LIVROS

A palavra é… A palavra deveria ser…

PLÁGIO?

No final de novembro de 2008, Alessandra Perlatti, participante do grupo Chá com Jane Austen, do qual faço parte, contou que ela e as irmãs, ao lerem Persuasão – edição bilíngüe da Editora Landmark, tradução de Fábio Cyrino –, deram-se conta de que o texto mostrava-se idêntico ao da edição Europa-América, traduzido por Isabel Sequeira em 1996. Imediatamente enviaram um e-mail para a editora brasileira solicitando explicações (não obtiveram resposta até a presente data).

Pedi autorização a Alessandra para enviar o assunto para Denise Bottmann – tradutora e dona do blogue Não gosto de plágio – para uma avaliação profissional.

Destaco pequeno trecho do post que Denise publicou hoje em seu blogue:

fiel ao original, ou fiel à tradução?
afora o primeiro parágrafo que traz uma meia-dúzia de vocábulos distintos, o restante da edição de persuasão da landmark apresenta diferenças mínimas em relação à da europa-américa. consistem sobretudo no abrasileiramento de alguns termos e formas de tratamento. seria necessária uma intervenção realmente miraculosa para que o tradutor brasileiro conseguisse produzir de lavra própria as mesmas gralhas de impressão, os mesmos problemas de vocabulário, os mesmos erros de entendimento do texto, os mesmos saltos de palavras e frases da tradução original.

O texto integral, detalhadíssimo, está no post “landmarkismo, o estágio superior do plagiarismo”.

SAGRADA?

ESTA CASA É UMA EDITORA
Ponto crucial de civilização · Refúgio de todas as artes contra os ataques do tempo · Armadura da verdade destemida contra rumores maledicentes · Incansável divulgadora de arte · Deste local as palavras podem ir longe, não para perecer como ondas de som, não para variar de acordo com a mão do escritor mas fixadas no tempo, tendo sido verificadas e comprovadas · Amigo, você está em solo sagrado, Esta Casa é uma Editora BEATRICE WARDE

Se você quiser saber mais sobre plágios e cópias não-autorizadas, principalmente na internet, recomendo três quatro ótimos artigos/posts do blogue da Nospheratt, Blosque:

  1. “Cópias na Internet: Nem tudo é plágio”
  2. “7 mitos sobre plágio”
  3. “Plágio e direitos de autor nos blogs: legislação aplicável”
  4. “Plágio e Cópia”

ATUALIZAÇÃO EM 07 FEV 2009

  • Lei 9.610, de 19/02/1998 (parte)
    Título VII – Das Sanções às Violações dos Direitos Autorais
    Capítulo II -Das Sanções Civis
    Art. 104. Quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, será solidariamente responsável com o contrafator, nos termos dos artigos precedentes, respondendo como contrafatores o importador e o distribuidor em caso de reprodução no exterior.
    Art. 105. A transmissão e a retransmissão, por qualquer meio ou processo, e a comunicação ao público de obras artísticas, literárias e científicas, de interpretações e de fonogramas, realizadas mediante violação aos direitos de seus titulares, deverão ser imediatamente suspensas ou interrompidas pela autoridade judicial competente, sem prejuízo da multa diária pelo descumprimento e das demais indenizações cabíveis, independentemente das sanções penais aplicáveis; caso se comprove que o infrator é reincidente na violação aos direitos dos titulares de direitos de autor e conexos, o valor da multa poderá ser aumentado até o dobro.
  • Lei integral aqui: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm

29 Comentários

  • Raquel

    Denise,
    obrigada por seu trabalho generoso!
    O texto de Beatrice Warde é uma lindeza – eu é que não consegui fazer uma tradução decente (esta mais que mea culpa, é mea maxima culpa!). Corrija à vontade!
    uma abraço

  • Jacqueline

    Raquel

    Eu tenho essa edição e nunca imaginei ser um plágio. É uma obra com vocabulário cuidadoso. No entanto, reparei que há pequenos erros de portugês que se repetem ao longo do livro. Não tenhoa relação deles no momento, mas farei uma lista para você publicar (caso te interesse).

    Um beijo e feliz 2009!

    Jacque

  • Leticia

    Raquel, eu lembro:
    Eu, você e Cris na Bienal. O stand da Landmark com pilhas e pilhas (com apenas três ou quatro títulos…). E você rodou, rodou, rodou dentro daquele stand e acabou não levando nada!
    Nunca conversamos sobre isso, mas acho que uma mosquinha zumbiu a mesma coisa no ouvido de ambas.

    Seria interessante saber dos erros que a Jacqueline detectou. Às vezes, pelo tipo de erro, a gente deduz como o imbróglio foi feito.

  • Raquel

    Jacqueline
    muito obrigada e desejo o mesmo para você!
    Sim, gostaria muito de saber sobre esses erros pois não tenho esse livro.
    Entre em contato, um abraço

  • Raquel

    Leticia,
    é verdade! Eu já não lembro mais o que eu queria na Bienal. Sei apenas que não consegui! Vou aguardar a Jacqueline, também estou curiosa.

  • Adriana Zardini

    Raquel, que coincidência você falar de plágio no seu blog. Hoje eu coloquei um selo de proteçao de direitos autorais no meu. O blog agora é protegido pelas leis brasileiras e pelo Creative Commons.

  • Elaine Dashwood

    Mas que coisa, hein. Resta saber o seguinte: a má-fé é do tradutor ou da editora? Porque ela pode tê-lo contratado por fora e ele resolveu engambelar…

  • Elaine Dashwood

    Ih, esqueçam o que eu disse antes, vi no blog da Denise que o tradutor é dono da editora! E, pelas amostras que li lá, não há dúvida de que ele chupinhou o trabalho da outra tradutora. É impossível (repito: impossível) que duas pessoas traduzam uma obra inteira com tantos trechos coincidentes. Mesmos termos, uso dos mesmos verbos, colocação frasal…. A desculpa de que “a língua portuguesa é a mesma” é risível de tão cínica.

  • Raquel

    Elaine,
    o que mais me chamou atenção foi o”Deixa que eu faço essa tradução” ou como muito bem traduziu Denise: “xácumigo”. Lembro sempre de Al Pacino, querido diabrete: “Vaidade, definitivamente, meu pecado predileto”!

  • Bárbara

    Olá Raquel. Primeiro, muito obrigada pelo comentário no meu blog 😀
    Sobre o post, é uma pena que a editora tenha feito isso, estava tão animada pelas obras que eles estavam trazendo, mas essas coisas me farão pensar duas vezes antes de comprar um livro deles.

  • Raquel

    Bárbara,
    seja bem-vinda ao Jane Austen em português! Eu é que agradeço sua visita.
    Eu também estava muito contente e já imaginava a coleção toda em minha prateleira. Lamentável. Não sei nem o que fazer com as referências que já coloquei aqui no Jane…

  • Ricardo

    Eu acho que isso é coisa de “espríto”, tipo psicografia, hehe.

    Cada um né? Preciso achar um texto do Lobato sobre isso, chamado, claro “O plágio”.
    Bjs

  • Raquel

    Ricardo
    “espríto espérto” esse, hein!
    Por favor, avise quando achar esse texto do Lobato!
    beijocas

  • Rebeca

    vi o texto da Denise. Fico com pena dos tradutores que têm todo o trabalho de traduzir uma obra e ainda ganham uma “merreca”. Já ouvi vários dizerem que é difícil viver de tradução no Brasil. Uma pena…

  • Raquel

    Rebeca
    imagino que seja difícil mesmo pois muitos consideram a possibilidade de plagiar, mundando uma coisinha aqui e outra lá… Lamentável.

  • Jacqueline

    Oi Raquel!

    Estou relendo Persuasão com um marcador para destacar os erros que vi e em breve te envio um e-mail sobre eles, ok?

    Bjos

  • Ana Lucia

    Raquel, desculpe que eu não vi esta parte sobre plágio no seu blog. É realmente um absurdo este tipo de atitude de editoras que devem primar pela verdade e a educação, que devem sempre andarem juntas. No mais, parabéns pela excelência de suas informações.

  • Raquel

    Ana Lucia,
    muito obrigada e você não precisa se desculpar – as pessoas não tem como saber! Eu aqui vou informando o que posso e não dou publicidade sempre que descubro plágios.

  • Anne Marie

    É muito triste descobrir uma situação como essa elencada. Infelizmente não li esse artigo, nem tomei conhecimento do blog, antes de comprar a edição de Persuasão da referida editora – que me encantou na época principalmente por ser bilíngüe [estou estudando e tentando aperfeiçoar meu “English”].
    Felizmente a L&PM abriu a possibilidade de por em ação esse “antigo” projeto de publicar as obras de Miss Austen. Espero que ele saia da prateleira “antigo” para a prateleira “publicar” o quanto antes.
    Com certeza aguardarei pelos livros, não só por terem um preço muito mais simpático [amém], mas também porque as publicações da L&PM têm uma reconhecida qualidade.
    Fiquemos de dedos cruzados agora; L&PM é com vocês!
    Parabéns Raquel, pelo post e pelo alerta.

  • Raquel

    Anne,
    nós não conseguimos imaginar que uma editora faria isso e pior, foi perpetrado por um dos diretores que ainda por cima vangloriou-se da “tradução”.
    Não é triste, é vergonhoso.

  • Raquel

    Anne,
    nós não conseguimos imaginar que uma editora faria isso e pior, foi perpetrado por um dos diretores que ainda por cima vangloriou-se da “tradução”.
    É vergonhoso.

  • Daniela

    Olá Raquel, tenho a coleção completa de livros da Jane Austen e muitos dos livros que tenho são dessa editora! Sinceramente não fazia ideia disso, seu eu tivesse lido seu post antes com certeza não teria comprado! Agora o mais absurdo é que comprei esses livros na Saraiva, acredito que as lojas deveriam ser responsabilizadas por vender livros de editoras acusadas de plágio.
    Confesso que achei a tradução horrível, mas jamais imaginei que além de trabalho “porco” havia fraude! Simplesmente lamentável.

    • Raquel Sallaberry

      Pois é Daniela, e eu estou sendo processada por falar sobre o assunto…