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Diálogo de Elizabeth e Mr. Darcy no baile em Netherfield

Para que vocês possam acompanhar os prometidos diálogos entre Elizabeth e Mr. Darcy no baile em Netherfield e a música ao mesmo tempo, transportei o vídeo para este post.

Escutei atentamente, acompanhando a legenda, antes de transcrever os diálogos pois sempre há algum improviso. Foram poucas as palavras que não consegui confirmar ou não entendi. A surpresa agradável ficou por conta de uma fala de Elizabeth (* abaixo) que estava bem diferente das legendas e descobri que a atriz usou as palavras do texto original.

Mr. Beveridge’s Maggot foi escrita por Johan Playford em 1695 e publicada no Playford’s Dancing Master, um livro de instruções para contradanças. A palavra “maggot” naquela época significava “favorita(o)” e era provavelmente usado com a dança favorita. Estas informações são do blog Jane Austen World do post Every Savage Can Dance: A Few Thoughts About Dancing in Jane Austen Novels, Most Particularly, Pride&Prejudice escrito por Ms. Place.

ELIZABETH I believe we must have some conversation, Mr Darcy. A very little will suffice. You should say something about the dance, perhaps. I might remark on the number of couples.
Eu acredito que nós deveríamos conversar alguma coisa, Mr. Darcy. Pouco já seria bastante. Você diria algo sobre a dança, talvez. Eu poderia fazer uma observação sobre o número de casais.

MR. DARCY Do you talk by rule when you’re dancing?
Você tem por norma conversar quando está dançando?

ELIZABETH Yes, sometimes it’s best. Then we may enjoy the advantage of saying as little as possible.
Sim, às vezes é melhor. Desse modo podemos desfrutar a vantagem de dizermos o mínimo possível.

MR. DARCY Do you consult your own feelings in this case, or seek to gratify mine?
Você consulta seus próprios sentimentos nesta caso ou busca gratificar os meus?

ELIZABETH Both, I imagine. We are each of an unsocial, taciturn disposition, unwilling to speak unless we expect to say something that will amaze the whole room. *
Ambos, eu creio. Nós dois somos de natureza anti-social e taciturna, avessos a conversas a menos que esperemos dizer algo que surpreenderia a todos na sala.

MR. DARCY This is no striking resemblance of your own character, I’m sure. Do you often walk into Meryton?
Isto, estou certo, não tem a menor semelhança com seu próprio caráter. Você  vai seguidamente a Meryton?

ELIZABETH Yes, quite often. When you met us, we had just been forming a new acquaintance.

Sim, com freqüência. Quando você nos encontrou, nós tínhamos acabado de fazer novos conhecidos.

MR. DARCY Mr Wickham’s happy manners enable him to make friends. Whether he is equally capable of keeping them, is less certain.

As boas maneiras de Mr. Wickham faz com que faça amigos facilmente. Se é capaz de mantê-las, não se tem certeza.

ELIZABETH He has been unlucky to lose your friendship in a way he’ll suffer from all his life.

Ele tem sido desafortunado por perder sua amizade de uma forma que o prejudicará por toda sua vida.

SIR WILLIAM LUCAS Allow me to congratulate you, Sir! Such superior dancing is rarely to be seen. I’m sure your fair partner is well worthy of you. I hope this pleasure is repeated often. Especially when a “certain desirable event” takes place. Eh, Miss Lizzy? What congratulations will then flow in!

Permita cumprimentá-lo, Senhor! Tamanha superioridade em dançar é raramente visto. Tenho certeza que seu par é tão valoroso quanto você. Espero que esse prazer se repita freqüentemente. Especialmente quando um “’certo’ e desejável evento” acontecer. Hein, Miss Lizzy? Quantas congratulações veremos!

ELIZABETH Sir, I think…

Senhor, eu penso…

SIR WILLIAM LUCAS I understand! I’ll not detain you longer from your bewitching partner! A great pleasure, Sir. Capital! Capital!

Eu entendo! Não deterei você por mais tempo, privando-a de seu par encantador! Um grande prazer, Senhor. Excelente! Excelente!

ELIZABETH I remember hearing you once say that you hardly ever forgave. That your resentment once created was implacable. You’re careful, aren’t you, in allowing resentment to be created?

Eu lembro de ouvi-lo dizer, uma vez, que você dificilmente perdoa. Que seus ressentimentos uma vez suscitados eram implacáveis. Você é cuidadoso, não é, quando permite que um ressentimento se forme?

MR. DARCY I am.

Eu sou.

ELIZABETH And never allow yourself to be blinded by prejudice?

E nunca se permite ser cegado pelo o preconceito?

MR. DARCY I hope not. May I ask to what these questions tend?

Eu espero que não. Posso perguntá-la onde quer chegar com estas questões?

ELIZABETH Merely to the illustration of your character. I’m trying to make it out.

Meramente para ilustração de seu caráter. Eu estou tentando vislumbrá-lo.

MR. DARCY What is your success?

E está sendo bem sucedida?

ELIZABETH I don’t get on at all. I hear such different accounts of you as to puzzle me exceedingly.

Não em todos os aspectos. Tenho ouvido relatos tão diferentes sobre você que intrigam-me sobremaneira.

O vídeo do Youtube termina na frase acima mas coloquei o diálogo completo do filme para não perder o sentido da conversa.

MR. DARCY I wish that you wouldn’t, Miss Bennet, attempt to sketch my character at the present moment. The performance should reflect no credit on either of us.

Eu espero, Miss Bennet, que você não tente esboçar meu caráter neste presente momento. O resultado não seria meritório para nenhum de nós.

ELIZABETH If I don’t take your likeness now, I may never have another opportunity!

Se eu não aproveitar seu semblante e presença** retratá-lo agora, eu poderei nunca mais ter outra oportunidade!

MR. DARCY I would by no means suspend any pleasure of yours. De maneira alguma eu a privaria de qualquer um de seus prazeres.

NOTAS

  • traduções Mea Culpa, Raquel Sallaberry Brião
  • o post original mencionava o baile na casa do senhor William Lucas, mas o correto é o baile de Netherfield
  • * no original: “Both,” replied Elizabeth archly; “for I have always seen a great similarity in the turn of our minds. — We are each of an unsocial, taciturn disposition, unwilling to speak, unless we expect to say something that will amaze the whole room, and be handed down to posterity with all the eclat of a proverb.”
  • ** ótima sugestão de Elaine Dashwood – vide comentários
  • post revisado em 9/DEZ/2013
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10 Comentários

  • Débora

    Fiquei completamente encantada com esse site sobre Jane Austen. Sou fã incondicional de seus livros e dos filmes que tratam de suas obras. Imagine minha felicidade quando descobri tantas informações sobre ela num lugar só!
    Minhas visitas serão constantes. Nada pode ser mais agradável agora do que sorver um pouquinho de Jane Austen todo dia.
    Parabéns pelo site!
    Abraços!

  • Raquel

    Débora,
    muito obrigada e seja bem-vinda ao Jane Austen em português! Um abraço e boas festas para você também.

  • Lília dos Anjos

    Adorei!!! Muito legal esse vídeo e os diálogos “too”
    Mas não sei porque, acho essa atriz que faz a Lizzy muito sem sal…. prefiro a Keira mesmo… hehehe 😉

    Beijos 🙂

  • Elaine Dashwood

    Que diálogo maravilhoso, não é? Uma obra-prima de bate-e-rebate que só Jane Austen seria capaz de produzir.

    Na tradução, só consertaria uma frase: “take a likeness” quer dizer, exatamente, fazer um retrato, retratar uma pessoa. Então, a última fala de Lizzy ficaria assim “Se eu não retratá-lo agora, talvez não tenha outra oportunidade!”

  • Raquel

    Lília
    talvez por Keira ser mais jovem!

    Elaine
    fiquei um tempão matutando qual a melhor palavra e como não conhecia essa expressão pensei em colocar “semblante” mas achei que não abrangeria todo sentido. Havia entendido o sentido, “olhando para você posso apreender mais e melhor seu caráter” mas faltava a palavra!
    No primeiro momento, quando li sua mensagem, achei retrato muito moderno, mas depois dei-me conta do uso mais antigo desse verbo: olhar, entender e só depois reproduzir (telas), ou descrever, ou finalmente formar uma opinião.
    Muito obrigada!

  • Daniela

    Sou apaixonada pelo filme orgulho e preconceito com a Keira…. Apaixonadaaaa …… Parabens pelo siteee !!!!

  • Leticia

    Quanto à expressão de Mr. Darcy, prefiro a conseguida por Colin Firth à do McFayden. Me parece que o primeiro conseguiu “retratar” (à propos) melhor o pé-atrás do rapaz em relação à mulherada. Talvez as anteriores fossem açucaradas demais.
    Faz tempo que não leio o livro, mas assim me parece o personagem.

  • Diana

    Eu gostaria muito se possível de ler a carta que Mr. Darcy se explica para Elizabeth, acho lindo o começo da carta porém não consigo lembrar…