Chocolate na Biblioteca Jane Austen

Vou deixar o Chocolate tomando conta da biblioteca Jane Austen. Viajo e volto até o final de março.

Deixei alguns posts agendados e se conseguir publico outros durante esse período. Até a volta!

Chocolate na Biblioteca Jane Austen

Chocolate na Biblioteca Jane Austen

Homenagem ao Coronel Brandon de Alan Rickman

Presto minha homenagem ao Coronel Brandon do grande ator Alan Rickman com este post sobre seu último filme,  Eye in the Sky ou Decisão de risco como foi intitulado no Brasil.

Assisti no Netflix o filme no qual Alan Rickman interpreta um General de Divisão inglês, Frank Benson, em uma difícil operação para neutralizar terroristas e que devido a várias circunstâncias acaba se transformando também num dilema moral.

No final do filme uma das participantes da operação diz para o General que foi a ação foi uma vergonha e que ele queria apenas preservar seu posto, ao que ele respondeu com a classe especial de Alan Rickman:

Eu atendi as consequências imediatas de cinco atentados suicidas. No chão, com os corpos. O que testemunhou hoje, com seu café e biscoitos, é terrível. O que estes homens teriam feito seria muito pior.
Nunca diga a um soldado que ele não sabe o custo da guerra.

I have atended the immediate aftermath of five suicide bombs. On the ground, with the bodies. Which you wittnessed today, with your coffe and biscuits, is terrible. What these men would have done would been even more terrible.
Never tell a soldier that he does not know the cost of war.

Este foi seu último filme se não contarmos com sua voz em Alice Através do Espelho e a narração do vídeo This Tortoise Could Save a Life.

Alan Rickman Coronel Brandon

Alan Rickman, em Eye in the Sky

Primeiras Impressões por Lais Rodrigues

Primeiras impressões de Lais Ribeiro inaugura o selo Revelações da editora Pedrazul. O livro é inspirado em Orgulho e preconceito e coloca os personagens na cidade Búzios no estado do Rio de Janeiro. Leiam a sinopse:

A surpreendente temporada de Mr. Darcy no Brasil!
Charles Bing, um otimista incorrigível, decide que está na hora de internacionalizar a sua bem-sucedida cadeia de restaurantes nova-iorquina. Deseja começar pelo país que sempre incitou sua curiosidade: o Brasil. E nada melhor que Búzios, uma belíssima cidade turística no litoral do Rio de Janeiro. A fim de garantir que sua escolha será acertada, ele leva a tiracolo o seu melhor amigo, Frederick Darcy, um político americano de família conservadora, que se orgulha de ser um homem racional e prático. Mal sabem eles que, ao chegar à cidade paradisíaca, virarão alvo de Janaína Benevides, dona das pousadas mais requisitadas do balneário. Ela é mãe de quatro belas moças, que são, para sua tristeza, solteiras. Janaína preocupa-se, em especial, com a solidão de Jane e Lizzie Benevides, as mais velhas. Enquanto a primeira acaba se decepcionando em seus relacionamentos, por ser uma pessoa que sempre busca ver o melhor nas pessoas, a outra não deixa nenhum homem se aproximar.

O livro está na pré-venda com preço promocional de 29,90 no site da editora e tem entrega prevista para final de março.

Primeiras Impressoes por Lais Rodrigues

Primeiras Impressoes por Lais Rodrigues – Editora Pedrazul

Mr. Darcy e Mary Crawford juntos!

Mr. Darcy e Mary Crawford  juntos parece completamente impossível. Não é. Tudo é possível nas maravilhosas minisséries da BBC. A notícia chegou via Séries da TV e os dados ainda são escassos no IMDb, mas o que importa é que teremos uma nova adaptação de Howards End de E. M. Foster, um dos meus livros e filmes (1992) favoritos, sobre o qual escrevi este post. –

Mas voltemos a Mr. Darcy e Miss Crawford. Na atual minissérie os atores Matthew Macfadyen (Mr. Darcy 2005) será Henry Wilcox e Hayley Atwell (Mary Crawford 2007) fará o papel de Margaret Schlegel, papeis que no filme de 1992 foram respectivamente de Anthony Hopkins e Emma Thompson. A adaptação é de Kenneth Lonergan.

Sei que depende de muitos fatores, entre os quais direção e roteiro, mas torço para que Matthew Macfadyen faça um Henry Wilcox a altura da atuação de Mr. Hopkins.

A minissérie será exibida na BBC One ( Inglaterra) e na Starz (EUA). No Brasil vamos pedir para a Netflix, o que você acham?

Hayley Atwell (Mary Crawford 2007) e Matthew Macfayden (Mr. Darcy 2005)

Hayley Atwell (Mary Crawford 2007) e Matthew Macfayden (Mr. Darcy 2005) Foto divulgação

 

Theresa May sobre Jane Austen

Theresa May, Primeira MInistra da Inglaterra, fala sobre Jane Austen em entrevista concedida a Jason Cowley editor do New Statesman.

O jornalista perguntou:

Austen ou Brontë? Para o caso de você perguntar: qual Brontë? Então vamos dizer Austen ou Charlotte Brontë?

Eu li as duas, mas se eu tivesse que escolher seria Austen. Quando me perguntam sobre o meu livro favorito, eu sempre digo Orgulho e preconceito. Eu às vezes pairo entre Emma e Orgulho e preconceito [mas eu] sempre fico com Orgulho e preconceito. Os diálogos entre Elizabeth Bennet e Darcy – a sagacidade que ela traz para eles [diálogos], eu acho que é simplesmente maravilhoso.

Estamos muito bem de primeira ministra, pois não?

Artigo completo em inglês: “Theresa May: quickfire questions on Jane Austen, late nights and Original Sin

Theresa May

Theresa May, Primeira Ministra da Inglaterra – Foto divulgação Newstatesman

Sanditon, um fragmento – Pride and Possibilities

“Sanditon, um fragmento” é o título do artigo da sétima edição de Pride and Possibilities, da JALFF – Jane Austen Literacy Foundation da qual participo representando o Brasil.

Como muitos de vocês sabem, por vários motivos, tenho um carinho muito grande por essa obra inacabada de Jane Austen. Um deles foi escrever a apresentação do livro para a primeira tradução de Sanditon no Brasil, feita pelo poeta Ivo Barroso.

Quando li o artigo de Emily Prince, editora de Pride and Possibilities, me encantei e resolvi traduzir, com a devida permissão, é claro. O link para o texto original em inglês está no final do artigo.


Sanditon, um fragmento
por Emily Prince

Ler um romance que você sabe que está incompleto é uma experiência terrível. Ler um romance de Jane Austen que você sabe que é inacabado, é uma forma requintada de tortura.

A primeira vez que li Sanditon, eu não esperava gostar tanto, Isso soa estranho vindo de uma leitora como eu, que sempre amei as obras de Jane. Mas minhas expectativas tinham sido atrofiadas pelo conhecimento que essa obra era um rascunho, um fragmento não polido que Jane Austen provavelmente não imaginava  que seria mostrado para o grande público. Basicamente eu esperava algo bem primário, nos primeiros estágios, um peça escrita não nos padrões que nós esperamos encontrar vindo de Jane,

Para aqueles de vocês que já leram Sanditon, tenho certeza que concordarão comigo quando digo que é uma delicia. É mais engraçado do que o suave e reflexivo Persuasão. A marcante sagacidade e incomum ouvido de Jane para diálogos saltam das páginas em personagens que nos exasperam, intrigam e entretêm,  O ridículo Sir Edward Denham numa competição para o mais tagarela, ganharia de lavada de Miss Bates, Mrs. Bennet e Sir John Middleton. Diana Parker mostra uma tendência para hipocondria rivalizando com Mary Musgrove ou Mr. Woodhouse. E quem poderá dizer se o gentil e atraente Sidney Parker findará entre os charmosos canalhas como Willoughby e Wikcham, ou provará ser um herói como Henry Tilney?

Quanto ao enredo – antes de  Jane ficar muito doente a ponto de não conseguir mais escrever ela completou o cenário para que os personagens pudessem atuar. Sanditon, a cidade à beira-mar é um lugar real e vibrante que traz vida às páginas. Na época em que Jane estava escrevendo, as cidades balnearias estavam em crescente popularidade, tanto entre turistas quanto com pessoas que se reuniam para banhos de mar para melhorar a saúde. O leitor vê a cidade através dos olhos curiosos de uma recém-chegada, Charlotte Heywood,dando ao leitor uma generosa visão da identidade da cidade e seus habitantes.

O problema com Sanditon é que promete demais.

É uma verdadeira tristeza quando se está no meio da leitura, a mente correndo para longe, imaginando como a história pode vir a ser, e você percebe que nunca saberá. É como bater de frente numa parede de tijolos que você esqueceu que  estava lá. Não parece natural que esse fragmento que brilha como as obras acabadas de Jane seja apenas isso – um fragmento – e que nunca saberemos como ela poderia ter finalizado ele, e de como suas fantasias e intenções para com os personagens poderiam ter mudado.

Devido à riqueza da introdução que Jane nos forneceu, dezenas de continuações tem sido escritas, incluindo uma de Anna Lefroy, a querida sobrinha de Jane. Devo confessar, eu mesma não li nenhum dessas continuações. Eu temo o desapontamento, ou pior, uma irrevogável alteração na maneira como leio as palavras originais de Jane à luz de um novo enredo. Não é corajoso de minha parte, mas espero que seja compreensível.

De acordo com sua irmã Cassandra, Jane começou a escrever Sanditon em 27 de janeiro, há 200 anos atrás. No dia 18 de março, ela estava muito indisposta para continuar e abandonou seu trabalho após doze capítulos e aproximadamente 25.000 palavras. Aparentemente, ela tinha a intenção de nomear o manuscrito como “Os irmãos.” Foi a sua família que escolheu o nome “Sanditon” em 1925, quando foi publicado pela primeira vez.

Séculos depois, leitores ao redor do mundo continuam lendo e interpretando este fragmento de várias maneiras. O interesse e o entusiasmo conduzido por seu trabalho, nesse estágio preliminar é a evidência do talento único de Jane – se essa é a reação  que seus esboços inspiram, não é nenhum espanto que seus trabalhos completos tenham mantido sua surpreendente longevidade e popularidade.

Sanditon fragmento

Detalhe do manuscrito de Sanditon | Imagem: http://www.janeausten.ac.uk/