a delicadeza da cena inicial de Razão e sensibilidade 2008 – a sedução de Eliza por Willoughby – eu certamente vou apreciar muito.

Os homens tomavam banho de mar nus naquela época e Davies naturalmente colocou na série e, talvez para gerar mais discussão e consequentemente mais propaganda, declarou:

“Há mais nudez masculina nos dias de hoje do que feminina. A nudez feminina pode ser uma área polêmica, por isso não nos sentimos confortáveis [incluindo]. Mas talvez o pêndulo possa voltar atrás.”

Ainda sobre os banhos lembrei do filme Amor e inocência (Becoming Jane) quando os personagens Tom Lefroy (Jame McAvoy) Henry Austen (Joe Peterson) depois de um jogo correm para o rio e jogam-se totalmente nus na água. Detalhe, Jane e Eliza correram para espiar! Outro ponto em comum com este filme são as lutas livres com os jovens rapazes.

O vídeo, sem legendas, mas com melhor resolução foi indicação de minha amiga Rita Watts (All Things Jane Austen.

Sobre Miss Lambe, que Jane descreve como mulata, sempre me perguntei se na concepção da autora ela seria uma versão, ou homenagem a Dido Elizabeth Belle. No vídeo aparece sendo maltratada. Qual será sua trajetória na série de oito capítulos… Alguém arrisca um palpite?

No livro, o provável par romântico de Charlotte Heywood, é descrito:

“Sidney Parker tinha uns 27 ou 28 anos, era bem-apessoado, tinha um ar decididamente livre e elegante, e um modo de ser muito vivaz.”²

Eu sempre imaginei Sidney Parker como um misto de Henry Tilney d’A abadia de Northanger e Tom Musgrave de Os Watsons³, divertidos e espirituosos e mais uma pitada dos cosmopolitas Tom Bertram e Henry Crawford, este último para apimentar um pouco a história, ambos de Mansfield Park.

Digo tudo isto pois o personagem feito por Theo James me pareceu um pouquinho ensimesmado, mas foram poucos segundos e só poderei avaliar depois de ver a série.

Volto ao início: sexo e nudez, tem certeza?  Será algo tão explícito (duvido) ou discreto e elegante? Ou incipiente para nós latinos americanos? Lembrem-se da camisa molhada de Mr. Darcy em 1995, que para mim mais pareceu uma camisa levemente borrifada de água… Oremos!


NOTAS

¹ Sanditon faz parte do livro Novelas inacabadas: Os Watsons e Sanditon, tradução de Ivo Barroso, com apresentação minha (Raquel Sallaberry) publicado pela editora Nova Fronteira,

² Todas as citações do livro são da tradução de Ivo Barroso.

³ Vide nota ¹

FONTES

The Telegraph: “Andrew Davies sexes up Sanditon in ‘risqué’ new Jane Austen adaptation” (Andrew Davies sexualiza Sanditon em nova e “picante” adaptação de Jane Austen)

Foto: Red Planet Pictures para ITV / Masterpiece

Vídeo: Daily Mail UK

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Jane Austen, garota exemplar?

Jane Austen, garota exemplar? Mais uma brincadeira com menções a Jane Austen e seus livros que adoro encontrar em filmes. Desta vez foi no filme Garota exemplar, sendo o titulo em inglês, Gone Girl.

A história é sobre uma moça, Amy, que em sua infância era um amor de criança, como a maioria das crianças são quando pequenas. Seus pais, depois várias tentativas para ter filhos, ficaram encantados quando tiveram a menina e até escreveram um livro, “Amazing Amy”, que narrava a história de uma garota gentil, bonita, inteligente, enfim uma garota perfeita: a incrível Amy!

Mas o filme transcorre durante a vida adulta de Amy, casada também com o marido perfeito. E mais não conto!

A cena que capturei tela é do casal numa biblioteca. O marido advinha qual autor ela vai escolherá. E eu também adivinhei quando ele disse somente Jane. Sabe aquela certeza quando alguém está falando de literatura e parece que existe apenas uma Jane no mundo literário inglês?! Pois é, essa sou eu.

Rosamund Pike interpretou Jane Bennet, em Orgulho e preconceito 2005, personagem que nós podemos chamar de garota exemplar: linda, educada, gentil e pronta para fazer tudo pela família, inclusive se casar sem amor se necessário fosse.

Já neste filme a personagem admira Elizabeth Bennet e não parece exemplo da moça bem comportada, vejam e me digam se tenho razão.

O título do filme me levou a seguinte pergunta: seria nossa Jane Austen uma garota exemplar?

De qualquer modo, repitam com o bonitão Ben Afleck, “Deus abençoe Jane Austen”!

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