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A tradução literal para “Miss Austen Regrets” seria algo como “a senhorita Austen lamenta ou arrepende-se”ou também colocar com substantivo “os arrependimentos da senhorita Austen”, assunto sobre o qual já falei no post: “Os pesares da senhorita Austen”.

No Brasil, o filme Miss Austen Regrets foi publicado pela editora Log On junto de minissérie Razão e Sensibilidade de 2008 e não sei o motivo pelo qual mantiveram o título original em inglês.

Esta semana encontrei  o post “Le Choix de Jane (Miss Austen Regrets) en DVD !” no Tea Time Chronicles sobre o lançamento do DVD em francês e me chamou atenção a tradução do título, a troca do verbo em terceira pessoa regrets (lamenta ou arrepende-se) por choix (escolha) e que veio de encontro com ao que penso sobre Jane Austen.

Acredito que Jane tenha feito uma escolha ao se dedicar a escrever e que como todo mundo deveria ter alguns pesares, mas arrependimentos jamais!

Qual a opinião de vocês?

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33 comentários

  1. Sempre achei muito difícil falar sobre uma pessoa sem conhecê-la pessoalmente. Mas os escritores possuem esse dom de colocar no papel – seja pelos romances, poemas, cartas – seus sentimentos, pensamentos, sonhos… Por isso penso que Jane era uma mulher de fortes convicções, muito parecida com suas protagonistas, e uma verdadeira visionária. Talvez tenha sofrido por isso. Provavelmente ela não se deixava subestimar pelos outros, numa época em que as mulheres eram vistas como donas-de-casa, e realizavam apenas “pequenas” atividades: cuidar dos filhos, cuidar do andamento dos serviços da casa, bordar, pintar, talvez se dedicar ao canto ou a algum instrumento musical pertinente.

    Jane deve ter tido que fazer inúmeras escolhas – assim como nós mesmos fazemos no decorrer de nossa vida – mas penso que ela não era uma mulher para se arrepender: ela parecia ser madura o suficiente para aprender até mesmo com as escolhas “erradas”. Quem sabe – em algum momento de sua vida – ela tenha desejado ter se casado ao invés de escrever? Não temos como saber seus pensamentos e desejos mais íntimos mas, assim como Anne Elliot, Jane era forte e – como mulher com grande fé em Deus – deve ter se sentido uma mulher realizada e feliz, com as escolhas realizadas e a presença de pessoas queridas e significativas em sua vida.

    1. Aline,

      você tocou num ponto interessante: sobre Jane ser madura o suficiente para tomar decisões e aqui acrescento, desde de bem jovem ela parece muito madura nas suas observações do mundo. Podemos ver isto em sua obra da juvenília.

  2. Bem… o problema de eu dar a minha resposta sobre esse assunto é porque a bio de Jane possuí informações sobre questões amorosas dela que geram muitas dúvidas. A questão de Mr. Lefroy por exemplo, ele é colocado como suposto grande amor de Jane, se compararmos com o que mostraram em “Becoming Jane Austen”, parece que se existisse oportunidade ela teria ficado com ele. Mas a outra fase dela em “Miss Austen Regrets” já mostra uma mulher madura e um Thomas Lefroy com apenas um pedaço da juventude dela, sem contar que ainda temos um noivado rompido por ela. Na verdade eu tenho essa dúvida rs! E se Jane tivesse encontrado “aquele cara”? Muitas vezes sinto em suas obras um toque de “como eu faria se isso acontecesse comigo”. Penso que ela no fundo devesse se arrepender de ter idealizado demais.

    1. Marina,

      Becoming Jane ficou por conta do que imaginavam tanto os roteiristas como o autor do livro de mesmo nome e onde se perdeu, na minha opinião, a possibilidade de fazer um belo filme sobre esse período da juventude de Jane. Acredito que se tivesse conhecido “aquele cara”, seria alguém muito especial como ela e com idéias acima de seu tempo o que poderia resultar em casar mas manter sua decisão de continuar escrevendo.

  3. Se tem algo que Jane não transmite em seus escritos é amargura (sentimento que costuma vir junto com as pessoas cheias de arrependimento na vida). Pelo contrário: há uma certa alegria nas suas linhas.
    Acho que, até com relação ao amor, ela foi segura de sua escolha, tendo em vista o conselho que deu à sobrinha para nunca se casar se não for por amor. (Quantas pessoas se casam sem amor e depois se arrependem…)
    Muito desse “arrependimento” que lhe atribuem deve estar relacionado ao fato de ela ter sido solteira, mas a impressão que dá é que relacionamento não foi o objetivo da vida dela. (Ou, se algum dia foi, ela, na falta de um amor, soube se entregar ao que teve em suas mãos: a literatura, a família e algumas amizades).
    Bjos,
    Rebeca

    p.s.: te mandei um email com um link. Vc viu?

    1. Rebeca,

      também não vejo arrependimentos de Jane no pouco que li de suas cartas.

      Li seu mail e vou responder agora.

  4. Creio que miss Austen assim como nós tbm teve seus momentos de :” E SE…” podemos chamar de arrependimento ou escolhas. Dos Livros dela que eu já li, e de alguns artigos sobre J. Austen, creio que das personagens que mais parece com ela é Anne Elliot, resignada, reservada,inteligente e muito perspicaz, e que talvez por atitudes de outrem ou situações Miss Austen tenha sido persuadida pelo contexto a deixar pra trás coisas que queria muito, mas que traziam em si um futuro incerto. Eu ficaria com o Título original, apesar de meu coração inclinar-se pelas ESCOLHAS DE MISS AUSTEN, pois no íntimo quando a gente pensa em Jane como alguém que se arrependeu, vem logo aquela coisa de será que ela tinha remorso e amargura pelas escolhas que elas fez? E como amamos muito Jane não gostamos de pensar que ela encerrou sua vida assim. Anne Elliot é o primeiro em que a personagem feminina principal já não é tão jovem; a biógrafa Claire Tomalin caracteriza o livro PERSUASÃO como um “presente para ela mesma, para Miss Sharp, para Cassandra, para Martha Lloyd… para todas as mulheres que tinham perdido suas chances na vida e que nunca desistiram de uma segunda primavera”. Talvez Jane Austen tnão tivesse tido a chance de uma segunda primavera.

    1. Valéria,

      sempre pensamos em Elizabeth Bennet para caracterizar Jane, mas creio que ela tinha um bocadinho de cada uma de suas heroínas. A biografia de Tomlin é uma das que não tenho, mas está na lista!

  5. Pois é Raquel, em “Becoming Jane” foi muita imaginação para pouca pesquisa, pois me pareceu que o trabalho de pesquisa foi mal-feito ou houve má vontade em fazê-lo com capricho. Fora que há muitas teorias sobre as cartas dela. Enfim….quem sabe um dia não descubram mais coisas né.

    1. Marina,

      nem sei se foi pouca pesquisa ou vontade de fazer o filme o mais romântico e sentimental possível para vender mais!

  6. Na minha opinião, Escolha é sem dúvida a melhor opção. Entendo que nossa amada Jane Austen não teve arrependimentos em relação as suas obras pois, pelo que lemos nas linhas ( e entrelinhas )dos seus livros isso fica nítido. Acho que tudo foi muito bem pensado e sentido enquanto ela os escrevia usando sua imaginação, seu romantismo e seu entendimento perspicaz da sociedade da época. Duzentos anos depois cá estamos nós apreciando cada livro, cada nova adaptação, cada filme baseado em suas Obras. O prazo de validade vai se estender pra sempre …

  7. Penso que escolhas é mais apropriado, até porque quando toma-se uma decisão, muitas vezes não faze-se uma ideia real das suas consequências, e pode-se arrepender ou não. Porém acho que Jane, mesmo que ela tenha se arrependido de alguma escolha que fez, ela não iria ficar se lamuriando e tentaria seguir em frente. Além disso, acho que ela não pensava somente nela quando tinha que fazer uma escolha, considerando assim que estava envolvido.

  8. Também acho que Jane fez escolhas, opções. Em nenhum momento dentre os livros escrito por ela percebi qualquer traço de amargura. Penso que a Jane sempre foi muito madura, e tomava suas decisões sabendo no que iam acarretar.
    Acredito que ela foi uma pessoa realizada, bem resolvida com as escolhas que fez!

  9. Depois que vi o filme, achei o título um pouco equivocado rs, afinal em nenhum momento do filme mostra a Jane arrependida das suas escolhas, muito pelo contrário ela ficou satisfeita consigo mesma.Pra mim, a melhor opção é “escolhas’.

    Claro que a Jane, como todo ser humano deve ter tido alguns momentos da vida em que se arependeu de algo que fez ou deixou de fazer, mas não acho que ela era do tipo de ficar amargurada a vida toda por isso.

    E não acho que o fato da Austen ter se dedicado a seus romances tenha anulado suas chances de se casar, o que impediu foi a falta de um pretendente que tivesse despertado o amor dela.

    1. Fernanda,

      concordo com você, o título original não foi exatamente uma decisão das melhores.

  10. Concordo que escolhas ficou bem mais adequado no caso de um filme biográfico como este, em nenhuma situação Jane Austen me parece alguém arrependido, a coisa mais evidente nas 2 histórias é seu amor por escrever e um casamento talvez a teriam impossibilitado de faze-lo, o fato é que como diz aquela música “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, ela teve sua chance e fez suas escolhas o demais são conjecturas biográficas.
    Bjs

  11. Acredito que Jane Austen tenha feito, sim, uma escolha. Vi e ouvi, certa vez, um comentário de que se ela tivesse escolhido o casamento, não poderia ter sido uma escritora, pois, afinal, seria quase impossível, para uma mulher naquela época, conciliar as duas coisas. Não consigo pensar em Jane Austen como uma mulher que tivesse algum arrependimento em relação a isso, pois acredito que ela tenha se realizado na escolha que fez. E mais uma coisinha para as leitoras de Jane Austen: não confundam jamais, embora seja difícil, a autora com suas obras e personagens.

    1. Leydiane,

      casar naquela época poderia significar ter filhos sem controle e aí dificilmente uma mulher conseguiria ter alguma atividade além da doméstica, mesmo tendo posses.

  12. Creio que escolhas seria um melhor título até porque é bastante genérico, todos nós fazemos escolhas todos os dias, quanto a arrependimento, em relação a que? Não ter se casado? Bem, ela teve oportunidade e não quis, não creio ,no entanto, que a negativa dela tenha sido pelo simples fato de que ela queria se dedicar a sua escrita, até porque existiram autoras da mesma época (até o periodo vitoriano) que se casaram e tiveram filhos e mesmo assim escreviam: Mary Wollstonecraft, sua filha Mary Shelley, Ann Hawkshaw,Elizabeth Barrett Browning, Kate Chopin, Isabella Beeton,Elizabeth Gaskell, para citar algumas… por essa razão nao acho que tenha sido esse somente o motivo porque Jane não se casou…

    1. Nique,

      também creio que não era o casamento propriamente dito, ela poderia casar com alguém com posses, mas a função toda, ficar grávida, crianças chorando e aquele envolvimento com a administração da casa que ao fim e ao cabo lhe daria nos nervos!

  13. Uma Dica:

    Meninas,

    Encontrei o dvd Miss Austen Regrets + Razão & Sensibilidade de Jane Austen por R$ 19,90 no site da saraiva.

  14. Sem dúvida, escolhas. Acredito que quando fazemos uma opção já desfrutamos daquilo que nos pareceu melhor, mesmo que futuramente pareça o contrário, só o fato de já termos tido aquela alegria pela qual optamos já vale. É aquele velho ditado: – Mais vale um gosto… Acho que Jane não fez uma opção por não se casar, penso que como Jane e Elizabeth Bennet ela só se casaria se fosse por amor, com aquele que realmente lhe parecesse ideal, como isso não aconteceu (ou se aconteceu o casamento não foi possível), ela preferiu ficar solteira. Para mim, Jane optou por ser feliz, em paz com seus sentimentos de mulher convicta e indiferente com a sociedade. Não acredito que tenha se arrependido de suas escolhas. Como dizia uma amiga: -Casar só pra dizer que tá casada, não dá!

    1. Patrícia,

      Jane, creio eu, tinha fortes convicções e jamais casaria só por casar como muito bem você coloca.

  15. Jane arrependida?! Quando comecei a assistir nem acreditei. Penso ser precipitado o filme sobre esta suposição. Suas obras marcaram uma geração e vem, ao longo do tempo, deixando um legado de fãs devido aos seus romances serem de uma maturidade sem igual. Ela, como toda a mulher gostaria de viver ao lado de alguém que tem um profundo amor recíproco, mas não suponho jamais que ela tenha se arrependido. Tô chocada com o filme. Meire 🙂
    PS: Meiriellen recuperei seu comentário do spam por ter a link do face no corpo do comentário. Coloquei seu link na URL e apaguei para publicar.
    Raquel

  16. Nao sei se o que esta no filme eh tudo verdade. Entao todos, eu tenho, temos arrependimentos. Pesares sao mais lamentacoes.

    Quando assisti nao gostei. Nao acho que vi a Jane Austen verdadeira.
    Vejo ela mais como a Lizzie.
    Assisti o filme com Anne Hathaway e acreditei em tudo nao acreditando.
    Fui investigar com pessoas que vivem o mundo da Jane ha muito tempo e tem muita coisa que nao era verdade no filme.

    Arrepender de ter escrito suas obras nao, mas de nao se casar acho que sim.

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