Jane Austen em 41 objetos

Jane Austen em 41 objetos é o nome da exposição que teve início em 10 de março na casa museu de Jane em Chawton Cottage e irá até 15 de dezembro, um dia antes do aniversário da autora. Os objetos contam a história de sua vida que foi muito curta, ela faleceu com 41 anos.

Para quem estiver na Inglaterra no período da exposição e for visitar a mostra o Museu avisa que devido a limitação de espaço e empréstimos de outros museus nem todas as peças estarão disponíveis o tempo todo.

Mas há uma ótima notícia, o site mantém a página, “Jane Austen in 41 objects” onde colocará links para os textos contando a história de cada peça e até o momento que escrevo já este post já estão disponíveis os seguintes objetos:

Jane Austen’s Writing Table”, mesa tripé em nogueira do início do século 18 que pertenceu a Jane Austen. (Texto: Madelaine Smith)

Sanditon”, cópia do manuscrito feita por sua irmã Cassandra. (Texto: Professor Mike Biddiss)

Rev. George Austen’s Bookcase”, escrivaninha e armário de livros de mogno em estilo George III que pertenceu ao reverendo George Austen, pai de Jane. (Texto: Mary Hogg)

Sense and Sensibility”, primeira edição 1811 de Razão e sentimento/Razão e sensibildade em três volumes. (Texto: Janet Johnstone)

Silhouettes”, silhueta dos pais de Jane Austen, o reverendo George Austen e a senhora Austen. (Texto: Janet Johnstone)

Jane Austen em 41 objetos

Jane Austen em 41 objetos

Novo filme inspirado na obra de Jane Austen

Um novo filme inspirado na obra de Jane Austen será filmado em Dorset, incluindo Kingston Lacy, Weymouth, Bath e Lyme Regis. Só estas informações já me deixaram entusiasmada pois Lyme é encantadora.

O diretor, Norman Gregory, que vem trabalhando no roteiro por mais de um ano, conta que o filme será sobre dois personagens – de dois livros diferentes – de Austen que se encontram em 1865 em uma barco voltando da França. E acrescenta,

“Quando os livros acabam nós supomos que os personagens vivam felizes para sempre. Este filme trabalha com a premissa que, neste caso, não será assim.”
“Queremos manter o espírito dos personagens que estamos usando, mas ao mesmo tempo tornar o filme um conto mais do século XXI.”

A produtora Carolyn Weldon, da Unreasonable Productions, está muito animada e diz que “o filme será uma reviravolta nos romances de Austen; ela não era uma romântica, per si, e é a ironia em seu trabalho que acho atraente.”

Agora só podemos aguardar as novidades e esperar que não demore muito pois ansiedade não faz bem para saúde! Na verdade já estou ansiosa…

Vamos fazer uma lista quais os prováveis candidatos em nossa opinião?

Novo filme sobre a obra de Jane Austen - Norman Gregory e Carolyn Weldon

Novo filme sobre a obra de Jane Austen – Norman Gregory e Carolyn Weldon

FONTE e FOTO: Dorset Echo

Sanditon 18 de março de 1817

Em 18 de março de 1817, a exatos 200 anos, Jane Austen escreveu as últimas linhas de Sanditon o romance que ficou inacabado pois sua saúde piorou e veio a falecer em 18 de julho, quatro meses depois.

Podemos ver a data no manuscrito, na imagem abaixo, que atualmente pertence ao King’s College, em Cambridge.

Sanditon 18 de março

Sanditon 18 de março

Transcrevo parte do parágrafo final de Sanditon, na tradução de Ivo Barroso, publicado pela editora Nova Fronteira, a qual tive a honra de escrever a introdução:

A casa era ampla e bela. Dois criados apareceram para recebê-las, e tudo tinha um ar de ordem e bem-estar. Lady Denham se vangloriava da amplidão de sua casa e demonstrava grande alegria com a classe e a importância de seu estilo de vida. Foram levadas à sala de visitas habitual, bem-proporcionada e bem-mobiliada, embora houvesse ali móveis que tinham sido belos originalmente e que foram bem-conservados, em vez de móveis novos e ostentosos. E, como lady Denham ainda não estivesse lá, Charlotte teve tempo disponível para olhar ao redor e saber por meio da sra. Parker que o retrato de corpo inteiro do imponente senhor suspenso sobre a lareira e que atraía imediatamente o olhar era o de Sir Henry Denham; e que uma das inúmeras miniaturas que havia em outra parte da sala, pouco visível, representava o sr. Hollis. Pobre sr. Hollis! Era impossível não sentir que o tratavam muito mal: ser obrigado a ficar em segundo plano em sua própria casa e ver o lugar de honra, sobre a lareira, ser ocupado por Sir Henry Denham.

Theresa May sobre Jane Austen

Theresa May, Primeira MInistra da Inglaterra, fala sobre Jane Austen em entrevista concedida a Jason Cowley editor do New Statesman.

O jornalista perguntou:

Austen ou Brontë? Para o caso de você perguntar: qual Brontë? Então vamos dizer Austen ou Charlotte Brontë?

Eu li as duas, mas se eu tivesse que escolher seria Austen. Quando me perguntam sobre o meu livro favorito, eu sempre digo Orgulho e preconceito. Eu às vezes pairo entre Emma e Orgulho e preconceito [mas eu] sempre fico com Orgulho e preconceito. Os diálogos entre Elizabeth Bennet e Darcy – a sagacidade que ela traz para eles [diálogos], eu acho que é simplesmente maravilhoso.

Estamos muito bem de primeira ministra, pois não?

Artigo completo em inglês: “Theresa May: quickfire questions on Jane Austen, late nights and Original Sin

Theresa May

Theresa May, Primeira Ministra da Inglaterra – Foto divulgação Newstatesman

Sanditon, um fragmento – Pride and Possibilities

“Sanditon, um fragmento” é o título do artigo da sétima edição de Pride and Possibilities, da JALFF – Jane Austen Literacy Foundation da qual participo representando o Brasil.

Como muitos de vocês sabem, por vários motivos, tenho um carinho muito grande por essa obra inacabada de Jane Austen. Um deles foi escrever a apresentação do livro para a primeira tradução de Sanditon no Brasil, feita pelo poeta Ivo Barroso.

Quando li o artigo de Emily Prince, editora de Pride and Possibilities, me encantei e resolvi traduzir, com a devida permissão, é claro. O link para o texto original em inglês está no final do artigo.


Sanditon, um fragmento
por Emily Prince

Ler um romance que você sabe que está incompleto é uma experiência terrível. Ler um romance de Jane Austen que você sabe que é inacabado, é uma forma requintada de tortura.

A primeira vez que li Sanditon, eu não esperava gostar tanto, Isso soa estranho vindo de uma leitora como eu, que sempre amei as obras de Jane. Mas minhas expectativas tinham sido atrofiadas pelo conhecimento que essa obra era um rascunho, um fragmento não polido que Jane Austen provavelmente não imaginava  que seria mostrado para o grande público. Basicamente eu esperava algo bem primário, nos primeiros estágios, um peça escrita não nos padrões que nós esperamos encontrar vindo de Jane,

Para aqueles de vocês que já leram Sanditon, tenho certeza que concordarão comigo quando digo que é uma delicia. É mais engraçado do que o suave e reflexivo Persuasão. A marcante sagacidade e incomum ouvido de Jane para diálogos saltam das páginas em personagens que nos exasperam, intrigam e entretêm,  O ridículo Sir Edward Denham numa competição para o mais tagarela, ganharia de lavada de Miss Bates, Mrs. Bennet e Sir John Middleton. Diana Parker mostra uma tendência para hipocondria rivalizando com Mary Musgrove ou Mr. Woodhouse. E quem poderá dizer se o gentil e atraente Sidney Parker findará entre os charmosos canalhas como Willoughby e Wikcham, ou provará ser um herói como Henry Tilney?

Quanto ao enredo – antes de  Jane ficar muito doente a ponto de não conseguir mais escrever ela completou o cenário para que os personagens pudessem atuar. Sanditon, a cidade à beira-mar é um lugar real e vibrante que traz vida às páginas. Na época em que Jane estava escrevendo, as cidades balnearias estavam em crescente popularidade, tanto entre turistas quanto com pessoas que se reuniam para banhos de mar para melhorar a saúde. O leitor vê a cidade através dos olhos curiosos de uma recém-chegada, Charlotte Heywood,dando ao leitor uma generosa visão da identidade da cidade e seus habitantes.

O problema com Sanditon é que promete demais.

É uma verdadeira tristeza quando se está no meio da leitura, a mente correndo para longe, imaginando como a história pode vir a ser, e você percebe que nunca saberá. É como bater de frente numa parede de tijolos que você esqueceu que  estava lá. Não parece natural que esse fragmento que brilha como as obras acabadas de Jane seja apenas isso – um fragmento – e que nunca saberemos como ela poderia ter finalizado ele, e de como suas fantasias e intenções para com os personagens poderiam ter mudado.

Devido à riqueza da introdução que Jane nos forneceu, dezenas de continuações tem sido escritas, incluindo uma de Anna Lefroy, a querida sobrinha de Jane. Devo confessar, eu mesma não li nenhum dessas continuações. Eu temo o desapontamento, ou pior, uma irrevogável alteração na maneira como leio as palavras originais de Jane à luz de um novo enredo. Não é corajoso de minha parte, mas espero que seja compreensível.

De acordo com sua irmã Cassandra, Jane começou a escrever Sanditon em 27 de janeiro, há 200 anos atrás. No dia 18 de março, ela estava muito indisposta para continuar e abandonou seu trabalho após doze capítulos e aproximadamente 25.000 palavras. Aparentemente, ela tinha a intenção de nomear o manuscrito como “Os irmãos.” Foi a sua família que escolheu o nome “Sanditon” em 1925, quando foi publicado pela primeira vez.

Séculos depois, leitores ao redor do mundo continuam lendo e interpretando este fragmento de várias maneiras. O interesse e o entusiasmo conduzido por seu trabalho, nesse estágio preliminar é a evidência do talento único de Jane – se essa é a reação  que seus esboços inspiram, não é nenhum espanto que seus trabalhos completos tenham mantido sua surpreendente longevidade e popularidade.

Sanditon fragmento

Detalhe do manuscrito de Sanditon | Imagem: http://www.janeausten.ac.uk/

The Austen Trio e um recital

O The Austen Trio é composto por Samantha Carrasco (piano), Kate Ham (harpa) e a soprano Helen Neeves. Todas são músicos profissionais e tem muitos anos de experiência como solistas e em conjuntos musicais.

O recital “The Musical World of Jane Austen” que estão apresentando neste ano é uma seleção de músicas que eram muito apreciadas e tocadas por Jane Austen e sua família. Essas músicas são todas oriundas do livro de músicas da família Austen que foi pesquisado  por Samantha Carrasco  como parte de seu doutorado. O programa do recital inclui obras de Haydn, Handel, Dussek, Cramer e compositores populares ingleses da época.

Tem um vídeo maravilhoso na página do Facebook que nos transporta para um mundo tão diferente da vulgaridade dos dias atuais que é um bálsamo. E que harpa linda! Seria a harpa de Miss Crawford? Jane Austen menciona harpas, além da Mansfield Park, em Persuasão, Orgulho e preconceito, Emma e Razão e sentimento.

The Jane Austen Trio página no Facebook

The Austen Trio - Samantha Carrasco (piano), Kate Ham (harpa), Helen Neeves (soprano)

The Austen Trio – Samantha Carrasco (piano), Kate Ham (harpa), Helen Neeves (soprano)