Leitores convidados no Jane Austen em Português

A leitora convidada do mês de agosto é Gisele Cano, autora do blog Na Minha Estante e também de um dos posts mais acessados do Jane Austen em Português, sobre o ator Matthew Macfadyen que conheceu em sua visita a Inglaterra.

Gisele se concentrou no relacionamento das irmãs Dashwood, suas diferenças e sobretudo a grande amizade fraternal, como vocês poderão ler no post abaixo.

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As irmãs Dashwood

As irmãs Dashwood
por Gisele Cano
Na Minha Estante

Passado o entusiasmo inicial ao receber o convite da Raquel para escrever um post em homenagem ao bicentenário de Sense and Sensibility (Razão e sentimento ou Razão e sensibilidade), me peguei pensando: “Meu Deus, sobre o que eu vou falar?” Afinal as obras de Jane Austen são tão ricas e Razão e sensibilidade uma de suas obras mais queridas. Porém, após devida revisão de ambos livro e filme, ficou muito claro que eu deveria falar sobre o que mais gosto nessa obra: a relação entre as irmãs Dashwood.

Acredito que o que mais se fala nas sinopses da obra é que é um livro sobre duas irmãs muito diferentes, sobre a sociedade inglesa do século 19 e como foi uma época difícil para as mulheres sem prestígio ou fortuna conseguirem se casar.

Para mim, acima de tudo, R&S é um livro sobre o amor, o amor de duas irmãs muito diferentes sim, mas que ao final dessa jornada compreendem uma a outra e tiram disso um grande aprendizado: que compreendendo a irmã aprendem mais sobre si mesmas.

Sabemos que Jane narra em suas histórias muito do que presenciou da sociedade de sua época, mas as personagens são tão bem construídas que é quase como se suas “personagens” tivessem realmente existido. É recorrente em suas obras o foco por vezes voltado a relações entre irmãos que, em sua maioria, ela descreve como cheias de amor e preocupação. Exemplos disso são Lizzie e Jane e sua cumplicidade em Orgulho e preconceito, as próprias Ellinor e Marianne em R&S e, claro, como na vida nem tudo são flores, em Persuasão temos Anne e suas duas irmãs muito diferentes entre si, mas igualmente vaidosas e egoístas.

É possível entender como Jane descreve tão bem essas relações uma vez que também teve uma querida irmã que foi Cassandra, acima de tudo uma companheira e confidente leal que esteve ao seu lado em todos os momentos até sua morte. Eu também tenho uma irmã e por isso eu me identifico muitíssimo em especial com a relação de Ellinor e Marianne, tão diferentes mas tão iguais em seu sentimento uma pela outra.

Sempre me emociono quando leio o livro ou vejo o filme porque é uma história muito verdadeira, e hoje já tendo lido e relido, visto e revisto tenho para mim que o centro da história é o amor de uma pela outra, é a relação entre as duas mais que suas relações amorosas. A forma contida de ser de Elinnor, e os sentimentos louca e explicitamente exteriorizados de Marianne são o verdadeiro retrato de como irmãos podem ser tão diferentes.

Sendo assim o que mais gosto do livro são os momentos em que ambas se confrontam quanto ao comportamento da outra e especialmente quando Marianne (no filme interpretada pela talentosíssima Kate Winslet)  pressiona Ellinor a falar de seus sentimentos, muitas vezes é tão difícil para um irmão entender o outro, mas o bonito da relação é que é movida pelo amor, só quer o bem e assim aprendemos tanto, Marianne aprende com Ellinor e Ellinor com Marianne, porque é possível ser você mesmo mas agregar um pouco das coisas boas que um irmão tão diferente te traz. Ter um irmão é um presente, eu aprendi e aprendo demais com a minha todos os dias, da mesma forma que Ellinor aprende a importância de dizer o que sente e Marianne reconhece que a vida não é um conto de fadas, mas que pode sim encontrar o verdadeiro amor mesmo que ele não venha montado em um cavalo branco.

Por isso finalizo com uma imagem (acima) da minha cena preferida do filme, quando Margareth narra do alto da casa na árvore o pedido de casamento de Edward, para Marianne e a Sra. Dashwood, que se abraçam e dão pulinhos de felicidade. Não vemos o pedido em si, mas nem sentimos falta, por que a emoção transmitida é palpável e a cena simplesmente adorável.

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