Duologues from the Novels of Jane Austen

Duologues from the Novels of Jane Austen é a minha mais recente descoberta de livros antigos com a obra de Jane Austen. Com o subtítulo de “Arranged and Adapted for Drawing-Room Performance” foi escrito por Rosina Filippi em 1895 e publicado por J.M. Dent. E para minha alegria, ilustrado! Como nada é perfeito o preço é uma tristeza…

O livro faz parte de uma coleção da qual tenho apenas Persuasion.

Tenho que pesquisar mais sobre o texto do livro e sobre a ilustradora, Miss Fletcher, mas estou escrevendo esse post já com as malas prontas para viajar, fica então para volta: daqui umas duas semanas.

ATUALIZAÇÃO: Sobre a ilustradora, Margaret Fletcher não encontrei nada que pudesse nos dar uma noção de seu trabalho além de constar como ilustradora na obra de Anthony Trollope. Mas o livro está nos site archive.org, indicação de Rita Watts do All Things Jane Austen.

 Duologues from the Novels of Jane Austen

Duologues from the Novels of Jane Austen

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Jane Austen em 41 objetos

Jane Austen em 41 objetos é o nome da exposição que teve início em 10 de março na casa museu de Jane em Chawton Cottage e irá até 15 de dezembro, um dia antes do aniversário da autora. Os objetos contam a história de sua vida que foi muito curta, ela faleceu com 41 anos.

Para quem estiver na Inglaterra no período da exposição e for visitar a mostra o Museu avisa que devido a limitação de espaço e empréstimos de outros museus nem todas as peças estarão disponíveis o tempo todo.

Mas há uma ótima notícia, o site mantém a página, “Jane Austen in 41 objects” onde colocará links para os textos contando a história de cada peça e até o momento que escrevo já este post já estão disponíveis os seguintes objetos:

Jane Austen’s Writing Table”, mesa tripé em nogueira do início do século 18 que pertenceu a Jane Austen. (Texto: Madelaine Smith)

Sanditon”, cópia do manuscrito feita por sua irmã Cassandra. (Texto: Professor Mike Biddiss)

Rev. George Austen’s Bookcase”, escrivaninha e armário de livros de mogno em estilo George III que pertenceu ao reverendo George Austen, pai de Jane. (Texto: Mary Hogg)

Sense and Sensibility”, primeira edição 1811 de Razão e sentimento/Razão e sensibildade em três volumes. (Texto: Janet Johnstone)

Silhouettes”, silhueta dos pais de Jane Austen, o reverendo George Austen e a senhora Austen. (Texto: Janet Johnstone)

Jane Austen em 41 objetos

Jane Austen em 41 objetos

Jane Austen a torto e a direito na alt-right

Quando li que a  alt-right teria se “apropriado” de Jane Austen logo pensei: lá vai Jane, a torto e a direito mais uma vez! Para quem não sabe, como eu não sabia, alt-right é a denominação abreviada da direita alternativa, uma corrente política nos Estados Unidos.

Vamos ao fato que desencadeou a notícia: Milo Yiannopoulos,  militante da alt-right, parafraseou ou tentou parafrasear a mais famosa frase de Austen como se segue:

Como uma romancista vitoriana poderia ter posto, é uma verdade universalmente reconhecida que é muito mais provável uma mulher feia ser uma feminista do que uma bonitona.

Podemos ver que o rapaz, como muitas admiradoras sinceras de Jane, acha que a escritora é da época vitoriana, até aí novidade alguma. Mas o que marcou foi a grosseria sobre as mulheres e que na minha opinião foi de propósito para ser notícia. Conseguiu.

Nicole M. Wright escreveu no The Chronicle Higuer Education o artigo “Alt-Right Jane Austen” onde coloca que o apreço da extrema direita por Austen seria a possibilidade de minimizar suas ideias extremistas imiscuindo-se no mundo dos romances da autora e tornando-as mais palatáveis, principalmente para as pessoas comuns. Ela diz também,

“Talvez Yiannopoulos tenha olhado para o título do romance mais famoso de Austen e tenha presumido que Orgulho e preconceito era uma corroboração do orgulho “branco” e do preconceito contra as minorias étnicas.”

Não creio… Para mim foi de caso pensado mesmo. Jane Austen vende muito bem, inclusive idéias malucas. Estarei vendo Mad Men demais?

Na página em inglês do Deutsche Welle temos o artigo de  Rachel Stewart, “White pride and prejudice: Why the alt-right has adopted Jane Austen”, que menciona o de Nicole Wright e como vocês podem ver pelo título também fala sobre a adoção de Jane pela alt-right. O artigo diz que Yiannopoulos escreveu, em 2016, que os alt-right seriam “perigosamente brilhantes”, muito mais inteligentes do que outros grupos, também da extrema direita. Ah! Vaidade o pecado favorito vocês sabem de quem.

Devoney Looser, professora e autora do livro The Making of Jane Austen, dá sua opinião no artigo dizendo algo que acho fundamental e que muitas pessoas parecem esquecer, “Austen escreveu ficção, não tratados formais”. Menciona também que a discussão sobra a obra de Austen ser conservadora ou liberal é antiga. A referência que ela encontrou é de 1872 quando membros do parlamento britânico evocaram o nome de Austen, em lados opostos da mesma questão, a expansão do direito de voto das mulheres”:

“Um parlamentar conservador sugeriu que Austen nunca teria querido tal coisa, porque ela estaria firmemente do lado do papel tradicional de gênero, mas um parlamentar liberal disse que certamente Austen estaria do lado das mulheres instruídas da sua época [ano de 1872] que procuravam expandir o direito de voto.”

Nestes quase nove anos do Jane Austen em Português tenho lido as mais variada opiniões sobre Austen e sua obra. Às vezes Jane é feminista e logo adiante é anti-feminista; na política cobre quase todo o espectro da esquerda à direita passando por todos os tons de cinza do centro. Mas também há quem a considere uma alienada na política pois não colocou nada em seus livros sobre governos, guerras e que tais. Ela era grande admiradora do abolicionista Thomas Clarkson, fato este registrado em carta mas muitos não a perdoam por não ter sido explícita sobre a escravidão em Mansfield Park.

Os exemplos são muitos e sem levar em conta anacronismos de algumas opiniões, cada leitor tem um pouco de razão em sua interpretação de Austen portanto não há com o que se preocupar. Jane Austen não é de ninguém, nem dos malucos, nem de nós que a amamos. Ela é dona si mesma, sempre foi.

Jane Austen a torto e a direito na alt-right

Jane Austen a torto e a direito na alt-right

Pride and Prejudice no Spotify

Para quem gosta do Spotify agora temos Pride and Prejudice por lá. Quem não sabe o que é o Spotify, como eu não sabia, explico, é um canal de músicas que tem uma versão gratuita e outra paga, digamos que no estilo Netflix. Se estou errada, por favor, me corrijam. Ah! também tem o aplicativo para celular.

Meu sobrinho, que não vive sem música, me cantou as glórias do Spotify, mas eu que prefiro o silêncio resisti bravamente… Até, é claro, ser avisada por um alerta do Google sobre Jane Austen!

Me inscrevi gratuitamente, o que pode ser feito via Facebook também, escolhi três músicas e depois fui direto ao arquivo com Pride and Prejudice. A gravação é de Wendy Ellison Mullen com o texto completo. O link está no primeiro parágrafo do post.

Resumindo: tem muita coisa de Jane Austen no Spotify!  Assim que puder farei uma pesquisa e novo post.

Spotify Pride and Prejudice por Wendy Ellison Mullen

Pride and Prejudice no Spotify por Wendy Ellison Mullen

Pride and Possibilities: 8, 9 e 10

Temos mais três edições do periódico online Pride and Possibilities da Jane Austen Literacy Foundation: 8, 9 e 10.

O artigo da edição número 8 foi escrito por Jessica A. Volz, professora e autora do livro Visuality in the Novels of Austen, Radcliffe, Edgeworth and Burney, e nova embaixadora da JALF. Uma citação do título “Coffee, Tea and Visuality: the art of atraction in Pride and Prejudice“,:

Com 16 referencias a chá em Razão e sentimento, 15 em Orgulho e preconceito, 31 em Mansfield Park, 27 em Emma, 12 em A abadia de Northanger e duas em Persuasão, o ritual de cafeína colore a linguagem das comédias country house de Austen.

Fanny Knight: almost another sister‘ é edição número 9 escrita por Emily Prince:

Jane Austen tinha muitas sobrinhas e sobrinhos e hoje, alguns são mais conhecidos do que outros, um dos favoritos de Jane era a sobrinha Fanny Knight.

O artigo número 10, intitulado “Celebrating Austen’s Humor” é  de Daniel Widdowson, diretor artístico da Salt House Theatre Company que adaptou Pride and Prejudice para o teatro em Sidney, dando enfase mais na comédia do que romance. Adaptação esta que foi muito elogiada por Caroline Jane Knight, fundadora da JALF, como vocês poderão ver na entrevista desta página. Daniel é também embaixador da JALF.

Pride and Possibilities | Pride & Prejudice - Salt House Theatre Company. Credit: Noel Fisher

Pride and Possibilities | Pride & Prejudice – Salt House Theatre Company. Credit: Noel Fisher

 

Novela Novo Mundo e Jane Austen

A novela Novo Mundo, da rede Globo, mencionou Jane Austen e Orgulho e preconceito em seus capítulos iniciais. A trama se passa no período do casamento do príncipe Dom Pedro e a princesa Leopoldina. Em novembro de 1817 Leopoldina chegou no Rio de Janeiro mas seu casamento já havia sido feito por procuração em maio desse mesmo ano. Em 2017 celebramos o bicentenário da morte de Jane Austen no bicentenário e podemos dizer o mesmo do casamento do nosso primeiro imperador.

A personagem Anna Millman, interpretada pela atriz Isabelle Drummond, heroína da novela, recebe do vilão Thomas Johnson, o ator Gabriel Braga Nunes, um livro de presente que ela ao abrir o pacote vê que é de Jane Austen. Ela agradece e diz gostar muito de Austen. Esta é a primeira cena e que você pode assistir online neste link.

Mais tarde o irmão de criação de Anna Millman, Piatã, feito pelo ator Rodrigo Simas, ao ver o livro na cabine da irmã lê o título do volume ricamente encadernado em vermelho com letras douradas na lombada: Orgulho e preconceito. Ele pergunta se ela já havia lido esse livro, ela responde que sim mas que aceitou o presente do capitão Thomas Johnson para ser gentil. A segunda cena está neste link.

Semana passada também compartilhei no Facebook sobre a declaração da atriz Isabelle Drumond que tem buscado inspiração nos livros de Jane Austen para compor a personagem pois a autora é uma mulher a frente de seu tempo. Espero que tenha se inspirado em Elizabeth Bennet!

A personagem é levemente inspirada na inglesa Maria Graham, que de fato veio ao  Brasil e foi preceptora da filha de Leopoldina e Pedro, a princesa Dona Maria da Glória. A vida de Maria Graham por si só valeria uma série pois foi bem movimentada e atípica para a época como vocês poderão ver nesta página da Wikipédia.

Jane Austen e Orgulho e preconceito na novela Novo Mundo

Jane Austen e Orgulho e preconceito na novela Novo Mundo