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MISCELÂNEA,  Orgulho e preconceito

A Páscoa, Mr. Collins e uma carta

Não pretendia escrever sobre a Páscoa, pois estou revisando minha leitura comparada de Orgulho e preconceito. Mas ao reler a carta de Mr. Collins avisando que fará uma visita aos Bennets, além de rir um bocado, lembrei que foi nesse exato momento que me apaixonei por ele!

A carta é só uma prévia dos salamaleques que apreciaremos ao longo de suas aparições no livro e o trecho que destaco, nas traduções brasileira e portuguesa, é sobre retomada da amizade com o senhor Bennet, com quem o falecido pai de Mr. Collins vivia às turras:

My mind however is now made up on the subject, for having received ordination at Easter, I have been so fortunate as to be distinguished by the patronage of the Right Honourable Lady Catherine de Bourgh, widow of Sir Lewis de Bourgh, whose bounty and beneficence has preferred me to the valuable rectory of this parish, where it shall be my earnest endeavour to demean myself with grateful respect towards her Ladyship, and be ever ready to perform those rites and ceremonies which are instituted by the Church of England.

Contudo, a minha decisão sobre esse assunto está agora tomada, pois, após a minha ordenação na Páscoa, tive a felicidade de ser distinguido pelo patronato da altamente ilustre Lady Catherine de Bourgh, viúva de Sir Lewis de Bourgh, cujo bondade e beneficência me atribuíram a valiosa reitoria desta paróquia, onde será meu profundo esforço subjugar-me com reconhecido respeito por Sua Senhoria, e desempenhar com rigor todos os ritos e cerimónias instituídos pela a Igreja de Inglaterra.
trad. Nuno Castro

Cheguei agora comigo mesmo a uma decisão sobre o assunto, pois, tendo recebido ordens durante a Páscoa, tive a felicidade de ser distinguido com a proteção de lady Catherine de Bourgh, viúva de Sir Louis de Bourgh, cuja largueza e generosidade me escolheram para preencher a importante reitoria daquela paróquia, onde me esforçarei por me conduzir sempre com o maior respeito para com Sua Excelência lady Catherine, e onde estarei sempre preparado para cumprir os ritos e as cerimônias da Igreja Anglicana.
trad. Lúcio Cardoso

Para além de sabermos que Mr. Collins foi ordenado clérigo da Igreja Anglicana na Páscoa, podemos ver as diferenças na tradução, que assinalei em negrito. A de Lúcio Cardoso foi minha primeira leitura de Jane Austen e como já disse me apaixonei por Mr. Collins e agora dei-me conta que ele é mais engraçado ainda na tradução de Nuno de Castro.

Pergunto para vocês, qual das traduções da carta (acima) vocês consideram mais engraçada?

Mr. Bennet lendo Mr. Collins

Mr. Bennet lendo e se divertindo com a carta de Mr. Collins
Orgulho e preconceito, 1995

13 Comentários

  • Rafaela

    Hahaha olha, difícil escolher hein, mas vou ficar com a de Nuno Castro também.

  • Naga

    A de Nuno Castro é a minha preferida…o Mr. Collins fica bem mais engraçado e, digamos, pomposo. rs
    Prefiro os termos: Sua senhoria, Sir Lewis e Igreja da Inglaterra.
    No entanto, as duas leituras são enriquecedoras.

  • Meiri

    Nuno Castro com certeza!
    Raquel, esses tempos andei lendo O & P da BestBolso e percebi que, apesar de também ser a tradução de Lúcio Cardoso, há diferenças entre esta edição e a da Abril. Me parece que o responsável pela revisão da BestBolso acrescentou trechos que estavam faltando em alguns pontos na tradução de Lúcio, além de fazer algumas alterações. Só pra exemplificar, transcrevo o mesmo trecho do Sr. Collins da edição da BestBolso:
    “Entretanto, agora cheguei a uma decisão sobre o assunto, pois, tendo sido ordenado durante a Páscoa, tive a felicidade de ser honrado com a proteção de Lady Catherine de Bourgh, viúva de Sir Lewis de Bourgh, cuja generosidade e benevolência permitiram que me designasse para a importante reitoria daquela paróquia, onde com fervoroso respeito me curvarei a Sua Senhoria, e estarei sempre preparado para cumprir os ritos e cerimônias da Igreja Anglicana”.
    Eu particularmente gostei das modificações, que tornaram a tradução ainda mais próxima do original, mas não sei se uma revisão tão apurada é justa para com a tradução do Lúcio, pois acaba descaracterizando-a, não sei se me fiz entender.

    • Raquel Sallaberry

      Meiri,

      com esta leitura comparada tenho percebido que Lúcio Cardoso deixou alguma parte sem traduzir sem que isso mudasse o sentido do assunto. Mas como estou muito no começo (primeiros 15 capítulos) não posso afirmar que assim será por todo o livro.

      Quanto a essa mudança na edição da BestBolso eu não sabia, até porque em momento algum me passou pela cabeça comparar a mesma tradução. O que percebi entre edições antigas da tradução de Lucio, alem da atualização ortográfica, forma modificações nos destaques em itálicos e abreviaturas nos pronomes de tratamento.

      Muito interessante uma modificação de tal monta. Você gostaria de escrever a respeito?

      • Meiri

        Agradeço o convite, mas não me sinto capacitada para tal.
        Foi observando as leituras comparadas que você tem feito que me apercebi das diferenças, e como essa edição da BestBolso é a minha mais querida, praticamente de estimação, quis compartilhar essa descoberta.

      • Raquel Sallaberry

        Meiri,

        muito obrigada por compartilhar e não se preocupe que verei o assunto mais adiante.

  • Liachristo

    Fico com a de Nuno Castro também. O sentido da escrita ficou bem mais ao jeito de Mr. Collins, que a meu ver é uma figuraça… kkkk
    Lia Christo

  • Adriana Moraes

    A tradução de Nuno Castro é minha preferida… muito Mr. Collis! (rsrs)Adorei!