“Táticas para arrumar um marido segundo Orgulho e preconceito”
por Fernanda Huguenin
Em todos os seus livros Jane Austen nos apresenta muitas personagens femininas, algumas são boas e honestas, outras caricatas e algumas são verdadeiras bruxas. E Austen nos brinda também com os meios usados pelas moças para conseguir um bom casamento, visto que matrimônio naquela época era uma dádiva muito cobiçada pelas jovens damas.
Vamos dar uma olhada nos métodos utilizados em Orgulho e preconceito, alguns com ótimos resultados e outros nem tanto.
Charlotte Lucas usou a inverdade e passividade para conquistar o Mr.Collins. Sua tática teve sucesso, afinal ela só queria se casar por precaução financeira e os males da sua escolha são o de simplesmente não poder se abrir sinceramente com o marido, de sofrer alguns constrangimentos pelo excesso de bajulação do marido em relação a qualquer pessoa de posses que ele venha a conhecer, além de estar ciente de que ele a pediu em casamento para servir de exemplo matrimonial para a paróquia dele e para agradar a sua protetora, Lady Catherine de Bourgh.
Caroline Bingley elogiou em excesso o Mr. Darcy, a ponto de colocá-lo em um pedestal. Não chamou a atenção do seu alvo pelo fato dele viver cercado de bajuladores. Também tentou se aproximar de sua irmã Georgiana, para tentar agradar ao cavalheiro, mas não adiantou. Caroline ainda teve ousadia de fazer comentários maldosos sobre a rival (Lizzy) para Darcy no intuito de prejudicá-la aos olho dele, mas a única coisa que ela conseguiu foi apenas ter se mostrado uma mulher sem respeito e infantil para o Mr.Darcy. Tática falha.
Lydia Bennet usou seu lado emotivo e a impulsividade para conquistar Wickham. Sua tática trouxe mais malefícios do que bons frutos, pois manchou sua reputação de moça casta e colocou em risco a imagem da sua família perante a sociedade. E também acrescento que outro meio que ajudou a concluir o casamento de Lydia foi a ajuda financeira dada pelo Mr.Darcy. Tática útil, mas não aconselhável.
Mary Bennet fez uso da exibição para mostrar como era inteligente e muito prendada, visando agradar a todos e com esperança de despertar o interesse de algum cavalheiro. Embora o livro não tenha lhe apresentado algum pretendente, na certa ela não o conquistaria com esses modos artificiais e pedantes. Tática falha.

Medidas desesperadas essas acima não? Agora dou uma pausa, para uma reflexão nostálgica.
Quando comecei a minha fase de devaneios sonhadores e românticos, teve início os vários ensinamentos e conselhos de vida, ofertados por pessoas mais experientes, no meu caso, vieram com minha mãe e avó respectivamente.
Recebi e ainda recebo vários, mas sempre tem aqueles que te marcam muito. Da minha avó recebi, “seja sempre gentil e honesta com as pessoas, sem querer nada em troca”. Já com mamãe tenho um que levo sempre comigo, “nunca valorize muito alguém, a ponto de se desvalorizar”. Acredito que nossa Jane também compactuava com esses dois conselhos, porque vemos isso em duas personagens, que classifiquei como Menções Honrosas!
A mais velha das irmã, Jane Bennet, na verdade não usou nada para conquistar o Mr.Bingley. Foi somente ela mesma, sincera, doce e generosa. Se ela foi gentil com os que estavam perto era mais por querer fazer o bem aos outros do que ganhar vantagens para si própria.
Elizabeth Bennet, além de ter sido sincera como a irmã (Jane), não se deixou levar pela fortuna de Darcy (como fez Caroline, a ponto de se humilhar e ficar requisitando a atenção dele). O motivo principal que fez Darcy olhar para Lizzy foi o fato dela não querer ser admirada por ele ou receber sua atenção. Ela se respeitou. Segundo as palavras de Lizzy, o que fez com que Mr.Darcy se apaixonasse por ela foi:
“Pode chamar de impertinência de uma vez. Não era muito menos do que isso. O fato é que você estava enjoado de cortesias, de deferências, de amabilidades oficiosas. Estava desiludido com as mulheres que falavam e olhavam e só pensavam na sua aprovação. Chamei sua atenção, e você se interessou, porque era muito diferente delas. […] e no seu coração você desprezava profundamente as pessoas que insistiam em cortejá-lo.”
Orgulho e preconceito, Penguin Cia. das Letras, trad. Alexandre Barbosa de Souza

Bom, acho que não preciso escrever mais nada, Jane e Lizzy tiveram os melhores partidos e veja bem, conseguiram isso usando apenas a integridade e o respeito próprio! Existe coisa mais simples do que essas duas qualidades?
Obrigada Jane por nos presentear com Orgulho e preconceito!
Views: 314
Deixe uma resposta