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Livros que Jane Austen leu – Parte 1

Livros que Jane Austen leu – Parte 1
por Mell Siciliano

Livros que Jane Austen leu: como boa leitora que era, Jane menciona vários livros em suas cartas¹. Livros que leu – ou que gostaria de ler – ou que alguém da família estava lendo. Ficou curioso? Fiz uma lista das obras citadas:

Carta 1 – Fielding, Henry. The History of Tom Jones, a Foundling, 1749. Este livro, também chamado muitas vezes somente de Tom Jones, conta a história de um rapaz enjeitado criado por uma família burguesa rural. A obra tem um tom cômico, e usa desse humor para fazer algumas críticas sociais. Saiba mais sobre o livro aqui (em inglês). Acesse o livro aqui.

Carta 4 – Burney, Frances. Camilla, or a Picture of Youth, 1796. Camilla foi um livro muito famoso no século XVIII. Ele fala, basicamente, sobre a família de Camilla, a busca dela e de suas irmãs pelo amor verdadeiro e todos os tropeços e mal entendidos pelo caminho. Retrata muito bem alguns costumes do período. Jane também menciona este livro em Northanger Abbey, nos capítulos 5 e 7. Saiba mais sobre o livro aqui (em inglês). Acesse o livo aqui.

Carta 9 – Lathom, Francis. Midnight Bell, a German Story, Founded on Incidents in Real Life, 1798. Este livro gótico conta a história do jovem Alphonsus Cohenburg, que após a morte de seu pai deve se exilar para salvar sua vida. Ainda exilado, ele se apaixona pela bela Lauretta. Mas a felicidade do casal dura pouco. Bandidos sequestram Lauretta, e fantasmas do passado  – literalmente – assombram o jovem Alphonsus. Saiba mais sobre o livro aqui (em inglês).

Carta 10 – Cooke, Cassandra. Battleridge: an historical tale, founded on facts, 1799. Cassandra Cook era prima da Senhora Austen (mãe de Jane). Não achei muitas informações sobre esse livro. Pelo que entendi, a obra era uma ficção histórica, que seguia o que era moda na época. Entretanto, o livro só teve uma resenha, e não muito boa, segundo este livro.

Carta 12 – Brydges, Egerton. Arthur Fitz-Albini: a Novel, 1798. Tudo o que sei sobre esse livro é o que Jane falou em suas cartas. Segundo ela, seu pai comprou o livro contra seus desejos, e ela não se conformava com o fato de comprar o único livro de Brydges que envergonhava a família dele. Mas ela acrescenta que nada disso a impediu de ler o livro, claro. Em suas palavras: “We have got Fitz-Albini;my father has bought it against my private wishes, for it does not quite satisfy my feelings that we should purchase the only one of Egerton’s works of which his family are ashamed. That these scruples, however, do not at all interfere with my reading it, you will easily believe”. Grande parte dessa indignação de Jane vinha do fato de que a obra era um tanto autobiográfica, e Jane conhecia membros da família Brydges, tendo uma particular afeição por Anne Brydges Lefroy, amiga dos Austen e tia de Tom Lefroy.

Carta 20 – Burney, Frances. Evelina, or a Young Lady’s Entrance into the World, 1778. Este foi o primeiro livro de Frances Burney. Conta a história da entrada de Evelina na sociedade e como ela lida com as regras sociais do século XIX. Saiba mais sobre o livro aqui (em inglês). Acesse o livro aqui.

Carta 22 – Swift, Jonathan. The Gulliver’s Travels, 1726. Todo mundo conhece o nome desse livro, nem que seja pelo filme com o Jack Black. O livro, longe de ser uma história infantil, usa as viagens de Gulliver e os diferentes povos que ele encontra como uma maneira de criticar a sociedade européia, especialmente a inglesa. Saiba mais sobre o livro aqui (em inglês). Acesse o livro aqui.

Carta 25 – Genlis, Stéphanie Félicité. Les Veillees du Chateau ou Cours de morale à l’usage des enfants, 1784. Um livro basicamente com fins de educação; está praticamente extinto hoje. Saiba mais sobre ele aqui (em francês).

Carta 26 – Henry, Robert. The History of Great Britain, from the First Invasion of It by the Romans under Julius Cæser. Written on a New Plan, 1771. Livro publicado em seis volumes, cobria o período da primeira invasão romana, ate o reinado de Henry VIII. Saiba mais sobre ele aqui (em inglês).

Carta 39 – Defoe, Daniel. Robinson Crusoe, 1719. Esse aqui também é famoso. O livro é a autobiografia fictícia de Robinson Crusoe, o único sobrevivente de um naufrágio, que passou 28 anos em uma remota ilha. Robinson passa por várias aventuras longe da civilização. Saiba mais sobre o livro aqui (em inglês). Acesse o livro aqui.

Carta 45 – Hunter, Rachel. Letters from Mrs Palmerstone to her daughters, inculcating morality by entertaining narratives, 1803. Não achei muitas informações sobre esse livro, mas pelo título, me parece um livro educativo.

Carta 47 – Gisborne, Thomas. An enquiry into the duties of the female sex, 1797. Como o título sugere, o livro fala sobre as obrigações das mulheres, bem como sobre a natureza feminina e o motivo pelo qual elas seriam naturalmente submissas. Por outro lado, o livro contém algumas ideias inovadores para a época, sobre a inteligência da mulher, sobre a necessidade das mulheres estudarem, entre outros. Saiba mais sobre o livro aqui (em inglês).

E então, o que acharam? Vários desses livros eu nunca nem tinha ouvido falar. Interessante pensar em como algumas obras se perpetuam e outras ficam no momento, não? No próximo post mais livros! Aguardem!

Livros que Jane Austen leu
Livros que Jane Austen leu

Notas:

¹ Jane Austen’s Letters por Deirdre Le Faye

Cartas de Jane Austen: Miss Austen Regrets

Cartas de Jane Austen: Miss Austen Regrets
por Mell Siciliano

Cuidado! Este post contém spoilers da adaptação Miss Austen Regrets!

A adaptação da BBC Miss Austen Regrets cobre os últimos anos da vida de Jane Austen e, como o título sugere, os seu possíveis arrependimentos. Chamo de adaptação pois esse filme foi livremente inspirado nas cartas da autora. Em algumas cenas, inclusive, passagens exatas das cartas são ditas. Entretanto, quase nessa adaptação é contado por cartas, e sim através da interação entre as pessoas.

Pra quem nunca viu, Miss Austen Regrets começa com uma introdução, em 1802, no famoso episódio do pedido de casamento de Harris Bigg; pedido esse que Jane aceita e logo depois recusa. A história então pula para os anos 1812-1817; cobrindo os seguintes acontecimentos: o namoro de sua sobrinha Fanny com Mr. Plumtree, a publicação de Emma (e toda a trama da dedicatória para o príncipe regente), a escrita de Persuasão, a doença de Henry, o médico Charles Haden e a morte de Jane.

Miss Austen Regrets
Cartas de Jane Austen: Miss Austen Regrets

Mas o que é verdade e o que ficção nessa adaptação?  Separei alguns acontecimentos que mais me chamaram atenção em Miss Austen Regretspara comentar. Vamos lá?

Harry Bigg
Harry Bigg

1802 – O pedido de casamento de Harris Bigg  – Sim, Harris Bigg pediu Jane Austen em casamento. Suas irmãs eram amigas das meninas Austen (Jane e Cassandra) e as cartas de Jane dão a entender que de alguma maneira elas encorajaram o irmão a fazer o pedido. A adaptação nos leva a crer que Cassandra influenciou Jane a recusar o pedido; entretanto nas cartas não encontrei nada que sugerisse tal coisa. Mas, de maneira geral, verdade.

1812 – Namoro de Fanny e Mr. Plumtree – Por volta de 1812 a sobrinha de Jane – Fanny – conheceu Mr. Plumtree. Como a mãe de Fanny já havia falecido, ela viu na sua Jane Austen uma fonte de conselhos. Na adaptação, Jane está por perto para aconselhar Fanny, mas na vida real esse aconselhamento aconteceu por cartas. Fanny não sabia o que fazer, na verdade, ela não sabia se amava ou não o seu pretendente. No filme ela culpa Jane quando o namoro se desfaz. Nas cartas é possível perceber um certo ressentimento da parte de Fanny, mas nada tão explosivo como no filme. Jane nunca ousou, nas cartas, a dar conselhos assertivos, do tipo: case ou não case. Ao invés disso, ela ponderava sobre vantagens e desvantagens de se casar sem afeição, de se casar com um homem na posição de Mr. Plumtree e que tipo de consequências poderiam surgir de quaisquer decisões de Fanny. Novamente, de maneira geral, verdade.

1812 – Mr. Bridges – A família Bridges de modo geral era amiga da família Austen. Jane cita diversas vezes o Reverendo John Bridges em suas cartas, sempre de maneira muito afetuosa. No filme, ele representa um dos arrependimentos. John teria feito um pedido de casamento que Jane recusou. Porém, nada (nada nada mesmo) em suas cartas dá a entender que algo do gênero aconteceu. Podemos ter certeza? Não, porque Cassandra queimou diversas cartas. Mas se pensarmos assim, podemos imaginar o que bem quisermos para as cartas destruídas, e ainda sim nunca saberemos. Portanto, ficção.

Charles Haden
Charles Haden

1815 – Mr. Charles Haden – Na adaptação, é sugerida uma atração de Jane pelo médico de seu irmão, o Mr. Charles Haden. Inclusive, é proposta uma tensão entre Jane, Fanny e Mr. Haden. Nada disso é certo. Pelas cartas, temos certeza que tanto Fanny quanto Jane gostavam muito dele, e Jane ainda escreve para sua irmã Cassandra algo que é usado na adaptação como uma espécie de declaração: “He is a Haden, nothing but a Haden, a sort of wonderful nondescript creature on two legs, something between a man and an angel.” (Tradução: Ele é um Haden, nada além de um Haden, uma espécie de indescritível criatura maravilhosa sob duas pernas, algo entre um homem e um anjo). Esse tipo de ‘declaração’ realmente dá asas a imaginação, não é mesmo? Mas, como não temos nada de concreto, classificarei como ficção. Pra quem ainda não viu a série, é toda essa dinâmica com Haden que gera uma das mais bonitas cenas, uma conversa entre Jane e a empregada de seu irmão Charles.

Agora queria saber se alguém mais viu essa série e detectou mais alguma coisa. Em caso afirmativo, conta pra gente!

Cartas de Jane Austen: Tom Lefroy

Cartas de Jane Austen: Tom Lefroy por Mell Siciliano. Para todos aqueles que gostam de Jane Austen o nome Tom Lefroy é bem familiar.

Para quem Jane Austen escrevia suas cartas?

Para quem Jane Austen escrevia suas cartas? Para sua família e amigos mas a maioria das cartas que sobreviveram foram escritas para sua irmã Cassandra.