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Este texto engraçadíssimo foi escrito por Jane Austen em 1816. Nesse ano ela havia se encontrado com o bibliotecário do príncipe regente. Mr. Clarke, que também era um clérigo, depois da visita trocou breve correspondência com Jane e queria por força que ela escrevesse um romance baseado na vida exemplar de um clérigo e claro, quase um retrato dele próprio.

Jane, mais tarde, diverte-se escrevendo um plano para uma novela perfeita e nos mostra quão ridícula é tal pretensão.

Pedro Sette-Câmara traduziu essa pequena jóia em seu site,

Cenário rural, Heroína filha de clérigo, alguém que após viver muito tempo no mundo retirou-se dele para um vicariato, com uma pequena fortuna. – Ele, o melhor homem que se pode imaginar, perfeito de caráter, temperamento e maneiras – sem a mais mínima mácula ou peculiaridade a impedir que ele seja a companhia mais agradável possível a sua filha o ano inteiro. – Heroína também personagem sem mácula, – perfeitamente boa, com muita ternura e sentimento, e, claro, muito espirituosa – prendadíssima, compreende as línguas modernas e (de modo geral) tudo que as moças mais prendadas aprendem, mas com um dote especial para a Música – seu passatempo favorito – e toca igualmente bem o piano e a harpa – e canta maravilhosamente. Sua aparência é muito bonita – olhos escuros e rosto rechonchudo [essa era a descrição da própria Jane Austen].
| Tradução completa no artigo:  “As dicas dos parentes e amigos de Jane Austen” |

O texto original e as imagens das quatro páginas do plano, na caligrafia da própria Jane, vocês podem apreciar nesta página do Jane Austen’s Fiction Manuscripts.

Detalhe do manuscrito de Jane Austen
“Plan of a Novel, according to hints from various quarters.”

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16 comentários

    1. Pedro,

      o prazer foi meu em descobrir sua tradução! Vou inclusive fazer um link na página das traduções brasileiras de Jane Austen.

  1. Muito interessante Raquel, lembro que no
    filme “Miss Jane Austen Regrets” aparece uma cena contando
    esse momento,rs.

  2. Ai, eu ri muito aqui! Jane era incrível. Tadinho do Mr. Clarke… E é, tem uma parte em Miss Austen regrets que ele aparece. E Jane faz piada dele no jantar em família, e o irmão fala algo sobre estar muito feliz por ser parente dela e por isso estar a salvo…

    Beijos e até mais!

    1. Marina,

      imagino o quanto ela se divertia com os tipos que via e depois quando os recriava!

  3. Muito bom! Ri especialmente na descrição dos últimos suspiros do pai da heroína de caráter irrepreensível: “(…) expira, numa bela efusão de entusiasmo literário, entremeada de invectivas contra os controladores dos dízimos”. Demais!

    Lembro vagamente da cena em “Miss Austen Regrets”…

  4. droga, jane! porque você teve que morrer antes de concluir esse outro livro?! Que frustrante! hahahahahaha.

    1. Eduardo,

      Sanditon, pelo pouco que sobrou creio que seria ótimo! Aguarde que já está em trabalho de parto, por assim dizer, pela Nova Fronteira e tradução de Ivo Barroso.

  5. É mesmo muito divertido, pois como conhecemos a ironia de Jane parece que o que ela sentia em relação a essas personagens, é exatamente o oposto do que estava descrevendo. Só rindo mesmo!

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