web analytics

Mr. Darcy começou muito bem o primeiro baile, afinal 10 mil libras anuais… enfim. Mas nem bem chegou a metade da festa e já estava com fama de “criatura mais insuportável” que Loungbourne havia conhecido! Em parte porque negava-se a dançar. Vocês sabem, every savage can dance

A surpresa fica por conta deste trecho do capítulo 10, onde ele pergunta para Elizabeth se ela não se sente inclinada a dançar uma “reel”. Na tradução perdeu-se ou não foi possível, creio eu, manter o duplo sentido. Explico: reel é um tipo de música mais popular, menos refinada e Mr. Darcy podia estar fazendo uma ironia sobre a condição social de Elizabeth ou tentando redimir-se e sinceramente querendo dançar naquele momento com ela.

Ela interpretou que ele estava querendo desprezá-la. Com vocês o original e a tradução:

After playing some Italian songs, Miss Bingley varied the charm by a lively Scotch air; and soon afterwards Mr. Darcy, drawing near Elizabeth, said to her —
“Do not you feel a great inclination, Miss Bennet, to seize such an opportunity of dancing a reel?”
She smiled, but made no answer. He repeated the question, with some surprise at her silence.
“Oh!” said she, “I heard you before; but I could not immediately determine what to say in reply. You wanted me, I know, to say “Yes,” that you might have the pleasure of despising my taste; but I always delight in overthrowing those kind of schemes, and cheating a person of their premeditated contempt. I have therefore made up my mind to tell you that I do not want to dance a reel at all — and now despise me if you dare.”
“Indeed I do not dare.” Chapter X

Depois de tocar algumas canções italianas, a senhorita Bingley apresentou uma alegre canção escocesa. Pouco depois, o senhor Darcy aproximou-se de Elizabeth e lhe perguntou:
— A senhorita não se sente inclinada a aproveitar esta oportunidade para dançar?
Ela sorriu, porém não disse nada. Ele repetiu a pergunta, um pouco espantado com o silêncio da moça.
— Oh! — disse Elizabeth — ouvi o que acabou de perguntar, mas na hora não soube o que responder. O senhor queria que eu aceitasse, para ter o prazer de desprezar as minhas preferências; mas eu sempre gosto de perturbar esses estratagemas e roubar às pessoas o lance que premeditam. Resolvi, portanto, responder-lhe que não desejo dançar; e, agora despreze-me, se ousar.
— Asseguro-lhe que não ouso. (trad. Lúcio Cardoso)

PS: Texto inspirado pelo comentário da leitora Beatriz no post abaixo.

Visits: 133

Artigos recomendados

7 comentários

  1. É tão complicado traduzir bem um texto como esse. Cada palavra possui vários significados, expressam diferentes emoções. Essa ironia da Jane, por vezes, é tão sutil que torna-se difícil entender quando ela está presente ou ausente. rs.

  2. A tradução perdeu mesmo muito da ironia do sr. Darcy. Cada vez mais fico feliz por ter lido no original em inglês…

    A propósito, falando de danças, alguém aí sabe qual o nome da música que toca quando Darcy e Lizzie dançam na série de 1995?

  3. Quando li o livro eu vi essa parte como um teste que Sr Darcy estava fazendo com a Lissy, ele poderia estar testando a inteligência dela ou simplesmente tentando uma aproximação.

    Ontem assistir Amor e Inocência, no principio do filme achei que estava assistindo orgulho e preconceito, e no final eu chorei
    mas ainda não consegui formar uma opinião concreta sobre ele.
    Fica a sugestão para um poste sobre ele… afinal é sobre a vida de Jane…

    Estou montando um blog novo e pretendo discutir filmes e livros, tomara que tenha seu apoio.

    Bjs

  4. Gizelli
    é difícil realmente, e o tradutor não pode perder-se em explicações – arrisca-se a perder o ritmo do texto original.

  5. Ana Paula
    Sobre o filme Amor e inocência já está programado um post. Será logo após o último post sobre Tom Lefroy.

  6. Que bom saber que eu inspirei alguma coisa (principalmente relacionada com Mr. Darcy)!
    Na tradução da Ediouro, ficou ”música típica”, ou algo assim… Perdeu-se toda a ironia.
    Cada vez mais fico feliz por ter lido no original em inglês… [2]

    E só mais uma coisa: Esse “Indeed I do not dare” dele é tão charmoso!

Comentários estão encerrado.