Novelas Inacabadas na Biblioteca Nacional de Portugal

As Novelas Inacabadas de Jane Austen estão na Biblioteca Nacional de Portugal, junto com a edição comemorativa de Razão e sentimento, e já disponíveis para o público como vocês podem ver neste link. Fica o aviso para as Janeites de Portugal, em especial as de Lisboa.

Em maio deste ano minha amiga Rita Watts do All Things Jane Austen participou de um evento em Portugal em homenagem a Jane Austen e entregou em meu nome o box da Nova Fronteira na tradução de Ivo Barroso e apresentação minha das Novelas Inacabadas: Os Watsons e Sanditon e posfácio de Razão e sentimento, para a Biblioteca Nacional de Portugal.

Ao dar uma olhada no acervo da biblioteca vejo que preciso comprar ainda muitos livros de Jane Austen em traduções portuguesas e também relembrei leituras comparadas que fiz com a amiga Cátia Pereira. Um dia volto para esses estudos!

Novelas Inacabadas Biblioteca Portugal

Novelas Inacabadas Biblioteca Portugal – Box Nova Fronteira

 

Ivo Barroso: tradução de Razão e Sentimento

Já escrevi sobre a tradução de Razão e sentimento por Ivo Barroso, mas esta semana Ivo gravou um vídeo especial para explicar suas razões pela escolha do título para Sense and Sensibility no lançamento de um box com três obras da autora publicadas pela editora Nova Fronteira.

Vocês podem também reler a entrevista que fiz em 2010 sobre suas traduções: “Ivo Barroso: entrevista sobre Jane Austen”.

Há também uma deliciosa carta escrita pelo tradutor para Paulo Francis  sobre a tradução do título de Sense and Sensibility que Ivo me presenteou para publicar no Jane Austen em Português: “Ivo Barroso: as razões da tradução”.

Caso o vídeo deixe funcionar acesse o You Tube do Grupo Ediouro.

Razão e sentimento: doença red gum

Em Razão e sentimento, no capítulo 37, ficamos sabendo que o bebê do casal Palmer está com red gum, uma doença comum em recém-nascidos. Charlotte, mãe de primeira viagem fica muito aflita mas a senhora Jennings, sua mãe, tenta acalmá-la dizendo que não é nada demais.

Razão e Sentimento bebê Palmer

Razão e Sentimento Bebê Palmer – Ilustração de Hugh Thomson

Segue o texto em inglês desse episódio para que vocês possam comparar as sete traduções que tenho no meu acervo e no final responder para a leitora Dandara Machado o que descobri sobre a doença e as diferentes traduções.

When I got to Mr. Palmer’s, I found Charlotte quite in a fuss about the child. She was sure it was very ill–it cried, and fretted, and was all over pimples. So I looked at it directly, and, ‘Lord! my dear,’ says I, ‘it is nothing in the world, but the red gum–‘ and nurse said just the same. But Charlotte, she would not be satisfied, so Mr. Donavan was sent for; and luckily he happened to just come in from Harley Street, so he stepped over directly, and as soon as ever he saw the child, be said just as we did, that it was nothing in the world but the red gum, and then Charlotte was easy. (Grifos meus)

As duas traduções, as mais antigas, de Dinah Silveira de Queiroz (1944) e de Mário da Costa Pires de (1961), optaram por erupção natural em recém-nascidos ou simplesmente erupção na pele.

Quando cheguei em casa de Palmer encontrei Charlotte muito alarmada por causa do bebê. Tinha certeza de que estava doente… o pequeno chorava, estava irritado e cheio de bolhas. Ora, querida, disse-lhe eu, não é nada grave. É apenas uma erupção natural nos recém-nascidos, E a enfermeira também dizia o mesmo, Mas Charlotte não se deixava convencer. Mandou chamar o Dr. Donavan; felizmente ele acabava de sair de Harley-Street e atendeu logo. Assim que viu a criança, disse justamente o que tínhamos dito. Não era nada de grave. Então Charlotte ficou tranquila.
| Razão e sentimento, trad. Dinah Silveira de Queiroz. José Olympio, 1944.

Quando cheguei a casa de Mrs. Palmer encontrei a Charlotte num alvoroço por causa do filho., Tinha a certeza de que ele estava doente… e gritava e arrepelava-se que eram borbulhas. Olhei imediatamente para a criança e disse, «Senhor, minha querida, não passa de uma erupção na pele»; a ama disse o mesmo. Mas Charlotte não ficou convencida e mandou chamar Mr. Donavan; felizmente encontram-no quando vinha de Harley Street, por isso chegou imediatamente e logo que viu a criança diagnosticou o mesmo que nós , que não era outra coisa senão erupção na pele e Charlotte ficou descansada.
Razões do coração, trad. Mário da Costa Pires. Romano Torres, 1961.

As próximas três, de Ivo Barroso, Maria Luisa Ferreira da Costa e Therezinha Monteiro Deutsch foram traduzidas por sarampo.

Quando cheguei em casa de Charlotte, fui encontrá-la agitadíssima por causa da criança, que julgava estar muito mal, chorando, enjoadinha e cheia de bolhas. Fui olhando para ela e disse logo, “Ah! bom Deus! ainda bem que não passa de sarampo”; e a ama disse exatamente a mesma coisa. Mas Charlotte não ficou satisfeita e mandou chamar o Dr. Donavan, que por sorte vinha chegando na rua e entrou direto para ver a criança, confirmando o que eu dissera, que a história não passava de sarampo. Com isto, Charlotte ficou mais calma.
Razão e sentimento, trad. Ivo Barroso. Nova Fronteira, 1982.

Quando cheguei a casa de Mr. Palmer, encontrei Charlotte agitadíssima por causa da criança. Estava convencida de que ela estava muito doente… chorava, estava mal-disposta e cheia de bolhas, Olhei imediatamente para ela, «Santo Deus, minha querida!», disse eu.  «Não pode ser mais nada senão sarampo». E a enfermeira disse o mesmo exactamente o mesmo. Mas Charlotte não ficou satisfeita;  portanto, chamou-se o Dr. Donavan. Felizmente, ele acava de vir de Harley Street, por isso veio imediatamente e, logo que viu a criança, disse o mesmo que nós, que era sarampo apenas, e então Charlotte ficou descansada.
Sensibilidade e bom senso, trad, Maria Luisa Ferreira da Costa. Europa América, 2001

Quando cheguei à casa do sr. Palmer, encontrei Charlotte nervosíssima por causa da criança. Minha filha tinha a mais absoluta certeza de que o bebê estava muito doente… Ele chorava, agitava-se e estava todo coberto de pontinhos vermelhos, Olhei-o com atenção e disse: “Oh, Deus! Minha querida, isto não é  mais nada do que sarampo.”A enfermeira dissera a mesma coisa. No entanto, Charlotte não se conformava, por isso chamamos o Sr. Donavan. Felizmente ele estava chegando da Harley Street bem naquele momento e dirigiu-se para a casa dos Palmer sem demora; quando viu a criança disse o que havíamos dito, que nada mais era do que sarampo.
Razão e sensibilidade, trad. Therezinha Monteiro Deutsch. BestBolso, 2001.

As duas traduções mais recentes são parecidas mas não exatamente iguais. Rodrigo Breunig traduz a primeira ocorrência como erupção de gengiva inflamada e a seguinte como erupção em recém-nascido. Alexandre Barbosa de Souza traduz, com pequena variação nas duas ocorrências como, são apenas os dentes de leite e nada além dos dentes de leite.

Quando cheguei à casa do sr. Palmer, encontrei Charlotte bastante atarantada em função da criança. Charlotte tinha certeza que ela estava muito mal, a criança chorava, e se atormentava e tinha a sua pele toda embolotada. Então olhei para ela de perto e “!Deus! Minha querida”, disse eu, “nada é nada grave, é somente uma erupção de gengiva inflamada, e a ama disse o mesmo. Mas não havia como deixar Charlotte satisfeita, então mandamos chamar o sr. Donavan; e felizmente ocorreu que ele acabava de chegar de Harley Street, de modo que veio logo em seguida, e no mesmo instante que botou os olhos na criança ele repetiu exatamente o que tínhamos dito, que não era nada grave, que era somente uma erupção de recém-nascido, e com isso Charlotte de acalmou.
Razão e sentimento, trad. Rodrigo Breunig. Editora L&PM, 2012

Quando cheguei à casa do sr. Palmer, achei Charlotte muito agitada com o bebê. Ela tinha certeza de que ele estava muito doente – ele chorava, estava irritadiço, e todo cheio de brotoejas. Então olhei bem para ele e “Santo Deus, minha cara” eu disse, “são apenas os dentes de leite”; e a babá achou a mesma coisa. Mas Charlotte não se deu por satisfeita, então chamamos o senhor Donavan; e, por sorte, ele tinha acabado de vir da Harley Street, de modo que foi diretamente para lá, e, assim que pôs os olhos no menino, disse o mesmo que nós, que não era nada além dos dentes de leite, e então Charlotte se acalmou,
Razão e sensibilidade, trad. Alexandre Barbosa de Souza. Cia. das Letras, 2012

Comecei a pesquisa nos dicionários onde a palavra gum é definida primeiro como “gengiva” e depois “goma” mas não encontrei a doença. Na busca da internet o termo completo remete para gengivite e dá exemplos de pessoas com dentição adulta.

Até este ponto as “erupções” e o “sarampo” me pareciam os termos mais corretos. Apesar da irritabilidade e choro do bebê, sintomas típicos da fase de dentição, seria pouco provável pois o bebê Palmer tinha apenas quinze dias de vida.

Lembrei então da minha edição anotada de Sense and Sensibility de David M. Shapard. E lá estavam as erupções  e novamente a dentição (teething), baseada na reação de choro e irritação da criança. Com estas novas informações as dúvidas voltaram.

Red Gum - Sense and Sensibility, David Shapard

Red Gum – Sense and Sensibility, David Shapard

Já conformada e acreditando que o pequeno Palmer só para irritar os pais começara a dentição precocemente, procurei o livro Jane Austen and Children de David Selwyn mencionado por Shapard. Em primeiro lugar a citação (abaixo) no livro de Selwyn é do obstetra Alexander Hamilton em seu livro A Treatise of Midwifery publicado em 1780. E para minha surpresa não tem referência aos dentes mas sim uma explicação interessante sobre o sarampo. Traduzo após box.

Red Gum - Jane Austen and Children, David Sewlyn

Red Gum – Jane Austen and Children, David Sewlyn

Red Gum – é uma erupção de pequenas brotoejas, como uma erupção cutânea, a qual, em muitas crianças surge em todo corpo logo após o nascimento; na maioria das vezes desaparece de repente sem causar qualquer inconveniência para a criança, vai e vem, enquanto a mãe estiver amamentando. Se diferencia do sarampo pela ausência dos sintomas e pelo tempo de duração do ataque de sarampo. Pouco há que se fazer, mais do que observar o estado da barriga e tomar cuidado para que o quarto ou as roupas da criança não estejam quentes demais.

A partir daí fui até os confins do Google onde encontrei uma ilustração no Pinterest com informações de uma doença chamada “Strophulus”, também conhecida como red gum e caracterizada por erupções, comum em crianças (só não mencionam a idade). Fonte original: Encyclopaedia Londinensis, or, Universal Dictionary of Arts, Sciences, and Literature, publicado em 1810.

A última pesquisa foi no site da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) onde diz que o sarampo também ocorre em recém-nascidos.

Eu descartaria o problema da dentição e gostaria muito de saber a opinião de um médico para ver se tem algum nome específico para essa doença, em português; se é um tipo de sarampo mais brando que só aparece em recém-nascidos; ou se é uma doença antiga que não ocorre mais.

Para encerrar é preciso que se diga que os tradutores tentam sempre a melhor tradução, e a melhor tradução é a que o leitor vai entender de pronto, ou eles teriam que colocar muitas notas de rodapé. Por exemplo, mesmo não sendo um tipo de sarampo, não perdemos o entendimento do texto, pois é uma doença de pele. Sem contar que até pouco tempo não tínhamos a internet para pesquisar. É vida de tradutor não é fácil!

Jane Austen coleção Clássicos Para Todos

Jane Austen está também na coleção Clássicos Para Todos da editora Saraiva. As traduções são as mesmas da Nova Fronteira, de Lúcio Cardoso para Orgulho e preconceito e de Ivo Barroso para Razão e sentimento.

São edições em materiais mais modestos, capa mole por exemplo, mas sempre com a qualidade do texto. Ambos , no final do texto, trazem uma nota “Sobre a autora”. Orgulho e preconceito tem como introdução a “Nota do tradutor” e Razão e sentimento o artigo que escrevi para a edição comemorativa, “Devotos sem pregações”.

Com os dois exemplares aqui em casa agora me resta esperar que lancem Emma em breve!

A coleção Clássicos Para Todos tem não só clássicos mundiais mas também nacionais. Entre os nacionais meus cobiçados são, A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo e o adorável O Alienista de Machado de Assis. Deste último tenho um volume muito feinho e preciso trocar urgente!

Importante: venda exclusiva na livraria Saraiva. Para quem não tem uma loja física próxima a compra pode se efetuada no site da Saraiva, que tem ótimas promoções.

Jane Austen Clássicos Para Todos Editora Saraiva

Jane Austen Clássicos Para Todos Editora Saraiva

Jane Austen na editora Nova Fronteira

A editora Nova Fronteira publicou Jane Austen este ano duas vezes como vocês já leram aqui no blog: sobre as Novelas inacabadas: Os Watsons e Sanditon e a edição comemorativa ilustrada de Razão e sentimento e por último sobre as  capas de nova caixa com três romances de Austen, sobre a qual darei mais detalhes neste post.

Ontem recebi o última caixa, ou box como queiram chamar, com os três romances completos de Jane Austen que fazem parte do acervo de traduções da editora: Orgulho e preconceito na tradução de Lúcio Cardoso e Razão e sentimento e Emma, ambos traduções de Ivo Barroso.

Vamos aos detalhes pois o capricho da editora é um dos destaques desta nova caixa em papelão duro e muito bem acabado. As ilustrações das capas e das folhas opostas aos frontispícios são de Rafael Nobre. E creio que as guardas, que ilustram as lombadas e estão belíssimas, sejam dele também.

Projeto gráfico de miolo e diagramação são detalhes que mais prezo nos livros e o da Filigrana está discreto e elegante. Não adianta belas imagens se o miolo for algo difícil para os olhos.

As textos adicionais em Razão e sentimento são:  “Ironias e tramas de uma artistas da palavra” de Leonardo Fróes, “O suposto formato epistolar de Razão e sentimento” de D. W. Harding e “Devotos sem pregações” de Raquel Sallaberry Brião, essa que vos fala.

Emma tem somente uma nota biográfica da autora, como em todos os outros. Orgulho e preconceito traz a “Nota do Tradutor”que tem sido publicada desde a sua primeira edição em 1940.

A caixa está na pré-venda com previsão de entrega para 26 de junho. Está com ótimo preço na Amazon e em também na Saraiva e na Livraria da Folha.

Jane Austen Nova Fronteira Box com três livros

Jane Austen Nova Fronteira Box com três livros

Jane Austen Nova Fronteira guardas ilustradas

Jane Austen Nova Fronteira guardas ilustradas

Os livros não são ilustrados. As únicas imagens do miolo são as das folhas opostas ao frontispícios, que são as mesmas das capas. Imagem abaixo .

Caixa Jane Austen Nova Fronteira imagens opostas ao frontispício

Caixa Jane Austen Nova Fronteira imagens opostas ao frontispício

 

Capas Jane Austen caixa Nova Fronteira

Chegaram neste momento as capas dos livros da caixa Jane Austen publicados pela editora Nova Fronteira. Vejam só que lindas!

Os livros são Orgulho e preconceito, tradução de Lúcio Cardoso; Emma e Razão e sentimento, ambos tradução de Ivo Barroso. A caixa já está na pré-venda na livraria Saraiva com previsão de lançamento em 26 de junho.

A editora me mandou as imagens antes da caixa pois eu estava quase infartando de curiosidade e claro, doida para mostrar para vocês, queridos leitores!

Quando a caixa chegar aqui em casa farei mais fotos e darei detalhes do miolo, da capa e das ilustrações. Prometo.

Capa de Orgulho e Preconceito Caixa Nova Fronteira

Capa de Orgulho e Preconceito Caixa Nova Fronteira

Capa de Razão Sentimento caixa Nova Fronteira

Capa de Razão Sentimento caixa Nova Fronteira

Capa de Emma caixa Nova Fronteira

Capa de Emma caixa Nova Fronteira

Grandes Obras de Jane Austen – Caixa Nova Fronteira

A caixa Grandes Obras de Jane Austen, da editora Nova Fronteira, com os romances Orgulho e preconceito, Razão e sentimento e Emma, em capa dura, já está em pré-venda na Amazon neste link. O preço com desconto neste momento que publico é de R$ 97,66. Belíssima edição para prestigiar o bicentenário da morte de Jane Austen!

Adendo: tem na Saraiva também. E a previsão  de disponibilidade em estoque para ambas é 26 de junho.

Assim que tiver a caixa em mãos, coloco fotos e detalhes de cada livro individualmente pois no momento temos apenas as lombadas como você podem ver na imagem abaixo.

SINOPSE
Jane Austen foi uma das romancistas mais populares da literatura mundial. Publicados originalmente no século XIX, seus livros causam encantamento no público até hoje e já ganharam diversas adaptações no cinema e na TV. Neste boxe especial da Nova Fronteira, encontram-se as três obras mais importantes da carreira da escritora inglesa, com as renomadas traduções de Lucio Cardoso e Ivo Barroso. Orgulho e preconceito é uma comédia de costumes em que Jane Austen mostra os perigos do julgamento à primeira vista e evoca as amizades, fofocas e vaidades da classe média provinciana. Em Razão e sentimento, as irmãs Dashwood, após a morte do pai, terão que lidar com as convenções de uma sociedade extremamente rígida, em que sofrerão as desilusões e os desafios da busca pelo amor. Já Emma narra a história de uma menina linda, inteligente e rica que acredita que não precisa de envolvimentos amorosos. Porém, ao tentar resolver a vida romântica dos outros, a inexperiência e os erros de julgamento sobre as próprias emoções rendem a Emma muitas surpresas e decepções. Um boxe imperdível para os fãs de um bom romance.

Caixa Grandes Obras de Jane Austen - Editora Nova Fronteira

Caixa Grandes Obras de Jane Austen – Editora Nova Fronteira

Livros de Jane Austen em versão Amish

Encontrei livros inspirados na obra de Jane Austen em versão Amish que despertaram minha curiosidade. Para quem não conhece, os Amish são um grupo religiosos cristãos de costumes bem conservadores que moram nos Estados Unidos e Canadá e que tem um modo de vida bastante simples não usando equipamentos eletrônicos, telefones, automóveis etc.

A autora dessa série, até o momento com cinco livros, é Sarah Price. Não posso dizer quase nada pois não li mas é possível ter uma ideia das adaptações lendo as sinopses da Amazon (colocarei o link em cada título). Detalhe: não entendi o motivo de não terem modificado o título de Sense and Sensibility.

Sense and Sensibility
First Impressions (Pride and Prejudice)
Mount Hope (Mansfield Park)
The Matchmaker (Emma)
Second Chances (Persuasioo)

PS: Se e quando sair uma versão de Northanger Abbey atualizo este post.

Jane Austen versão Amish

Livros de Jane Austen em versão Amish

Sense and Sensibility capa em tricô

Esta capa ou projeto, não consegui descobrir muito mais, de Sense and Sensibility em tricô era tudo que eu queria ganhar no Natal!

Via All Things Jane AustenWSA Library

Sense and Sensibility em tricô

Caixa Jane Austen da Nova Fronteira

Esta caixa de Jane Austen da editora Nova Fronteira está um luxo, em primeiro lugar porque as traduções são de Ivo Barroso e depois porque o projeto gráfico de Leandro Liporage é de uma elegância ímpar.

Diferente das primeiras edições, as capas dos livros da caixa são capas comuns conforme informa o site da Amazon onde está à venda por R$ 76,48 neste link: Jane Austen – Caixa.

Os livros são duas das traduções de Ivo: Razão e sentimento e as Novelas Inacabadas: Os Watsons e Sanditon e para quem não conhece essas edições acrescentos os detalhes pré e pós-textual:

Razão e sentimento
Apresentação de Leonardo Fróes: “Ironias e tramas de uma artista da palavra”.
Pósfacio de D. W. Harding: “O suposto formato epistolar de Razão e sentimento”.
Artigo de Raquel Sallaberry Brião: “Devotos sem pregações”.
Imagens de capas: “Razão e sentimento pelo mundo”.

Novelas inacabadas: Os Watsons e Sanditon
Apresentação: Raquel Sallaberry Brião

Caixa Jane Austen - Nova Fronteira

O Quinze e uma citação. Será Jane Austen?

Terminei de ler O Quinze, romance de Rachel de Queiróz, tradutora da primeira edição de Mansfield Park no Brasil (1942). Gostei muito do romance mas não é este motivo do post e sim uma citação que me remeteu a Jane Austen.

O Quinze, Rachel de QueirózRachel assim como Jane Austen era muito jovem quando em 1930 escreveu O Quinze, título que se refere à grande seca de 1915 no nordeste brasileiro. As duas personagens principais são Mãe Nácia, dona de uma fazenda e avó da protagonista, Conceição, que mora em Fortaleza onde trabalha como professora mas sempre visita a avó nas férias. A moça gosta do primo Vicente, também filho de fazendeiro e que diferente do irmão com cargo de promotor, tornou-se um dedicado vaqueiro. Conceição é uma moça moderna, culta e cheia de idéias na cabeça e Vicente um rapaz de ótimo caráter mas sua vida é a fazenda. O amor dos primos é difícil.

Quando chega a seca, aquela seca de abrasar a terra, todos que podem vão para as cidades, incluindo os pobres como Chico Bento e sua família que acabam num Campo de Concentração (conhecido como currais) onde recebiam parca ajuda do governo e a caridade de particulares. Nesse local Conceição ajudava usando todo seu ordenado com alimentos e remédios para os doentes e sua vó a reprendia pelo excesso de zelo:

[…] ela respondia, rindo: – Mãe Nácia, eu digo como a heroína de um romance que li outro dia: ”Não sei amar com metade do coração…” Ao que a avó respondia, aborrecida: – Pois vá-se guiando por heroína de romance, e depois não acabe tísica… Mas apesar de censurar os exageros da neta, seu coração de velha avó todo se confrangia e mortificava com a mortandade horrorosa que aquele novembro impiedoso ia espalhando debaixo dos cajueiros do Campo.

Quando li a citação da heroína, de imediato lembrei de Marianne Dashwood e corri para a primeira tradução, a de Dinah Silveira de Queiroz, capítulo 50:

Mariana nunca poderia amar por meio termo; e em tempo, o seu coração foi tão dedicado a seu marido como havia sido outrora a Wiloughby.

Depois me dei conta que a tradução de Razão e sentimento de Dinah foi publicado em 1944 e O quinze em 1930. De todo modo o sentido é esse mesmo e transcrevo o original e a tradução de 1982 de Ivo Barroso que se aproxima mais do texto do livro de Rachel:

Marianne could never love by halves; and her whole heart became, in time, as much devoted to her husband, as it had once been to Willoughby. cap  50

Marianne não sabia amar pela metade e todo seu coração veio, com o tempo, a devotar-se ao marido, como se havia outrora devotado a Willoughby. (trad.  Ivo Barroso)

A alegria de imaginar que Jane Austen já estava sendo lida no Brasil bem antes de 1940, quando foi publicado a primeira tradução, (Orgulho e preconceito) foi imensa, mas a lógica continua a fazer e refazer a pergunta: será mesmo  uma referência à obra de Jane Austen?

Pensem comigo: não é a heroína, Marianne Dashwood, que diz que não sabe amar pela metade, mas a narradora onisciente. Esse detalhe será irrelevante como citação? Poderá ser outro livro, outra heroína, que terá dito a mesma coisa ou algo semelhante?

Se alguém conhece outra heroína que também não sabe amar pela metade, por favor, me avisem!

Dorothy Whipple, uma Jane Austen do século XX?

O escritor J. B. Priestley comentou que a autora inglesa Dorothy Whipple (1893-1966) teria sido a Jane Austen do século XX. Com vocês uma resenha do caro amigo e leitor, Enzo Potel, do livro Someone at a Distance para vocês conhecerem a escritora e descobrir se concordamos com o elogio de Priestley.

“UMA EDITORA, UM LIVRO, UMA COMPARAÇÃO”
Enzo Potel
A Letra Escargot

UMA EDITORA, UM LIVRO, UMA COMPARAÇÃO

Dorothy WhippleDividi esse texto em três partes para que você possa ir direto ao que interessar. A primeira parte é um comentário sobre a editora Persephone Books para quem nunca ouviu falar (ou para quem já está viciado nas capas cinzas que abarrotam o instagram e o booktube em língua inglesa!), a segunda é sobre minha leitura de Someone at a Distance, da Dorothy Whipple, e a última é sobre a comparação de que a Whipple seria a Jane Austen do século XX.

A EDITORA

A Persephone Books já existe há uns quinze anos. É uma editora inglesa, que tem até loja própria em Londres, e que publica (em geral) livros escritos por mulheres, ou melhor: coloca de volta no mercado bons livros escritos em língua inglesa por mulheres do século passado e que acabaram caindo no esquecimento. Romances, volumes de contos, diários, memórias, livros feministas, livros de receitas, e várias outras preciosidades. A qualidade física do objeto também cativa: os livros seguem um padrão de capa cinza elegante, com uma estampa colorida interna específica para cada título. E dos mais de cem títulos, há uma seleção dos onze mais vendidos, que ganharam capas com alguma pintura, seguindo uma linha bookshop-friendly. O site da Persephone também é uma maravilha à parte: não só bonito, mas muito funcional e cheio de diálogo entre editora >livro >leitor >editora.

O tipo de história que você encontra nos livros da Persephone vai desde, por exemplo, Harriet de Elizabeth Jenkins – livro de 1934 que recria a história real da moça que abandonou a família rica para viver com um homem que a fez morrer de fome em 1877 – até um volume de poemas como It’s Hard to Be Hip Over Thirty (1968) de Judith Viorst. Vale comentar que Elizabeth Jenkins escreveu uma biografia de Jane Austen, publicada em 1936. Mas o forte mesmo me parece a ficção inglesa amplamente consumida na primeira metade do século XX, cujos títulos não sejam “nem literários demais, nem comerciais demais”, e nisso você encontra autoras como a sufragista Cicely Hamilton, a jornalista Mollie Panter-Downes, a romancista Monica Dickens (bisneta de Charles Dickens) e a incrível Marghanita Laski (que além de preciosidades como Little Boy Lost e The Victorian Chaise-Longue publicou Jane Austen and Her World em 1969).

O LIVRO

Someone at a Distance, Dorothy Whipple

O primeiro livro pelo qual me interessei da Persephone foi Someone at a Distance (1953), da Dorothy Whipple.

A história é tão simples que só um gênio faria bem: a desintegração de um casamento feliz depois que o marido abandona esposa e filhos para viver com uma moça vinte anos mais jovem.

Eu comprei esse livro duas vezes, porque a primeira extraviou, e isso gerou vários meses de incerteza entre uma compra e outra. Nesse meio tempo li muitos textos online sobre a obra, até com o objetivo de imaginar que talvez não perdi grande coisa. Alguém fez um vídeo no youtube dizendo que o livro parecia Cranford, da Gaskell, e me deu um certo AFF (foi o único da Gaskell que tentei, e abandonei, acho que no quarto capítulo). Havia resenhas na internet dizendo que Someone at a Distance era bom porém escrito de maneira démodé, e que a protagonista era irritantemente boazinha. Quando experimentei um pouco do primeiro capítulo online na Amazon, não gostei.

Mesmo assim, não matei, ou não morreu, o desejo de ler o livro.

E eis que ele chegou, e eis que em mãos eu senti um terremoto diante da excelência do primeiro capítulo. Aquela minha primeira leitura foi muito mal influenciada por outras coisas, e logo percebi que era impossível que o livro virasse um Cranford quando já bateu em mim tão diferente, e a minha Gaskell nunca vai ser a mesma Gaskell de outra pessoa – talvez nem de mim mesmo daqui uns anos.

Como a Whipple escreve bem. Como as coisas brilham quando aproximadas ou distanciadas – uma frase de cair o queixo aqui, uma informação escondida durante vários capítulos ali. Os personagens são quase tateáveis, e no prefácio diz que a Whipple confessou certa vez: “Eu não gosto de planejar tramas, eu gosto é de construir pessoas”.

Mas construir pessoas é contar histórias, e esse livro é uma teia magnificamente bem tramada. Eu vou mencionar aqui só o nome dos três personagens principais: Ellen é a esposa, Avery é o marido, e Louise é a moça francesa que, depois de alguns caprichos do destino, vai parar na casa deles no interior da Inglaterra. O livro tem 400 páginas e exatamente na metade da narrativa é que está o olho do furacão – Ellen e a filha encontram Avery aos beijos com Louise na sala de estar –, entretanto o deleite em se ler as duzentas primeiras páginas é exatamente testemunhar todos os pequenos e grandes acontecimentos que os personagens podiam ou não ter evitado até que se chegasse àquele momento. E as duzentas páginas posteriores prendem pela escolha (ou não) dos personagens em se atolar mais ainda em erros por causa de um.

Há capítulos maçantes? Sim, são poucos, mas existem. O capítulo dez, com suas quinze páginas sobre uma noite de Natal que não teve nada de especial, me irritou profundamente. Mas como não extasiar-se com o capítulo em que a Louise fica sozinha na casa pela primeira vez, com todo o tempo do mundo para bisbilhotar e invejar o quarto do casal. Quando Ellen e Avery voltam horas depois, Louise está contemplativa fumando um cigarro no jardim e “she was as full of information as a cat of stolen cream and showed as little trace of it.

Essa personagem, Louise, é tão astuta, tão autoconfiante, que acho difícil o leitor não admirá-la em vários momentos. Uma das maiores maravilhas desse livro é que todos os personagens recebem luz da autora, o leitor consegue acessar até a vida dos pais da moça lá na França. E essa proeza – não fazer com que a história da Ellen seja a única interessante do livro – vai ser fundamental para a gente ver a humanidade de cada personagem no antes, no durante e no depois. Até o incrível capítulo 24, onde o sócio do Avery descobre que ele abandonou Ellen e eles têm uma discussão feroz – onde profissionalismo e intimidade são inseparáveis e vão quebrando paredes um do outro –, fica engrandecido pelo fato de que a gente já teve contato com aquele personagem, sua história, sua presença.

Eu poderia continuar aqui por linhas e linhas tentando traduzir para vocês a grandeza e importância dessa obra, e consequentemente a grandeza e a importância da Persephone Books por nos resgatar essa e tantas lindezas literárias, mas vou para um comentário final: Someone at a Distance foi publicado na década de 50 mas ignorado porque, como disse o editor para a escritora, “editors are going mad for action and passion”. O gosto do público mudou depois da 2ª Grande Guerra: as histórias que trabalham o mistério do dia-a-dia, os tormentos mais sutis, não interessavam mais. Whipple era uma best-seller antes, Someone at a Distance foi imediatamente percebido como sua obra-prima, mas depois desse vento novo do mercado a Whipple não publicou qualquer outro romance até sua morte (acredito que só alguns livros infantis).  

A COMPARAÇÃO

Houve um tempo em que comparar um escritor com outro era algo que me irritava demais (por exemplo: dizer que Alice Munro é o Tchekov do Canadá), mas aos poucos considerei que é uma forma de chamar a atenção para um autor ou autora que, provavelmente, sustenta-se por si próprio – e muito. Então quando eu li em algum lugar que Dorothy Whipple era a Jane Austen do século XX, eu considerei aquilo mais um convite do que uma comparação.

Da Whipple eu só li um romance, da Austen três (e a biografia escrita pelo James Edward Austen-Leigh). O que eu já posso avistar de similar entre as duas? Mulheres, inglesas, romancistas, com uma tendência para escrever histórias com protagonistas femininas, que se passam fora de centros urbanos, cuja interação entre famílias e estranhos (ou famílias estranhas) cria toda a mecânica dos romances.

Outro aspecto que pode ter gerado a comparação: a editora inglesa Virago, que nasceu em 1973 com o objetivo de publicar somente mulheres (novos ou antigos nomes), ficou na dúvida se colocaria de volta ao mercado os livros da Whipple. Acabou não publicando. A ideia da editora era publicar material que mostrasse novas formas de ver e ser mulher, e os livros da Whipple trabalham a mulher sob um papel social ao qual estamos já bastante acostumados. Eu acho que essa perspectiva faz uma ponte firme com os textos da Austen.

O que distancia as duas? Algumas escolhas no estilo da escrita deixam clara a diferença: os diálogos da Austen me parecem impecáveis, muito bem manipulados, e a Whipple às vezes parece usar o diálogo para criar atmosfera (e pode ser cansativo se for longo demais). Porém a Whipple é extraordinária na maneira como direciona o olhar dos personagens, e como ela usa isso para mostrar o interior de quem observa e de quem é observado. Até os objetos, seja uma cadeira vazia ou pratos, são enquadrados de maneira a revelar algo sobre pessoas. Essa aptidão da Whipple pode ter a ver com o fato de ela ter nascido no século do cinema – eu senti isso por exemplo na página 87, onde um diálogo termina assim: “I´m so very glad”, Madame Lanier´s voice could be heard diminishing into the house, “about the Ventre de Charité”. Como assim a voz diminuindo enquanto ela entra pela casa?! O narrador não pode acompanhá-la para onde ela está indo? Parece que a câmera ficou na sala vazia.

Séculos à parte, se eu comparar Razão e Sentimento com Someone at a Distance (que título maravilhoso, não?) temos duas obras extraordinárias, sólidas, delicadas, escritas sob o espírito de quem domina a arte do romance – que é o funcionamento do passar do tempo. E a esperança. As duas tem os pés num amanhã possível.

 

Sense and Sensibility ilustrado por Bessie Darling Inglis

Em 2011 descobri as ilustrações de Bessie Darling Inglis para dois livros de Jane Austen: “Emma” e mais tarde, no mesmo ano, comprei Sense and Sensibility que mencionei no post “Nos braços de Willoughby”  e agora retomo às publicações na Biblioteca Jane Austen com o exemplar de Sense and Sensibility.

Este é o primeiro livro ilustrado que publico na biblioteca que também coloco todas as ilustrações. É uma pena que que não consegui um exemplar com a jaqueta e por esse motivo fiz uma foto enfeitada com uma flor pois a capa em percaline vermelha é antiga e está bem desbotada.

O livro, publicado pela editora Nelson and Sons, não menciona nos créditos a data de publicação mas o antigo proprietário anotou um ano, provavelmente da compra, 1942.

Para apreciar as ilustrações sigam o link da biblioteca: Sense and Sensibility ilustrado por Bessie Darling Inglis!

Sense and Sensibility ilustrado por Bessie Darling Inglis

Monstros, zumbis e outras inspirações na Biblioteca Jane Austen

Quem me conhece sabe que não aprecio zumbis e tampouco monstros sejam eles do mar ou de espaço sideral. Mas, em se tratando de Jane Austen acabo cedendo e compro os livros. Só tenho uma norma: compro quando o valor chega a um dígito, foi o caso de Razão e sensibilidade e monstros marinhos. Já Orgulho e preconceito e zumbis, ganhei de presente do sobrinho!

Junto dos monstrinhos cataloguei mais dois livros, também inspirados também na obra de Jane Austen, as sequencias: Willoughby’s Return de Jane Odiwe e Nachtstürm Castle, de Emily Snyder, sendo este último inspirado em Northanger Abbey.

Orghulho e preconceito e zumbis & Razão e sensibilidade e monstros marinhos

Adaptações infantojuvenis da obra de Jane Austen

A Biblioteca Jane Austen já tem a disposição para pesquisa alguns exemplares sob a tag infantojuvenis. Os primeiros livros classificados sob essa tag foram as adaptações brasileiras de Razão e sensibilidade, de autoria de Lidia Cavalcante-Luther e Orgulho e preconceito de mais três autores: Paulo Mendes Campos, João Paulo Roriz e Dionísio Jacob.

A de Dionisio Jacob faz parte da coleção Três por Três, que em cada exemplar traz a adaptação de dois clássicos e um contemporâneo escrito pelo adaptador. Junto de Orgulho e preconceito de Jane Austen temos Eugênia Grandet, de Honoré de Balzac, e Vampíria de Jacob, classificado como Três Famílias.
Adaptações infantojuvenis da obra de Jane Austen

Preciosidades na Biblioteca Jane Austen

Ao longo dos anos tenho comprado muitas edições dos livros de Jane Austen, algumas delas são preciosidades que consigo por acaso e claro, dentro do meu orçamento.

As preciosidades que foram cadastradas na Biblioteca Jane Austen na semana passada foram: Persuasion da coleção “The Novels of Jane Austen in Ten Volumes” de 1893 e Sense and Sensibility da coleção “The Rittenhouse Classics” sem data inscrita no volume. mas que segundo alguns sites de venda seria uma publicação entre 1900 e 1909.

Como vocês ver na foto abaixo, o exemplar de Persuasion está com a capa bastante avariada, mas a parte interna a não ser por algumas folhas soltas está muito boa, incluindo as três ilustrações de William C. Cooke.

A capa de Sense and Sensibility está ótima mas também tem algumas folhas soltas e quando chegou me surpreendi com o bo estado do livro pois pelo preço imaginei que não estaria em boas condições. São essas pequenas coisas que fazem a alegria de quem compra livros!

Sense and Sensibility e Persuasion

Alan Rickman | Obituário

Faleceu no dia 14 de janeiro aos 69 anos o ator Alan Rickman. Foi informado apenas que estava sofrendo com câncer e mesmo amigos não sabiam da gravidade de sua doença. Alan era um gentleman e saiu de cena tão discreto quanto um de seus personagens mais admirados pelos fãs de Jane Austen: o Coronel Brandon de Razão e sensibilidade.

Alan Rickman

Alan Rickman fez o papel do Coronel Brandon na versão de 1995 de Razão e sensibilidade, dirigida por Ang Lee com roteiro de Emma Thompson que também interpretou o papel de Elinor Dashwood. E por esse motivo me propus a rever o filme e ler o diário de filmagem de Emma que era grande amiga do ator. Do diário destaquei alguns comentário sobre Alan:

Alan Rickman mandou uma quantidade imensa de chocolates para animar o pessoal. [Nas filmagens do baile em Londres]

A interpretação de Alan  foi muito tocante. Ele representou tão bem tipos maquiavélicos que é emocionante vê-lo expor a extraordinária doçura de seu caráter. Presença triste, vulnerável, mas marcante. Brandon é, suponho, o verdadeiro herói dessa peça, mas tem de avolumar-se diante do público, como se avoluma diante de Marianne. [Primeira aparição de Brandon no filme, chegando em Barton Park]

A história de Brandon, Eliza e Beth é como um livro barato de contos policiais, mas Alan consegue dar a ela a profundidade da dor –[…] [Brandon contando para Elinor sobre seu primeiro amor, Eliza]

Pensei em fazer uma galeria das cenas com Brandon, mas são tantas imagens que o post ficaria muito pesado e portanto escolhi uma cena que acho linda e simples: o Coronel Brandon entrega um lindo buquê de flores para Marianne que convalesce de sua queda. Quando ele se vai embora cruza com Willoughbye carregando alguma coisa escondida nas costas, se cumprimentam e cada um continua seu caminho. Mas o coronel não resiste a tentação, olha para trás e vê o buque de flores silvestres que Willoughby carrega. Nesse momento as esperanças do Coronel Brandon começam a derreter…

Coronel Brandon e flores

Coronel Brandon e flores

Coronel Brandon e flores

Alan Rickman desempenhou vários papéis brilhantemente, dentre eles o mais conhecido, pelo menos da nova geração, o professor Severo Snape na série Harry Potter. Preciso confessar que meu papel preferido foi o de xerife de Nottingham, talvez por ser a primeira vez que o vi atuar.

Outro papel que fiquei encantada foi Éamon de Valera, político irlandês, no filme Michael Collins, que ele fez logo depois de Razão e sensibilidade e que o diretor Neil Jordan menciona como “Sua recriação da imagem de De Valera, sua voz e sua postura, tudo foi inquietante e completamente impecável.” Tanto foi assim que lembro de ter lido na época que uma cena na qual Alan faz um discurso de De Valera, em praça pública com centenas de figurantes que deviam aplaudir ruidosamente, todos ficaram em silêncio tamanha a emoção e tiveram que refazer a cena!

E para finalizar vejo no IMDb que seu último trabalho foi dar voz – a sua bela voz – ao personagem Blue Carterpillar, no filme Alice através do espelho.

Alan Rickman, 21 February 1946 – 14 January 2016. Requiescat in pace.

Jane Austen coleção Signature Editions

Minha coleção Jane Austen da Signature Editions chegou semana passada. Sim, é linda! E para quem perguntou, sim, é capa dura mas tem uma jaqueta em papel ilustrado (segunda foto) o que talvez dê aparência de capa mole. Em breve as capas estarão na Biblioteca Jane Austen com imagens mais detalhadas com créditos de imagens.

Detalhe: consta na página de crédito dos livros, escrito em português, que é uma edição para a editora Saraiva, mas os livros são todos em inglês. Digo isto pois no primeiro post que fiz sobre esta coleção mencionei que era uma coleção da Barnes and Noble, o que consta também no site da livraria. Enfim, é só um detalhe e o que importa é que ainda estão à venda no site da livraria Saraiva.

Este foi um dos presentes Jane Austen de Natal, mas nem conto para vocês que ontem fiz outra pequena extravagância. Contarei no ano que vem!

Coleção Jane Austen Signature Editions

Coleção Jane Austen, Signature Editions

Primeiras traduções brasileiras de Jane Austen

Como vocês já sabem estou montando com meu acervo site Biblioteca Jane Austene ontem cadastrei os seis livros completos da autora em suas primeiras traduções no Brasil. E com um detalhe, exceto por Mansfield Park, todos são primeiras edições o que os torna muito especial.

Aqui está lista, por ordem de ano de publicação, das primeiras traduções dos seis livros de Jane Austen no Brasil:

  • Orgulho e preconceito, tradução de Lúcio Cardoso feita em 1940. Esta tradução é a primeira de Jane Austen no Brasil. A capa é triste, da cor a tipografia!
  • Mansfield Park, tradução de Rachel de Queiróz feita em 1942. Note-se que meu exemplar da foto já é da segunda edição de 1958. Algo que me intriga é o fato de Mansfield ser a segunda escolha das traduções de Jane no Brasil, pois normalmente é deixada por última e em alguns casos nem é publicado.
  • Razão e sentimento, tradução de Dinah Silveira de Queiróz feita em 1944. A edição é em capa dura e meu exemplar está frágil demais.
  • A Abadia de Norhtanger, tradução de Lêdo Ivo feita também em 1944. Outra escolha diferente pois junto de Mansfield a Abadia é dos menos publicado.
  • Persuasão, tradução de Luiza Lobo feita em 1971.
  • Emma, tradução de Ivo Barroso feita em 1996 foi a última das traduções dos seis livros principais de Jane Austen no Brasil.
  • Austen primeiras traduções brasileiras

Jane Austen e monstros marinhos

Encontrei um exemplar novo de Razão e sensibilidade e Monstros Marinhos de Ben H. Winters e por custar menos de dez reais (sim os tempos estão difíceis!) comprei para minha coleção Jane Austen. A tradução de Maria Luiza X. de A. Borges foi publicada pela editora Intrínseca e me surpreendeu pois eu não sabia que era ilustrada. As ilustrações, em preto e branco, são de Eugene Smith e a imagem da capa de Lars Leetaru.

Como não vou ler tão cedo mas estou curiosa, pergunto: algum leitor aqui do blog já leu este livro? E qual a opinião?

Razão e sensibilidade e monstros marinhos