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FILMES & SÉRIES,  MISCELÂNEA,  Orgulho e preconceito

Orgulho e preconceito 2005, comentários de uma leitora

Quando fiz o levantamento dos posts para o bicentenário de Orgulho e preconceito me deparei com muitos comentários maravilhosos. Como é impossível republicar todos escolhi um post que é um resumo dos dados principais do filme Orgulho e preconceito.

O post “Orgulho e preconceito – 2005” tem mais de 60 comentários e é uma mostra de quão admirada é esta versão. Por esse motivo recomendo a leitura dos comentários principalmente para os leitores mais recentes do blog.

Orgulho e preconceito, 2005E para vocês ficarem tentados reproduzo um dos comentários, o da leitora Regina Cerqueira, que me faz dar gargalhadas até hoje!

Muito obrigada pela permissão de publicar, Regina!

Olá a todos,
Também gostaria de deixar aqui minhas “Primeiras Impressões” sobre este filme. Não só as primeiras, como também as segundas, terceiras – as várias impressões que tive desde a primeira vez que o assisti.
Gente, transformaram os Bennets na Família Buscapé! Na históra original eles não são ricos, tampouco miseráveis como faz parecer esta versão. Os Bennets vivem com certo conforto e um pouco de elegância.
No filme consegui contar pelo menos 3 criados, o que não justifica a aparência medonha de Longbourn; lembrou-me “O Cortiço” de José de Alencar Aluísio Azevedo, só faltaram as lavadeiras. Que bagunça, que desleixo!
E “sujinho” para o Sr. Bennet é elogio. Ensebado seria mais apropriado – aliás, para todos os Bennets. Que tristeza de figurino! Parece aqueles antigos faroestes americanos, sujos e empoeirados (acho até que vi o John Wayne bebendo cerveja quente naquele baile em Meryton!)
Acho que a produção pecou escolhendo Keira Knightley para o papel de Elizabeth Bennet. A atriz, creio eu, errou na mão por não estar preparada para uma personagem desse porte. Vi uma Lizzy deselegante, grosseira, sem postura, de andar torto: o oposto do que as mulheres eram na época com seus gestos harmoniosos e delicados, voz agradável. Até a Doris Day conseguiu ser mais graciosa com sua Calamity Jane (Ardida Como Pimenta, 1953). A Keira está bem casca-grossa, expressões forçadas e arrogantemente desafiadoras, risinhos desnecessários, uma interpretação meio americanizada. Ainda não sei bem o porquê Darcy se apaixona por essa Calamity Lizzy com bico-de-papagaio…
Quanto ao Darcy meio tímido (como alguém já disse aqui), bem…, ao meu ver, desde a 1ª vez que li o livro – 11 anos atrás – sempre o achei mais tímido que orgulhoso, mais por intuição do que por evidência. Não que ele não seja orgulho de seu nome, nascimento, posição e tudo o que isto acarreta… mas, para mim, o seu ar superior é mais uma proteção contra o seu jeito fechado do que orgulho, propriamente dito.
Acredito que o Darcy de Matthew MacFadyen é mais condizente com minha visão da personagem do que o Darcy de Colin Firth (1995), até mesmo pela postura física. O CF (excelente ator… e lindo, é claro!) é meio desajeitado, estabanado; vejam como ele anda na galeria de Pemberley com o candelabro na mão (o que que é aquilo?! Parece que está marchando). Já o MM tem elegância, gestos contidos (e mãos maravilhosas…), sem contar que ele usa botas e não aquelas meias brancas e sapatilhas do CF (aff!) – sei que usavam isto na época, mas por favor, deixem-me sonhar que não. Já o Darcy de 1980… homem ou robô? (e também usa as tais meias, he he he).
Essa versão de 2005 tem muitos pontos negativos. Os tons escuros dos cenários e figurinos deixaram o filme um pouco sombrio, melancólico. Muitas cenas feitas no computador acho que tiram a naturalidade e verossimilhança: nunca vi (existe?) lago tão azul quanto aquele de Pemberley!
Quando Jane adoece, não fica claro (para quem desconhece a história) se Lizzy passa alguns dias ou horas em Netherfield, vejam que ela usa o mesmo vestido em todas as cenas, só muda o cabelo.
Darcy foi colocado como mero coadjuvante (imperdoável!). Pouco se vê aquele duelo intelectual, aquela disputa de idéias entre Darcy e Lizzy, uma das molas motrizes do romance; pouquíssimo diálogo entre eles para 126 min de filme. Há cenas desnecessárias ou longas que poderiam ser revertidas para o casal (a Sra. e as Srtas. Bennet vendo a chegada da milícia, a passagem do tempo com a Lizzy sentada no balanço).
Algumas coisas incompreensíveis: 1) aquela criada cantarolante e 2) “Que mãos frias” no final. Alguém me explica?
Algumas coisas absurdas: 1)Lizzy vem correndo da chuva, pega uma toalha ensopada do varal e enxuga os cabelos com ela? 2)Sentada no balanço conversando com Charlotte, Lizzy está descalça, levanta-se surpresa e pisa aquela lama toda como se nada fosse? 3)Ela e os tios visitam Pemberley, ela se distrai e os tios somem de repente, sem avisá-la? Mistééério…
Ainda assim é um filme belíssimo, poético e primoroso. Gostei muito da cena da mão do Darcy, do baile em Netherfield, de quando ele se declara – acho que o espaço aberto e a chuva incutiram à cena, certa intensidade, certa grandiosidade de sentimentos. Adorei quando Lizzy está chorando pela fuga de Lydia e ele a olha como quem quer abraçá-la e confortá-la. Adorei até aquele “Eu te amo, eu te amo, eu te amo” tão piegas mas tão lindinho! Não me canso de assistir.

Abraços a todos.

 

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44 Comentários

  • Leticia

    Sane tem coisa ai que concordo e não concordo, mais uma coisa que ela fala certo é sobre os bennet parecerem sujo, tbm não gostei disso nem um pouco, achei totalmente ridículo isso.
    Já em relação a Keira eu prefiro ela como lizzie, por que quando eu li o livro eu vi uma Lizzie que nem a dela, brincalhona e divertida e não a da Jennifer (nada contra a atriz) ela faz uma Lizzie muito parada para meu gosto. E eu gosto da paisagens do filme de 2005, são belissimas, concordo que exageraram em certps aspectos, mas para mim continua maravilhosa, eu achei muito londa a cena da Lizzie e cima do monte….. O Darcy eu amo o Darcy do MM e do Colin, para mim eles mostraram cada um um lado do Darcy…
    Em relação a Lizzie ser o foco, eu lembro que o diretoe falou que fez isso por que no livro temos apenas a visão da Lizzie e os pensamentos dela e ele quis fazer igual no livro, só trazer a visão dela…
    E não sem preocupe que nem eu entendi o “mãos frias” do final, tipo ele faz a maior declaracao e ela só diz “suas mãos estão frias”…. não precisava beijo nem nada, mas pelo menos falsse algo que iria fazer sentido…
    Mas acho que o oque me faz amar esse filme não e nada em relação os atores ou paisagens nem nada, e sim a trilha sonora, sou capaz de ficae horas escutando aquelas musicas sem me cansar são lindas!

    • Raquel Sallaberry Brião

      Leticia,

      eu não lembrava das tais mãos frias. Gosto da trilha sonora mas isso não é algo que faça me apaixonar por um filme.

  • Luciana

    Muito bom os comentários da Regina Cerqueira, impossível não ri. 🙂 Sou suspeita para comentar pois amo de paixão o file “O&P” de 2005, principalmente o Mr. Darcy (MM) e por isso concordo com ela ao afirmar que o Mr. Darcy foi um mero coadjuvante no filme, deveria ter várias cenas dele. 😉

  • Elaine Dashwood

    Muitas das objeções que tenho pelo filme estão aí. Só não faço a leitura de que Mr. Darcy seja tímido, e não orgulhoso. Para mim, esse tipo de interpretação só enfraquece todo o percurso que o personagem faz para se melhorar e reconquistar Lizzy. Aquele pavoroso pedido de casamento não dá margem a nenhuma dúvida quanto a isso.

    P.S.: “O Cortiço” é de Aluísio Azevedo, e não José de Alencar.

    • Raquel Sallaberry Brião

      Elaine,

      quando vi OP 2005 ainda não conhecia a versão 1995. Achei algumas coisas esquisitas mas gostei. Mas depois da versão 1995 fui aos poucos desgoantando, por assim dizer, da de 2005. Em que pese que ainda encontro pontos muito bonitos.

  • Ana

    Realmente essa versão peca em alguns aspectos,entretanto filmes são produzidos para agradar ao publico,e nesse sentido esse filme é ótimo para quem não conhece Orgulho e Preconceito e tem a curiosidade de ler .Minha irmã ama essa versão , a de Bride and Prejudice, e claro Lost in Austen e não gosta da versão de 1995.Mas definitivamente essa versão de 2005 é superficial,realmente não consigo gostar.

    • dalila

      Amo a versao de 1995, achei bem realista e mais condizente com o livro….. gostei do que fizeram em bride e prejudice e em Lost in Austen, ja baixei a versao de 1980 mas ainda nao pude ver….. é tambem um certo medo de ver e nao gostar nemhum pouco…rsrsr, quero ver Austenland….que esta saindo esse ano…. achei muitos pecadinhos na versao de 2005 e nao gosto nada da Keira …. Mas o MM…. é sim o melhor dos Darcy’s…..

  • Fernanda Huguenin

    Tentei assistir essa versão de 2005 na tv, mas nem
    consegui chegar até a metade, pois o tom do filme ficou
    muito caricato e superficial, a Keira como Lizzy, me deixou
    exasperada! rs

    • Raquel Sallaberry Brião

      Fernanda,

      exasperada é a palavra para descrever o que sinto também pela atuação de Keira.

      • dalila

        e a mim tambem….. e principalmente se for assistir dublado….poder acrescentar um sufixo…exasperadissima.

  • Nathalia Lima

    De fato,quando se tem contato com o próprio livro e com a série de 1980/1995, o conteúdo retratado neste filme de 2005 torna-se bastante superficial, uma vez que detalhes importantes são deixados de lado. Mas acredito que o diretor conseguiu demonstrar um trabalho maravilhoso e para aqueles(as) que ainda não conhecem o livro, a história não deixa de ser apaixonante. Concordo com a Regina Cerqueira quanto ao figurino e ao espaço dos Bennets, achei tudo muito mal iluminado para as características daquela época. Também vi nos comentários anteriores que a expressão usada por Lizzie “Que mãos frias” não haveria nenhum sentido. Bem, faço uma interpretação diferente rsrs, pois acredito que o uso desse termo denota na demonstração de todo o nervosismo do Mr.Darcy (já que quando estamos nervosos costumamos ficar com as mão geladas) ao revelar, mais uma vez, que ainda ama a sua Lizzie. Logo, é como se a Elizabth percebesse e compreendesse o que o seu amado estava sentindo naquele momento. Além disso, a música que toca ao fundo da cena se chama “You hands are cold” de Dario Marianelli.

  • Nathalia Lima

    De fato,quando se tem contato com o próprio livro e com a série de 1980/1995, o conteúdo retratado neste filme de 2005 torna-se bastante superficial, uma vez que detalhes importantes são deixados de lado. Mas acredito que o diretor conseguiu demonstrar um trabalho maravilhoso e para aqueles(as) que ainda não conhecem o livro, a história não deixa de ser apaixonante. Concordo com a Regina Cerqueira quanto ao figurino e ao espaço dos Bennets, achei tudo muito mal iluminado para as características daquela época. Também vi nos comentários anteriores que a expressão usada por Lizzie “Que mãos frias” não haveria nenhum sentido. Bem, faço uma interpretação diferente rsrs, pois acredito que o uso desse termo denota na demonstração de todo o nervosismo do Mr.Darcy (já que quando estamos nervosos costumamos ficar com as mão geladas) ao revelar, mais uma vez, que ainda ama a sua Lizzie. Logo, é como se a Elizabeth percebesse e compreendesse o que o seu amado estava sentindo naquele momento. Além disso, a música que toca ao fundo da cena se chama “You hands are cold” de Dario Marianelli.

  • Sandra Cabral

    Raquel
    A primeira obra de Jane Austen que assisti foi Emma eu nunca tinha lido nada dela mesmo assim me cativou a leitura da obra toda veio depois que assistir a O&P 2005 eu não costumo muito ficar comparando tudo ao pé da letra eu acho que não da pra assistir com nosso lado racional, os filmes e séries tem suas diferenças e semelhança mas realmente o que encanta e o lado emocional das cenas as entrelinhas, as sutilezas, que não e o todo, amo tudo que vi, tenho minhas preferências mas acho que o Joe Wright mais acertou que errou.
    beijo

    • Raquel Sallaberry Brião

      Sandra,

      não deprecio os detalhes mas considero o filme como um todo na hora de avaliar. Levando em conta que é uma obra derivada, é claro.

  • Júnior

    Adoro posts deste tipo. Eu achava que Regina iria finalizar o comentário com algo do tipo: “Resumindo: o filme é um horror completo! Um grande e verdadeiro erro!”. (risos) Mas ocorre o contrário, pois pelo que percebi, ela gosta do filme, porém tem várias ressalvas de uma espectadora que analisa o que assiste.

    Discordo da maioria das colocações dela. Apesar de ter mudado de opinião recentemente e agora considerar a série de 1995 como a melhor adaptação de “Pride and Prejudice”, continuo achando a versão de 2005 muito boa. É claro que possui seus defeitos, mas para mim há mais pontos positivos que negativos. No início gostava bastante da atuação da Keira Knightley e continuo gostando, mas em menor grau. Jennifer Ehle conseguiu me encantar de um jeito, que a interpretação da linda Keira ficou em segundo plano para mim.

    Acho maravilhoso o estilo visual utilizado no filme de 2005 e discordo da afirmação de que a cena do balanço com a passagem do tempo seja desnecessária. Aquilo é uma obra de arte e sempre redobro a atenção nesta parte para observar melhor os detalhes dos cenários mostrados em cada volta no balanço. Enfim, é um dos filmes mais belos que já tive o prazer de assistir.

    • Raquel Sallaberry Brião

      Júnior,

      também imaginei de pronto, lendo as primeiras linhas, que o final seria terrível para o filme!

  • pat

    Hahaha, excelente comentário. Concordo principalmente com 2 pontos: 1- Acho que eles dramatizaram demais algumas coisas e acabaram se afastando da leveza do livro (aquela Lizzie toda melancólica, rodando no balanço… pra mim não condiz com a Lizzie do livro); 2 – também não me agradou a atuação da Keira, com aquelas risadinhas meio forçadas (apesar de gostar das cenas dela irritada, hehe). Quanto ao Mr. Darcy do MM, ele foi muito bem (além de ser bem bonito), mas também gosto muito do Darcy do Firth, os dois ficaram diferentes mas ambos muito bons. E pra mim Mr. Darcy é tímido sim (ele até fala que não se sente bem entre estranhos – não me lembro exatamente as palavras usadas…), ele claramente não tem a “desenvoltura social” do Bingley por exemplo, mas acho que o comportamento dele é bem influenciado pelo orgulho também.
    Ah, e falando em Bingley, o que fizeram com ele nessa versão? Transformaram-no num completo pateta! Assim como tiraram toda a personalidade do Mr. Bennet. Até Mrs. Bennet e Lydia ficaram mais contidas (eu particularmente amo as duas na versão de 95!).
    A cena da declaração na chuva até teria ficado boa, se não tivesse pintado um clima ali, sendo que a Lizzie só se apaixona bem mais tarde.
    Apesar de ter apontado tantos pontos negativos, vou me contradizer: gosto sim dessa versão (apesar de preferir mil vezes a de 95). Algumas cenas são muito bonitas (amo a dança em que todos somem e só ficam Elizabeth e Darcy, ótima sacada!), a Jane é adorável, lindas paisagens, boa trilha sonora. Uma vez li a opinião de uma pessoa dizendo que esse é um ótimo filme, só não é uma ótima adaptação de O&P, acho que é bem por aí.

  • Enzo Potel

    “Lizzy vem correndo da chuva, pega uma toalha ensopada do varal e enxuga os cabelos com ela” HAHAHAHAHA, MUITO BOM!!!

    “’Que mãos frias’ no final. Alguém me explica?”
    Everybody, vocês nunca ouviram falar naquele ditado inglês: “A cold hand, a warm heart”?

    nhá!

    (obrigado, Raquel, por evidenciar esse comentário maravilhoso com um post!)

  • Ana Paula Luiz Ferreira

    Também acho que Mr. Darcy seja tímido. Eu sou muito tímida e as pessoas sempre comentavam que tinham medo de se aproximar de mim, porque eu parecia muito séria, como se não quisesse falar com ninguém. E recentemente conheci uma amiga que também é muito tímida e eu tenho a mesma sensação que as pessoas tinham/tem comigo. Então eu imagino que Darcy também seja assim. Faz algum sentido? rs

  • Marina

    É… tem coisas que concordamos e não concordamos. Pelo menos no quesito “Darcy de MM” fechei com a autora rs! Tb acho isso, Matthew encontrou o tom exato p/o personagem! Acho que o mal do Joe Right foi querer ser realista demais ou até taxativo demais em sua visão sobre os Bennet. Acho que ele pensou “eles são pobres, precisam casar as filhas p/sair da miséria”. Os Bennet não são de verdade miseráveis, e tb a questão da sujeira, se p/ele sujeira é sinal de pobreza, bem.. ele precisa rever os próprios conceitos. E ela falou em “família Buscapé” certo? Vai ver foi isso! Ele quis acaipirar a família. Só que mais uma vez, se ser caipira é isso não cabeça dele, tb precisa rever seus conceitos (ou seria pré-conceitos?)Qto a colocar Darcy de quadjuvante, isso, apesar de eu ainda amar essa versão com todas os seus “sustos”, culpo a cegueira que Joe tem por essa criatura anorexa chamada Keira Knghitley!!! Como se não houvesse todo um corpo de atores tão formidáveis qto ela no filme! O caso das mãos frias de Darcy no fim, eu interpretei como apenas uma 1ª aproximação real do casal, qdo ela o aceita por definitivo, em vez de falar, ela segura a mão dele,o jeito valendo mais que palavras bonitas, já que não tem beijo (e no livro não tem mesmo). E o frio? Bem… ele veio andando pela madrugada fria até Longbourn, eu no lugar dele teria perdido as mãos, elas ficam frias facilmente! Mas é aquela coisa, apesar dessas arestas, eu adoro como tudo isso ficou no final, realmente foi algo poético.

  • Luciana

    Raquel agradeço por retomar no blog a discussão sobre o filme “O&P” 2005. Estou amando ler os comentários e me transportando para a época em que assistir o filme pela 1ª vez e meses depois a série. 🙂

  • Meiri

    Apesar das diversas ‘licenças poéticas’ eu tenho especial afeição por essa versão, o primeiro livro de Jane que li foi Razão e Sensibilidade e na primeira impressão (irônico rs) detestei o livro, porque inadvertidamente eu fui ler direto o final para saber se Marianne e Willoughby ficariam juntos e quando descobri que ela terminava com o Brandon não quis retornar ao meio do livro, se eu tivesse feito iria descobrir que Willoughby na verdade era um janota, indigno de ser considerado mocinho. Mas um dia minha mãe estava assistindo O & P na TV e ela me chamou pra ver um pedacinho, já estava no final na cena em que Darcy sai da biblioteca do sr. Bennet e Elizabeth fecha a porta com os olhos fixos nele, pronto fui fisgada. Fiquei ansiosa para ter uma oportunidade de assistir o filme inteiro, acabei comprando o livro em uma versão junto com R & S (o que meio que me obrigou a reler o livro) desta vez sem pular trechos comecei a ter respeito pela obra, mas quando li O & P aí me apaixonei de vez pelo estilo da Jane, depois fui para Persuasão e aí não parei mais…
    Enfim, não me esqueço de que foi por causa deste filme que dei uma segunda oportunidade para Jane Austen, graças a Deus.

  • Carolina Lamego

    Discordo em vários pontos em relação às observações que a Regina estabeleceu. Porque eu gosto muito desse versão. Mas, estou aqui para atentar para um erro literário que ela cometeu: o autor de “O Cortiço” é ‎Aluísio Azevedo, autor da fase do Naturalismo, onde é comum esse tipo de narração.
    José de Alencar é autor da fase do Romantismo; tendo como obras famosas, Senhora e Lucíola.

  • Victoria Catarina

    O filme de 2005 foi o primeiro contato que tive com alguma obra de Jane Austen, e admito que a primeira impressão que tive dele não poderia ter sido melhor. Me encantei com a trilha sonora e com o sr. Darcy e, levada por isso, me encantaria até com as paredes descascadas de Longbourn. Mas depois que li (e reli, e reli, e reli, e reli) Orgulho e Preconceito, eu comecei a me incomodar com algumas dessas coisas que a Regina mencionou. A pobreza dos Bennet, a arrogância de Lizzie e um monte de outras coisas. Ainda gostava, mas gostava um pouco menos. Depois de assistir a série de 1995… bem, não que eu tenha passado a odiar o filme, mas eu com certeza passei a preferir a série. A Lizzie de 95 tem uma expressão tão… Lizzie (e aquele movimento bem rápido que ela faz com as sombracelhas, eu adoro!). Quando lembro de como era apaixonadamente apaixonada por esse filme, me sinto um pouco inocente. E quando me lembro de que ainda assisto com um sorriso no rosto, me sinto… sei lá. Sou grata ao filme por ter me apresentado a O&P, e continuo gostando e assistindo. Mas, assistir, assistir, assito muito mais à série.

  • Jacqueline

    Raquel e Regina,

    Parece que essas impressões sobre o filme foram tiradas de mim, de tanto que compartilho dos mesmos pensamentos! Como já tinha comentado a respeito delas aqui (gosto do filme, mas desgosto um pouco a cada vez que o revejo), prefiro me ater a dois pontos que considero cruciais:

    – a interpretação de Joe Wright. Joe é um diretor fabuloso e ele criou um clima super fofo para o filme, não posso negar isso. Porém, nada disso é Jane Austen. A atmosfera melancólica cria um ambiente de romance, o que leva a muitas interpretações erradas a respeito da obra da Jane. Quem leu Orgulho e Preconceito sabe que o livro não é um “romance” no sentido romântico mesmo. É uma comédia de costumes, com observações e diálogos afiados a respeito da sociedade da época. E isso se perdeu completamente no filme ao adocicar a relação Lizzy x Darcy. A Lizzy que ri como uma idiota, arfa como uma heroína da Meg Ryan e chora em silêncio não é a Lizzy do livro: aquela que fala mal do Darcy aos quatro ventos, que faz comentários irônicos sobre os outros e se engaja em verdadeiras batalhas verbais contra Darcy. Mais uma vez, não dá para entender o que o Darcy do McFayden (ele não é meu favorito, mas acho que sua interpretação é muito boa) vê nela.

    Veja bem, não estou dizendo que não gosto da Keira Knightley. Muito pelo contrário, pelo o que conheço da indústria do entretenimento e pelo o que vejo dela por aí, a moça parece ser uma fofa, simpática e amigável. Não conheço uma pessoa da indústria que não goste dela. Mas ou ela era muito jovem para interpretar o papel, ou ela não tem tanto cacife para interpretar um personagem dessa magnitude (a interpretação dela em Anna Karenina mostra isso) ou Wright não a guiou corretamente. E não aceito o argumento de “ela é tão boa que foi indicada ao Oscar aquele ano”. 2005 foi um ano fraco de interpretações femininas. Ela entrou nessa para fechar a cota. Além disso, já vi muita gente ganhar o prêmio por muito menos, logo o Oscar não é parâmetro para ninguém, apenas para a indústria em si.

    Mas divago…e digo novamente que não tenho nada pessoal contra ela.

    A falha mais grave do filme, a meu ver, diz respeito também a visão romantizada da Lizzie como eu disse acima. Wright fez um filme muito bonito plasticamente e acho maravilhoso o fato dele ter levado muitas meninas que nunca tinham ouvido sobre Jane Austen a ler suas obras. Mas acredito que ele também tenha dado uma impressão errada sobre a obra da Jane. Muitas moças que conheci por intermédio do filme acreditam piamente que Austen escriva lindos textos românticos quando na verdade ela era a antítese de tudo isso. Basta ler todos os seus livros com visão crítica para ver que ela era uma das pessoas mais “não-românticas” que já vi. Claro, havia romance em Austen, mas ele era nada perto da crítica aos costumes da época. De outra forma, ela jamais teria influenciado escritores como Henry James, Oscar Wilde e Machado de Assis.

    Em resumo: Wright fez um filme “Bronteniano”, com clima melancólico, plasticamente perfeito e romântico. Nada contra, mas não era Austen. Mas até que ele faria um ótimo “Wuthering Heights”, hein?

    • Raquel Sallaberry Brião

      Jacqueline,

      concordo plenamente:

      “Muitas moças que conheci por intermédio do filme acreditam piamente que Austen escriva lindos textos românticos quando na verdade ela era a antítese de tudo isso. Basta ler todos os seus livros com visão crítica para ver que ela era uma das pessoas mais “não-românticas” que já vi.”

  • Adriana M.

    Adoro essa versão…o Matthew MacFadyen é o meu Mr. Darcy preferido! Infelizmente, emprestei o DVD dessa versão e nunca foi devolvido (já cobrei algumas vezes, mas em vão!)…terei que comprar novamente 🙁

  • Carol

    O filme de 2005 é a minha versão favorita! Mas realmente, aquela cena que ela pega a toalha molhada é muito WTH. Nem vejo sentido no que ela fez.. e acho que na cena final dos dois ela só deveria ter dito “well, then”. Entendi que “your hands are cold” foi só um comentário que ela fez assim que encostou nas mãos dele, mas para muitos parece uma frase só e ficou estranho.
    Só acho que quanto ao cenário, de todas as adaptações da Jane Austen, foi o melhor e mais fiel a época. Temos que considerar que na Inglaterra chove entre 150-200 dias no ano (quanto mais ao norte, mais chuva), e se hoje em dia qualquer lugar sem asfalto fica com lama quando chove, imagina naquela época, quando não existia asfalto algum!
    Enfim, o filme tem seus defeitos, do mesmo jeito que a versão BBC 95 tem (e vários no meu ponto de vista haha), mas ainda assim foi muito bem criado e foi como eu e outras pessoas descobrimos a querida-sarcástica Jane ♥

  • Daniele

    Nossa cheguei tarde rs então concordo com quase tudo da resenha (adorei por sinal) mas não acho o Darcy tímido, não na minha visão, era puro orgulho mesmo. Achei que a Jacqueline foi ótima nos comentários. Eu acho q o maior erro ali foi do diretor em dirigir a Keira e o Mathew que são bons atores mas não foram a Lizzie e o Darcy do livro. E tem a cena, se eu não me engano é a do piano que eles conversam, socorro, parece q o diretor disse: vocês têm 45 segundos para dizer tudo!!! e eles falaram como se nem tivessem tempo de respirar coitados, e as risadas ridículas da Lizzie de 2005 me irritaram demais. A Jennifer foi uma Lizzie tão melhor, e com certeza teve um diretor que conhecia melhor a obra, só pode ser. Quanto ao Darcy sou suspeita pq adoro o Colin Firth e mesmo tendo assistido o filme antes da série ele desbancou o Matthew em 1 segundo. Acho q o filme em questão de interpretações poderia durar uns 15 minutos à mais e deixarem eles atuarem com calma, não na correria….estes são os maiores defeitos que achei, sem contar aos tantos que comentaram aqui na resenha. A única coisa que valeu com este filme foi para deixar a Jane mais conhecida, divulgar seus livros e isto é válido! Mas tinha muito romance ali, mas com certeza o diretor achou que ia fazer mais sucesso, principalmente com o público principal que é o americano que adoram romances.

    • Raquel Sallaberry Brião

      “A única coisa que valeu com este filme foi para deixar a Jane mais conhecida, divulgar seus livros e isto é válido!”

      Daniele Werner, concordo inteiramente com você!

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