Theresa May sobre Jane Austen

Theresa May, Primeira MInistra da Inglaterra, fala sobre Jane Austen em entrevista concedida a Jason Cowley editor do New Statesman.

O jornalista perguntou:

Austen ou Brontë? Para o caso de você perguntar: qual Brontë? Então vamos dizer Austen ou Charlotte Brontë?

Eu li as duas, mas se eu tivesse que escolher seria Austen. Quando me perguntam sobre o meu livro favorito, eu sempre digo Orgulho e preconceito. Eu às vezes pairo entre Emma e Orgulho e preconceito [mas eu] sempre fico com Orgulho e preconceito. Os diálogos entre Elizabeth Bennet e Darcy – a sagacidade que ela traz para eles [diálogos], eu acho que é simplesmente maravilhoso.

Estamos muito bem de primeira ministra, pois não?

Artigo completo em inglês: “Theresa May: quickfire questions on Jane Austen, late nights and Original Sin

Theresa May

Theresa May, Primeira Ministra da Inglaterra – Foto divulgação Newstatesman

Sanditon, um fragmento – Pride and Possibilities

“Sanditon, um fragmento” é o título do artigo da sétima edição de Pride and Possibilities, da JALFF – Jane Austen Literacy Foundation da qual participo representando o Brasil.

Como muitos de vocês sabem, por vários motivos, tenho um carinho muito grande por essa obra inacabada de Jane Austen. Um deles foi escrever a apresentação do livro para a primeira tradução de Sanditon no Brasil, feita pelo poeta Ivo Barroso.

Quando li o artigo de Emily Prince, editora de Pride and Possibilities, me encantei e resolvi traduzir, com a devida permissão, é claro. O link para o texto original em inglês está no final do artigo.


Sanditon, um fragmento
por Emily Prince

Ler um romance que você sabe que está incompleto é uma experiência terrível. Ler um romance de Jane Austen que você sabe que é inacabado, é uma forma requintada de tortura.

A primeira vez que li Sanditon, eu não esperava gostar tanto, Isso soa estranho vindo de uma leitora como eu, que sempre amei as obras de Jane. Mas minhas expectativas tinham sido atrofiadas pelo conhecimento que essa obra era um rascunho, um fragmento não polido que Jane Austen provavelmente não imaginava  que seria mostrado para o grande público. Basicamente eu esperava algo bem primário, nos primeiros estágios, um peça escrita não nos padrões que nós esperamos encontrar vindo de Jane,

Para aqueles de vocês que já leram Sanditon, tenho certeza que concordarão comigo quando digo que é uma delicia. É mais engraçado do que o suave e reflexivo Persuasão. A marcante sagacidade e incomum ouvido de Jane para diálogos saltam das páginas em personagens que nos exasperam, intrigam e entretêm,  O ridículo Sir Edward Denham numa competição para o mais tagarela, ganharia de lavada de Miss Bates, Mrs. Bennet e Sir John Middleton. Diana Parker mostra uma tendência para hipocondria rivalizando com Mary Musgrove ou Mr. Woodhouse. E quem poderá dizer se o gentil e atraente Sidney Parker findará entre os charmosos canalhas como Willoughby e Wikcham, ou provará ser um herói como Henry Tilney?

Quanto ao enredo – antes de  Jane ficar muito doente a ponto de não conseguir mais escrever ela completou o cenário para que os personagens pudessem atuar. Sanditon, a cidade à beira-mar é um lugar real e vibrante que traz vida às páginas. Na época em que Jane estava escrevendo, as cidades balnearias estavam em crescente popularidade, tanto entre turistas quanto com pessoas que se reuniam para banhos de mar para melhorar a saúde. O leitor vê a cidade através dos olhos curiosos de uma recém-chegada, Charlotte Heywood,dando ao leitor uma generosa visão da identidade da cidade e seus habitantes.

O problema com Sanditon é que promete demais.

É uma verdadeira tristeza quando se está no meio da leitura, a mente correndo para longe, imaginando como a história pode vir a ser, e você percebe que nunca saberá. É como bater de frente numa parede de tijolos que você esqueceu que  estava lá. Não parece natural que esse fragmento que brilha como as obras acabadas de Jane seja apenas isso – um fragmento – e que nunca saberemos como ela poderia ter finalizado ele, e de como suas fantasias e intenções para com os personagens poderiam ter mudado.

Devido à riqueza da introdução que Jane nos forneceu, dezenas de continuações tem sido escritas, incluindo uma de Anna Lefroy, a querida sobrinha de Jane. Devo confessar, eu mesma não li nenhum dessas continuações. Eu temo o desapontamento, ou pior, uma irrevogável alteração na maneira como leio as palavras originais de Jane à luz de um novo enredo. Não é corajoso de minha parte, mas espero que seja compreensível.

De acordo com sua irmã Cassandra, Jane começou a escrever Sanditon em 27 de janeiro, há 200 anos atrás. No dia 18 de março, ela estava muito indisposta para continuar e abandonou seu trabalho após doze capítulos e aproximadamente 25.000 palavras. Aparentemente, ela tinha a intenção de nomear o manuscrito como “Os irmãos.” Foi a sua família que escolheu o nome “Sanditon” em 1925, quando foi publicado pela primeira vez.

Séculos depois, leitores ao redor do mundo continuam lendo e interpretando este fragmento de várias maneiras. O interesse e o entusiasmo conduzido por seu trabalho, nesse estágio preliminar é a evidência do talento único de Jane – se essa é a reação  que seus esboços inspiram, não é nenhum espanto que seus trabalhos completos tenham mantido sua surpreendente longevidade e popularidade.

Sanditon fragmento

Detalhe do manuscrito de Sanditon | Imagem: http://www.janeausten.ac.uk/

The Austen Trio e um recital

O The Austen Trio é composto por Samantha Carrasco (piano), Kate Ham (harpa) e a soprano Helen Neeves. Todas são músicos profissionais e tem muitos anos de experiência como solistas e em conjuntos musicais.

O recital “The Musical World of Jane Austen” que estão apresentando neste ano é uma seleção de músicas que eram muito apreciadas e tocadas por Jane Austen e sua família. Essas músicas são todas oriundas do livro de músicas da família Austen que foi pesquisado  por Samantha Carrasco  como parte de seu doutorado. O programa do recital inclui obras de Haydn, Handel, Dussek, Cramer e compositores populares ingleses da época.

Tem um vídeo maravilhoso na página do Facebook que nos transporta para um mundo tão diferente da vulgaridade dos dias atuais que é um bálsamo. E que harpa linda! Seria a harpa de Miss Crawford? Jane Austen menciona harpas, além da Mansfield Park, em Persuasão, Orgulho e preconceito, Emma e Razão e sentimento.

The Jane Austen Trio página no Facebook

The Austen Trio - Samantha Carrasco (piano), Kate Ham (harpa), Helen Neeves (soprano)

The Austen Trio – Samantha Carrasco (piano), Kate Ham (harpa), Helen Neeves (soprano)

Ilustrações para Mansfield Park da Folio Society

As ilustrações para Mansfield Park da Folio Society tem 23 finalistas concorrendo para ilustrar a mais nova edição da Folio. O vencedor será anunciado em 23 de fevereiro. Vamos escolher um predileto?

Eu vou colocar aqui os que mais gostei entre tantos e deixo o link no jornal The Guardian para vocês me contarem de qual ou quais artistas mais gostaram, combinado? O link: “Illustrating Jane Austen’s Mansfield Park – in pictures

Escolhi dois, bem diferentes no estilo mas muito interessante. A primeira de Nataša Ilinčić é a minha preferida.

ATUALIZAÇÃO: Tem uma página onde podemos votar no ilustrador preferido, onde tem também as respectivas capas: Visitor’s Choice Award. O mais votado pelo público, não necessariamente será o publicado mas ganhará um premio. Eu gostei da capa de Jessica Cho.

Mansfield Park, Folio Society

Nataša Ilinčić, Italy
‘… and sleep seeming to be her likeliest friend, she was taken to finish her sorrows in bed.’

Mansfield Park, Folio Society

Katie Ponder, UK
‘Nobody meant to be unkind, but nobody put themselves out of their way to secure her comfort.’

Outra escultura de Jane Austen

Pelo visto teremos outra escultura de Jane Austen. A notícia me chega via All Things Jane Austen e Jane Austen en Castellano.

O trabalho em andamento é do escultor Robert Truscott que quando perguntado sobre  é algum projeto ele responde:

É apenas para mim como a maioria do que faço. Não sei quem quereria isto. Eu tentei um projeto de escultura pública mas o conselho escolheu peças mais arquitetônicas (em Winchester)

Vamos ver no que dará e torcer para que o conselho em Winchester resolva comissionar esta bela homenagem a nossa Jane!

PS: Como disseram as meninas do Jane Austen en Castellano, a imagem lembra umas das ilustrações de Isabel Bishop para Orgulho e preconceito. Vejam post de acima.

Escultura Jane Austen por RobertTruscott

Escultura Jane Austen por RobertTruscott

 

Jane Austen uma vida em Hampshire

Jane Austen passou quase toda sua vida no condado de Hampshire, exceto pelo período em que esteve em Bath que fica no condado de Somerset. Portanto o condado está empenhado neste bicentenário de Austen em prestar todas as homenagens à autora. E acreditem são muitas homenagens, tanto que criaram um site, Jane Austen 200 – A life in Hampshire que traz toda a programação para este ano especial.

Tenho publicado algumas de suas notícias mas certamente não dou conta de tudo, mas a boa notícia é  que é possível assinar a página receber as novidades por email.

Jane Austen uma vida em Hampshire

Jane Austen uma vida em Hampshire