Sanditon 18 de março de 1817

Em 18 de março de 1817, a exatos 200 anos, Jane Austen escreveu as últimas linhas de Sanditon o romance que ficou inacabado pois sua saúde piorou e veio a falecer em 18 de julho, quatro meses depois.

Podemos ver a data no manuscrito, na imagem abaixo, que atualmente pertence ao King’s College, em Cambridge.

Sanditon 18 de março

Sanditon 18 de março

Transcrevo parte do parágrafo final de Sanditon, na tradução de Ivo Barroso, publicado pela editora Nova Fronteira, a qual tive a honra de escrever a introdução:

A casa era ampla e bela. Dois criados apareceram para recebê-las, e tudo tinha um ar de ordem e bem-estar. Lady Denham se vangloriava da amplidão de sua casa e demonstrava grande alegria com a classe e a importância de seu estilo de vida. Foram levadas à sala de visitas habitual, bem-proporcionada e bem-mobiliada, embora houvesse ali móveis que tinham sido belos originalmente e que foram bem-conservados, em vez de móveis novos e ostentosos. E, como lady Denham ainda não estivesse lá, Charlotte teve tempo disponível para olhar ao redor e saber por meio da sra. Parker que o retrato de corpo inteiro do imponente senhor suspenso sobre a lareira e que atraía imediatamente o olhar era o de Sir Henry Denham; e que uma das inúmeras miniaturas que havia em outra parte da sala, pouco visível, representava o sr. Hollis. Pobre sr. Hollis! Era impossível não sentir que o tratavam muito mal: ser obrigado a ficar em segundo plano em sua própria casa e ver o lugar de honra, sobre a lareira, ser ocupado por Sir Henry Denham.

Sanditon, um fragmento – Pride and Possibilities 7

“Sanditon, um fragmento” é o título do artigo da sétima edição de Pride and Possibilities, da JALFF – Jane Austen Literacy Foundation da qual participo representando o Brasil.

Como muitos de vocês sabem, por vários motivos, tenho um carinho muito grande por essa obra inacabada de Jane Austen. Um deles foi escrever a apresentação do livro para a primeira tradução de Sanditon no Brasil, feita pelo poeta Ivo Barroso.

Quando li o artigo de Emily Prince, editora de Pride and Possibilities, me encantei e resolvi traduzir, com a devida permissão, é claro. O link para o texto original em inglês está no final do artigo.


Sanditon, um fragmento
por Emily Prince

Ler um romance que você sabe que está incompleto é uma experiência terrível. Ler um romance de Jane Austen que você sabe que é inacabado, é uma forma requintada de tortura.

A primeira vez que li Sanditon, eu não esperava gostar tanto, Isso soa estranho vindo de uma leitora como eu, que sempre amei as obras de Jane. Mas minhas expectativas tinham sido atrofiadas pelo conhecimento que essa obra era um rascunho, um fragmento não polido que Jane Austen provavelmente não imaginava  que seria mostrado para o grande público. Basicamente eu esperava algo bem primário, nos primeiros estágios, um peça escrita não nos padrões que nós esperamos encontrar vindo de Jane,

Para aqueles de vocês que já leram Sanditon, tenho certeza que concordarão comigo quando digo que é uma delicia. É mais engraçado do que o suave e reflexivo Persuasão. A marcante sagacidade e incomum ouvido de Jane para diálogos saltam das páginas em personagens que nos exasperam, intrigam e entretêm,  O ridículo Sir Edward Denham numa competição para o mais tagarela, ganharia de lavada de Miss Bates, Mrs. Bennet e Sir John Middleton. Diana Parker mostra uma tendência para hipocondria rivalizando com Mary Musgrove ou Mr. Woodhouse. E quem poderá dizer se o gentil e atraente Sidney Parker findará entre os charmosos canalhas como Willoughby e Wikcham, ou provará ser um herói como Henry Tilney?

Quanto ao enredo – antes de  Jane ficar muito doente a ponto de não conseguir mais escrever ela completou o cenário para que os personagens pudessem atuar. Sanditon, a cidade à beira-mar é um lugar real e vibrante que traz vida às páginas. Na época em que Jane estava escrevendo, as cidades balnearias estavam em crescente popularidade, tanto entre turistas quanto com pessoas que se reuniam para banhos de mar para melhorar a saúde. O leitor vê a cidade através dos olhos curiosos de uma recém-chegada, Charlotte Heywood,dando ao leitor uma generosa visão da identidade da cidade e seus habitantes.

O problema com Sanditon é que promete demais.

É uma verdadeira tristeza quando se está no meio da leitura, a mente correndo para longe, imaginando como a história pode vir a ser, e você percebe que nunca saberá. É como bater de frente numa parede de tijolos que você esqueceu que  estava lá. Não parece natural que esse fragmento que brilha como as obras acabadas de Jane seja apenas isso – um fragmento – e que nunca saberemos como ela poderia ter finalizado ele, e de como suas fantasias e intenções para com os personagens poderiam ter mudado.

Devido à riqueza da introdução que Jane nos forneceu, dezenas de continuações tem sido escritas, incluindo uma de Anna Lefroy, a querida sobrinha de Jane. Devo confessar, eu mesma não li nenhum dessas continuações. Eu temo o desapontamento, ou pior, uma irrevogável alteração na maneira como leio as palavras originais de Jane à luz de um novo enredo. Não é corajoso de minha parte, mas espero que seja compreensível.

De acordo com sua irmã Cassandra, Jane começou a escrever Sanditon em 27 de janeiro, há 200 anos atrás. No dia 18 de março, ela estava muito indisposta para continuar e abandonou seu trabalho após doze capítulos e aproximadamente 25.000 palavras. Aparentemente, ela tinha a intenção de nomear o manuscrito como “Os irmãos.” Foi a sua família que escolheu o nome “Sanditon” em 1925, quando foi publicado pela primeira vez.

Séculos depois, leitores ao redor do mundo continuam lendo e interpretando este fragmento de várias maneiras. O interesse e o entusiasmo conduzido por seu trabalho, nesse estágio preliminar é a evidência do talento único de Jane – se essa é a reação  que seus esboços inspiram, não é nenhum espanto que seus trabalhos completos tenham mantido sua surpreendente longevidade e popularidade.

Sanditon fragmento

Detalhe do manuscrito de Sanditon | Imagem: http://www.janeausten.ac.uk/

Lady Susan, Os Watson e Sanditon L&PM

Iniciar o ano com Jane Austen no Brasil é bom demais! A editora L&PM me mandou neste instante a capa de Lady Susan, Os Watson e Sanditon e avisa que já está na gráfica. A tradução é de Rodrigo Breunig e as capas de Birgit Amadori.

E sim, é Os “Watson” pois podemos usar tanto o plural como o singular em sobrenomes quando nos referimos a uma família e neste caso foi usado o padrão da editora .

E tem mais, vejam o post seguinte!

Vocês podem ler um trecho e outros detalhes no site da editora: Lady Susan, Os Watson e Sanditon.

Lady Susan, Os Watson e Sanditon

Caixa Jane Austen da Nova Fronteira

Esta caixa de Jane Austen da editora Nova Fronteira está um luxo, em primeiro lugar porque as traduções são de Ivo Barroso e depois porque o projeto gráfico de Leandro Liporage é de uma elegância ímpar.

Diferente das primeiras edições, as capas dos livros da caixa são capas comuns conforme informa o site da Amazon onde está à venda por R$ 76,48 neste link: Jane Austen – Caixa.

Os livros são duas das traduções de Ivo: Razão e sentimento e as Novelas Inacabadas: Os Watsons e Sanditon e para quem não conhece essas edições acrescentos os detalhes pré e pós-textual:

Razão e sentimento
Apresentação de Leonardo Fróes: “Ironias e tramas de uma artista da palavra”.
Pósfacio de D. W. Harding: “O suposto formato epistolar de Razão e sentimento”.
Artigo de Raquel Sallaberry Brião: “Devotos sem pregações”.
Imagens de capas: “Razão e sentimento pelo mundo”.

Novelas inacabadas: Os Watsons e Sanditon
Apresentação: Raquel Sallaberry Brião

Caixa Jane Austen - Nova Fronteira

Sanditon, o filme

Sanditon, a novela incompleta de Jane Austen, estreará no cinema em 2017.

Sanditon, foi traduzido para o português pelo poeta Ivo Barroso e lançado pela editora Nova Fronteira em 2013 juntamente com outro manuscrito com o título, Novelas inacabadas: Os Watsons e Sanditon.

O roteiro se baseará no manuscrito de Jane Austen e também no livro de Marie Dobbs que deu continuidade e finalizou a novela em 1975, é o que informa a produtora Fluidity Films.

O elenco, pelo o que podemos deduzir, será muito bom., pois já anunciaram Charlotte Rampling para o papel de Lady Denham. Agora é só segurar a ansiedade e espera que a estréia seja nos primeiros meses de 2017!

Sanditon filme

Oh! pobre Sanditon…

Quando folheava a minha nova coleção da Penguin Classics Clothbound, meu olhos foram direto para a Cronologia e o que vejo? A querida Sanditon grafada como “Sandiston”! O erro ocorreu somente nos exemplares de Northanger Abbey e Persuasion.

Pobre Sanditon… Não bastava a quantidade de gente que escreve (e fala!) “Sandition”?

Está claro que foi um erro no arquivo o que pode ocorrer com qualquer um e tenho certeza que a Penguin tem o maior cuidado com seus textos, mas sempre escapa um diabinho! Como diagramadora estou até agora fazendo conta de cabeça para saber como esse erro específico aconteceu. Ainda não consegui entender como esse “s” foi parar aí.

sandiston