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LIVROS JANE AUSTEN

Borges e Jane Austen

Eu gosto muito de Jorge Luis Borges e não me recordava de ter lido menção alguma sobre Jane Austen em seus livros. Como não sou parenta de Funes, o Memorioso, e Borges cita toneladas de pessoas, recorri a São Google. Achei dois textos: no jornal The Spectator, com escritor argentino Alberto Manguel, mencionando alguns autores com os quais Borges não perdia seu tempo, entre eles Jane Austen, e uma crítica sobre o filme As patricinhas de Bervely Hills que cito abaixo o trecho referente a Borges:

Aqui, talvez seja pertinente dizer uma palavra sobre Jane Austen e seus escritos; ainda melhor, uma palavra de Jorge Luís Borges. Dizia o grande escritor argentino que “uma biblioteca sem livro algum seria ainda uma biblioteca de valor, posto que não possuiria nenhum livro de Jane Austen”. Pois é. De Borges se sabe que era um bocado radical, mas o que ele disse tem lá sua justificativa. Ora, Austen só é clássico porque tem atrás de si trezentos anos (vá lá, e dizem que porque foi a primeira a dar às suas heroínas algum cérebro).

Não duvidei que Borges pudesse ser autor do chiste acima, mas os “trezentos anos” levaram-me a procurar outras fontes. Lembrei-me de Martín Hadis, escritor argentino, com quem já havia conversado sobre Jorge Luis Borges. Escrevi um e-mail perguntando se havia algum livro sobre o escritor com essa citação e brinquei dizendo que se esta “frase infame” fosse verdadeira eu já conseguia ouvir Jane falando sobre Borges: “Eu poderia facilmente perdoar seu orgulho se ele não tivesse ferido o meu”.

Martín informou-me que quem havia dito a frase era Mark Twain a quem Borges cita em sua autobiografia e  passou-me o trecho do livro Borges, the Poet de Carlos Cortínez, onde Borges responde sobre autoras (suas preferências, provalmente):

BORGES: Of course. Emily Dickinson, Lady Murasaki, Silvina Ocampo. Three. Jane Austen, no. My mother enjoyed her; I never could.

BORGES: É claro. Emily Dickinson, Lady Murasaki, Silvina Ocampo. Três. Jane Austen, não. Minha mãe gostava dela; eu nunca pude.

Bem, definitivamente Borges não morria de amores por Jane Austen mas não era tão malvadinho como Mark Twain!

Muchas gracias, Martín!

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12 Comentários

  • Leticia

    Textos por aí por vezes parecem criança pequena brincando com pintura a dedo: vira tudo marrom escuro.

    De qualquer maneira, não me parece que o texto da Contracampo tenha errado propositadamente. Me parece mais fruto de leitura intempestiva. O que é perdoável, mas também não resolve a questão.

  • Raquel

    Leticia,

    certamente que o erro não foi proposital, e por um lado foi bom pois me deixou alerta para procurar outra fonte.

  • Raquel

    Elaine
    se quiser inicie pelo O livro de areia (minha paixão). Vá os poucos. Borges não é para ser lido, mas degustado.

    Um final de epílogo (O Fazedor):

    “Um homem se propõe a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos, povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naus, de ilhas, de peixes, de moradas, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem de seu rosto.” Obra completa, vol II

  • Dálete

    Adorei o post! Vou procurar mais ainda sobre o Borges que tu tanto gostas. Inclusive se realmente for o comentário dele, nada mais austeniano.
    bjs Raquel,

  • Raquel

    Olá, Dálete!
    Não.
    Borges não disse isso sobre uma bilblioteca sem Jane Austen – quem disse foi o malvado Mark Twain! Mas ele também não gostava da Jane.

  • Elaine

    De fato, geralmente essa frase é atribuída a Borges. Mesmo não sendo dele, acho que ele concordava com o Twain. A propósito, você já leu o “Curso de Literatura Inglesa”, do Borges? Adoraria ter participado daquelas aulas. Ele era brilhante!

    Beijos.

  • Raquel

    Elaine,
    ele era fabuloso!
    Ele de fato não gostava de Jane mas acho que não era tão radical como o Twain… risos…
    Ainda não li… preciso urgente desse livro!