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FILMES & SÉRIES,  LIVROS JANE AUSTEN

Fitas em Jane Austen

As fitas surgiram junto com os primeiros tecidos e parece que nunca saíram de moda. Como uso fitas na maioria das peças que faço, de cadernos a bijuterias, resolvi selecionar nos livros de Jane Austen os trechos onde ela menciona fitas (ribbons).

Surpresa! Em Orgulho e preconceito não há menção alguma sobre fitas. Já no filme, versão 2005, as meninas compram fitas na companhia do belo flibusteiro, Mr. Wickham, que se gaba de ser grande entendedor do assunto.

Miss Steel, irmã da dissimulada Lucy Steel, em Razão e sentimento, pretende usar uma fita rosa no chapéu mesmo correndo o risco dessa cor não ser a preferida de um suposto admirador. Digo suposto, pois com essas irmãs nunca temos certeza, dizem uma coisa e pensam outra!

But why should not I wear pink ribbons?
Sense and Sensibility, capítulo 38

Emma vai as compras com Harriet Smith e tenta convencê-la dos melhores itens e definitivamente uma fita azul não combina com uma estampa amarela! No mesmo capítulo Miss Bates, que fala pelos cotovelos, nos dá a dica que as fitas vem de Londres. Imagino que fossem os últimos lançamentos. E claro a sempre despachada Mrs. Elton, assegura para o Kgnithley que irá apreciar os morangos de Donwell Abbey com sua indefectível cesta de fita rosa.

[…] and that a blue ribbon, be it ever so beautiful, would still never match her yellow pattern.
[…] I hear you have a charming collection of new ribbons from town.
Here,–probably this basket with pink ribbon.
Emma, Emma e Miss Bates, capítulo 27; Mrs. Elton, capítulo 42

A coquete Isabella ficou encantada com um chapéu com fitas cor-de-papoulas e alguns capítulos adiante Catherine não pode adiar a compra das indispensáveis fitas. A rua Milson deveria ser o paraíso das compras em Bath!

Do you know, I saw the prettiest hat you can imagine, in a shop window in Milsom-street just now — very like yours, only with coquelicot* ribbons instead of green; I quite longed for it.
Towards the end of the morning, however, Catherine, having occasion for some indispensable yard of ribbon which must be bought without a moment’s delay […]
Northanger Abbey, Isabella, capítulo 6; Catherine, capítulo 14

Como não tenho fitas em coquelicot* coloquei esta gargantilha que fiz em homenagem a Eleanor Tilney, irmã de Henry, rapazinho que entende tudo de tecidos!

Um pedaço de fita era a única coisa que Fanny Price dispunha para usar com a cruz de âmbar que o irmão William trouxera da Sicília. Em Mansfield Park esse fato deixou a pobre Fanny muito preocupada pois em uma festa mais formal era preciso mais do que uma fita. Acabou caindo nas artimanhas da minha querida Mary Crawford…

[…] a very pretty amber cross which William had brought her from Sicily, was the greatest distress of all, for she had nothing but a bit of ribbon to fasten it to […]
Mansfield Park, capítulo 26

Em Persuasão Mr. Elliot, apesar de estar usando uma fita preta pela morte da esposa, não amenizou o despeito de Elizabeth por ter sido preterida alguns anos atrás. Acredito que hoje em dia não se use mais uma fita preta como sinal de luto. A segunda referência sobre fitas envolve Mary, irmã de Anne, que está sempre pedindo que alguém faça alguma coisa para ela, mesmo que seja arrumar uma fita.

Yet so miserably had he conducted himself, that though she was at this present time (the summer of 1814) wearing black ribbons for his wife, she could not admit him to be worth thinking of again.
[…] with intervals of every help which Mary required, from altering her ribbon to settling her accounts;
Persuasion, Mr. Elliot, capítulo 1; Mary Musgrove, capítulo 22.

  • How Products Are MadeVolume 3 breve história das fitas (em inglês)
  • As imagens são todas das peças que confecciono e estão disponíveis na minha lojinha: Restaure no Elo7.
  • * Breve um post sobre cores em voga na época da Regência.
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18 Comentários

  • Elaine Rodrigues

    Suas fitas são lindas Raquel! Já que você é muito prendada e também muito entendida desses detalhes nas obras da Jane, gostaria de te sugerir, se me permite, um post sobre cartões de visitas. Sempre achei esse costume muito interessante.
    Bjs

  • Raquel

    Elaine
    eu já tenho alguns dados sobre o uso de cartões de visita nessa época, mas ainda faltam informações mais detalhadas e imagens para fazer um post bacana. Foi bom você lembrar, tenho muitos assuntos na fila de espera.
    Lembrei agora que tenho um cartão de visita de vovô – com galanterias para vovó! Preciso achar urgente este cartão.
    Obrigada!

  • Raquel

    Elaine,

    lembra de Marianne Dashwood esperando aflita um cartão de visita do Willoughby? As pessoas chegavam em um lugar e se faziam anunciar via cartões. Tinham vários tipos, anunciava a que haviam chegado na cidade, convidavam para festas etc.

  • Elaine Dashwood

    Ih, mas não lembro não! Talvez seja a hora de reler R&S, já faz uns cinco ou seis anos que li o romance…

    Eu conheço estes cartões, mas lembro muito mais deles nos romances do Dickens do que nos de Austen.

  • Raquel

    Elaine,
    e eu preciso ler Dickens… já iniciei vezes “It was the best of times, it was worst of times…”, não sei o que acontece que desisto. Queria ler pelo menos esse. Tenho também The Pickwick Papers, da Everyman Library, do famoso J.M.Dent & Sons, de 1950 lindinha demais. Pois nem assim leio, comprei de gulosa!

  • mayara

    Para exemplificar o uso de cartõs de visita nos livros de Austen, cito um trecho da obra “Persuasão” em que sir Walter e senhorita Elizabeth entraram na sala da casa dos Musgroves em Bath.
    O trecho aborda especificamente o momento em que Elizabeth fez o convite a todos que estam presentes dizendo: “Amanhã à noite, para conhecer alguns amigos. Nada de muito formal”. Foi tudo dito com muita gentileza, e os cartões “A senhorita Elliot recebe em casa” que mandara fazer por si própria foram colocados em cima da mesa com um sorriso cortês que abrangeu a todos, e um sorriso e um cartão dirigidos especialmente ao Capitão Wentworth(…)
    Logo após Mary diz: ” Não admira que o Capitão Wentworth esteja encantado! Repare como ele não larga o cartão”

    Nessa obra creio eu que há outros momentos em que os cartões de visitas são mencionados. Espero ter ajudado!

  • Leticia

    Bem, já que fomos para o assunto cartões de visitas, tenho a impressão de que eram indispensáveis até mais recentemente. Temos nos guardados aqui de casa um cartão de visitas de minha bisavó, apenas com seu nome. O interessante é que ela não era rica ou de posição, tampouco tinha o costume de receber. Mas tinha seu cartão!

    E é bom lembrar que em eventos públicos que envolvem autoridades, o hábito da troca de cartões persiste, de modo além do razoável. Uma ou outra vez em que estive presente a uma ocasião dessas, cheguei em casa abarrotada de cartões. E lembro que, na primeira vez em que fui a um evento assim, levei um pito de uma senhora amiga por não ter cartões para distribuir a granel.

    Quanto às fitas, tenho o bizarro costume de colecioná-las, para um uso futuro que ainda não defini. Podem ser trançadas e virar uma almofadinha, ou forrar a capa de um livro, uma agenda… E elas vem, na maioria, de… embalagens de presentes. Em épocas como Natal e aniversários, faço a festa! Pessoas próximas a mim nem perguntam: já vão me passando as ditas-cujas que ornaram seus presentes.

  • maria luisa

    olá, gostaria de saber a idade exata de Elizabeth Bennet
    ficarei grata pela informação
    obrigada

  • Nique

    Realmente mto bonitas as fitas, e quanto aos cartoes de visitas eu me lembro da Marianne esperando os cartões de visitas, mas acho que a primeira vez que eu li alguma coisa a respeito foi em Sherlock Holmes

  • Bárbara

    Eu tenho um sério problema com fitas, quando acho uma já amarro pelo quarto, na chave, nas maçanetas, em zíper de bolsa, ficam todas penduradinhas =) (nesse caso eu viveria bem na época da Jane)

  • Elaine Rodrigues

    Em Abadia de Northanger o costume dos cartões também é visto. Quando Catherine vai à casa dos Tilneys em Bath para lhes pedir desculpas.
    “(…)Chegou a casa dos Tilneys, sem
    qualquer contrariedade. Olhou para o número, bateu à porta e
    perguntou pela menina Leonor. Parecia ao porteiro que a menina
    estava em casa, mas não tinha bem a certeza. Podia ela ter a
    amabilidade de lhe
    dizer quem era? Deu o cartão. Alguns minutos depois o criado
    voltou e, com um olhar que não confirmava as palavras, disse
    que se tinha enganado, porque a menina não estava.”

    Como será que eram estes cartões? Será parecido com os de hoje?
    Raquel, fica também sugerido a confecção desses cartões personalizados, como só você consegue criar. Quando fizermos um Congresso ou Fórum de Discussão de nível nacional sobre as obras de Jane, já teremos os nossos. RSRSRSRS

  • Letícia O.

    q post mais fofo..dá vontade até de usar fitinhas hehe.
    falando nisso, as coisas que vc faz são lindas!!! caderninhos, bijus… lindos!

  • Raquel

    Mayara,
    boa lembrança! eu lembro de outros em Persuasão mas não lembrava desse do capitão…

    Leticia,
    agora preciso ver o cartão de vovó! Prometo que em troca levo umas fitinhas!

    Nique,
    não li ainda Sherlock, shame on me!

    Bárbara,
    aqui em casa você levaria um tempo amarrando fitinhas!

    Elaine,
    eu lembro dessa parte, pobre Catherine! Farei alguns cartões, me aguarde.

    Leticia O.
    use e abuse de fitas e obrigada!

  • Raquel

    Maria Luisa,
    seja bem-vinda ao Jane Austen em português!
    No capítulo 29, Elizabeth diz que ainda não fez 21 anos.

  • nora borges

    Olá, Raquel. Vim retribuir a visita. Feliz ano Novo para você também.
    Que delicado é seu blog. E sua arte com cadernos e relicários! Lindos!
    Você já vez algum post sobre os chapéus? Sou louca por eles.
    Um beijo

  • Raquel

    Nora,
    muito obrigada e que prazer recebê-la no Jane Austen em português!
    Os chapéus estão na lista de futuros posts. Aviso você quando escrever a respeito. Um beijo