Procurando Jane Austen no MASP

Assim como Jane Austen encontrou uma pintura que lhe pareceu Jane Bennet (vejam o post sobre Mrs. Q.) eu também me deparei com algumas pinturas na minha última visita ao Masp – Museu de Arte de São Paulo que me chamaram a atenção.

Entrei no museu sem pensar em Jane Austen mas uma das primeiras pinturas que vi foi a de Zélie Courbet e o pensamento imediato foi: muito Fanny Price! A pintura é de 1847, portanto muito depois da época de Austen, mas o que me levou a pensar em Fanny foi o olhar tímido e recatado da modelo, que não consegui identificar se é uma menina ou uma moça.

Zélie Courbet, Gustave Courbet, 1847, MASP

“Zélie Courbet”, Gustave Courbet, 1847

Pensei nas meninas do quadro “Rosa e azul” de Renoir, que é uma das minhas favoritas do museu, para representar as irmãs Dashwood mas quando encontrei estas moças remando pelo Epte percebi que só podiam ser Elinor e Marianne.

“A Canoa Sobre o Rio Epte”, Claude Monet, 1890

“A Canoa Sobre o Rio Epte”, Claude Monet, 1890

Com livro aberto, deitada na relva e olhar sonhador esta mocinha só podia ser Catherine Morland!

“Moça com livro”, José Ferraz de Almeida Junior, sem data.

“Moça com livro”, José Ferraz de Almeida Junior, sem data.

Por fim coloco aqui uma tela que pertence ao acervo do Masp, mas não estava exposta no dia de minha visita, que é datada de 1790/97, portanto da época de Jane Austen. É o “Retrato da Condessa de Casa Flores”, de Goya. O vestido, com cintura alta, poderia ser usado por qualquer das heroínas de Austen, mas não consegui descobrir qual delas seria pois a cabeleira solta me deixou desnorteada! Será Elizabeth Bennet? Acho que não… falta um pouco de atrevimento.

Qual o palpite de vocês?

“Retrato da Condessa de Casa Flores”, Francisco Goya y Lucientes, 1790/97

“Retrato da Condessa de Casa Flores”, Francisco Goya y Lucientes, 1790/97

Preciso ainda encontrar Emma Woodhouse, Anne Elliot e quem sabe outra Elizabeth Bennet. Minha próxima busca será na Pinacoteca do Estado. Me aguardem!

 

Retrato: Mrs Q e Jane Bennet

Em uma carta, datada de 24 de maio de 1813, Jane Austen conta para a irmã Cassandra que foi a uma exposição de pinturas a óleo e aquarelas em Spring Gardens e ficou impressionada com uma pintura que parecia Jane Bennet. Segundo estudiosos é possível que a pintura a qual ela se refere seja o retrato de Mrs. Q., pintado pelo francês François Huet-Villiers, que estava na referida exposição. As exatas palavras de Jane Austen foram:

Mrs. Bingley, exatamente ela própria, em tamanho, formato do rosto, características e doçura; nunca houve tamanha semelhança. Ela está com um vestido branco, com ornamentos verdes, o que me convence o que sempre pensei, que verde era sua cor favorita.

Se de fato for essa pintura, me pergunto se Jane saberia que Harriet Quentin, a modelo, era amante do príncipe regente a quem ela desprezava.

A pintura que reproduzo abaixo não é a original de Huet-Villiers, que não encontrei e tampouco sei se ainda existe, mas sim uma reprodução da mesmo feita em 1820 por William Blake.

Sense and Sensibility ilustrado por Bessie Darling Inglis

Em 2011 descobri as ilustrações de Bessie Darling Inglis para dois livros de Jane Austen: “Emma” e mais tarde, no mesmo ano, comprei Sense and Sensibility que mencionei no post “Nos braços de Willoughby”  e agora retomo às publicações na Biblioteca Jane Austen com o exemplar de Sense and Sensibility.

Este é o primeiro livro ilustrado que publico na biblioteca que também coloco todas as ilustrações. É uma pena que que não consegui um exemplar com a jaqueta e por esse motivo fiz uma foto enfeitada com uma flor pois a capa em percaline vermelha é antiga e está bem desbotada.

O livro, publicado pela editora Nelson and Sons, não menciona nos créditos a data de publicação mas o antigo proprietário anotou um ano, provavelmente da compra, 1942.

Para apreciar as ilustrações sigam o link da biblioteca: Sense and Sensibility ilustrado por Bessie Darling Inglis!

Sense and Sensibility ilustrado por Bessie Darling Inglis

Uma noite digna de Catherine Morland

A noite que passou foi digna de Catherine Morland: vento, chuva e venezianas batendo. E eu correndo para fechar todas as janelas, que não são poucas. Isso tudo no escuro pois faltou luz também. Já contei para vocês que moro numa casa que já foi um convento? Pois é…

Minha conexão que já estava precária e depois do temporal de ontem está completamente maluca. Como levo muito tempo para publicar qualquer coisa vou tentar mais tarde. Paciência, Iracema!

Vejam minha tentativa de ler como nos tempos de Jane Austen…

Ler a luz de velas como nos tempos de Jane Austen

Gazeta de Meryton, 7 de agosto de 2016

EDITORIAL

Hoje o editorial da Gazeta de Meryton é apenas um aviso. Ficarei ausente por pelo menos vinte dias e nesse período tirarei uma espécie de férias compulsórias. Mas, se for possível me entender com um tal de MacBook, talvez eu escreva algum post. Estou tentando não carregar peso e não levar meu notebook é um dos primeiros passos.  Vamos ver no que dá essas minhas decisões…

BIBLIOTECA JANE AUSTEN

Cadastrei desta vez a coleção da editora portuguesa Romano Torres, publicada a partir do final dos anos 1940 com reimpressões até os anos 1960.

Coleção Jane Austen, editora Romano Torres

Gazeta de Meryton, 31 de julho de 2016

EDITORIAL

Hoje o editorial da Gazeta de Meryton é apenas para mencionar o que provavelmente muitos leitores já sabem: fechei meu perfil pessoal no Facebook e agora mantenho um administrativo para a página do Jane Austen em Português.  Os motivos foram vários mas o principal é minha compulsão em ler tudo o que aparece na tela do computador. Eu já havia diminuído o que escrevia no Face, mas o que ler provou-se impossível educar o cérebro e seus dois cúmplices para não fazer!

LIVROS

Edição especial do bicentenário da morte de Jane Austen e já comemorando também, de forma antecipada os duzentos anos da publicação de Persuasão, da editora espanhola dÉpoca: Persuasión.

Persuasión, dÉpoca Editorial

ARTIGO

Literatura e formação moral em Jane Austen e David Hume” por Marcos Ribeiro Balieiro | Revista da USP

RESUMO: Trata-se de mostrar as afinidades, certamente não fortuitas, entre a literatura de Jane Austen e a filosofia de David Hume, pelo prisma do tema da formação ou educação moral. Analisa-se para tanto o papel, em ambos autores, das noções de sociabilidade e de conversação.

VIDEO

Web série (ou vlog) do grupo Foot in the Door Theatre “From Mansfield With Love” no You Tube.

MISCELÂNEA

E para finalizar o domingo um mimo: uma niqueleira Jane Austenb da Pemberley Pond que vocês podem saber mais detalhes na página do Facebook ou na loja do Etsy.

Niqueleira Jane Austen da Pemberley Pond

Kazuo Ishiguro sobre Mansfield Park

Este comentário (abaixo), de Kazuo Ishiguro sobre Mansfield Park de Jane Austen, encontra-se nas notas do escritor sobre autores que ele tem em grande consideração e que estarão em breve todas disponíveis no site Harry Ransom Center da Universidade do Texas.

“Este livro, embora muito cativante e envolvente, parece-me não ser da mesma ordem que Emma e Persuasão. É um livro mais cru em sua perspectiva moral e, na verdade, tem algo extremamente desinteressante e sem compaixão. Claro que você tem que ver essas coisas em termos do clima moral vigente. Mas quando você coloca este livro ao lado da generosidade de espírito dos personagens exibidos nos outros dois romances, e a disposição de questionar os costumes da sociedade da época, M. Park tem de ser visto como decepcionante “.

“This book, while very engrossing and involving, seems to me to not be of the same order as Emma and Persuasion. It’s a cruder book in its moral outlook, and indeed, has something extremely unattractive and lacking in compassion. Of course you have to see these things in terms of the prevailing moral climate. But when you put this book alongside the generosity of spirit for individuals displayed in the other two novels, and the willingness to question the mores of prevailing society, M. Park has to be seen as disappointing.”

Como podemos ver não são poucos os que não se encantam com Mansfield Park e a pequena Fanny Price, mas é claro que sendo fino e elegante, Mr. Ishiguro, coloca sua opinião da forma mais delicada possível.

Eu entendi o fato dele achar desinteressante, é a opinião dele e pelo que sei Mansfield Park sempre teve seus desafetos,  mas não entendi o “sem compaixão” tanto que mantenho o texto original para vocês compararem com minha tradução/interpretação.  Ficarei aqui martelando esta dúvida por um bom tempo e aguardando a opinião de vocês.

Já mencionei Ishiguro aqui no blog, autor de Vestígios do dia, um dos seus livros mais conhecidos e no momento estou preparando outro post com suas opiniões sobre Jane Austen.

FONTE: Kazuo Ishiguro’s “Notes on some GREAT WRITERS”, por Jennifer Tisdale

MansfieldPark, em alemão, editora Anaconda

Jane Austen – Obituário

Jane Austen faleceu em 18 de julho de 1817 em Winchester onde estava sob cuidados médicos e seu obituário foi publicado somente em agosto no The Gentleman’s Magazine, que traduzo a seguir.

184 Obituário: com Anedotas de Pessoas notáveis [Ago.
Julho, 18
Em Winchester, Senhorita Jane Austen, filha mais jovem do Reverendo George Austen. Reitor de Steventon, Hants, autora de “Emma”, “Mansfield Park”, Orgulho e preconceito”, e “Razão e sentimento”.

Quando li “anedoctes”, achei estranho mas ao procurar mais significados da palavra em inglês encontrei a seguinte descrição: “história curta e divertida ou interessante sobre uma pessoa ou um incidente”.

Obituário Jane Austen

FONTE: REPUBLIC OF PEMBERLEY

Resultado do sorteio aniversário do blog

O sorteio de aniversário de oito anos do Jane Austen em Português teve 71 participantes e as sorteadas foram as meninas da lista abaixo. Um email foi enviado para vocês de modo que respondam com o endereço de vocês para que eu possa mandar o presentinho de vocês.

1 – 31 ALEXIA Caderno Mr. Darcy linho vermelho
2 – 44 POLLYANNA CARDOSO Caderno Mr. Darcy príncipe de gales grafite
3 – 14 HAYDÉE Caderno Jane Austen rosa
4 – 28 THAÍS BRITO Caderno Jane lilás
5 – 6 AMANDA VIEIRA Caderno Jane Austen cinza
6 – 54 ANA JULIA GUSMÃO BALBI F. Caderno Marianne Dashwood
7 – 12 STEPHANY Caderno Marianne Dashwood
8 – 70 CARINA SALVALAGIO Caderno Marianne Dashwood

Love and Friendship de Whit Stillman

O que primeiro precisa ser dito sobre o livro Love and Friendship escrito por Whit Stillman é que é uma adaptação da novela Lady Susan, de Jane Austen. Não é portanto o conto juvenil que tem o título de Love and Freindship, com a palavra friendship escrita propositalmente errada no original e que tem sido mantida com esse erro em vários livros que publicam a juvenília de Austen.

Love and Friendship:  In Which Jane Austen’s Lady Susan Vernon Is Entirely Vindicated, o livro de Stillman, com o subtítulo consegue esclarecer, em parte, a confusão das histórias. Os motivos da escolha do título pelo autor está numa entrevista no blog Austenprose, que resumirei aqui para vocês. A entrevistadora, Devoney Looser, uma estudiosa de Austen e também professora, comentou que esse título dará um bocado de confusão na hora de ensinar aos alunos.  Mas vamos às razões do autor do livro.

Whit Stillman nunca gostou do título “Lady Susan” e como ele mesmo diz, este nem foi o título escolhido por Austen que foi publicado somente em 1871 em sua biografia feita pelo sobrinho da autora. Outro motivo de Stillman foi o fato de querer que a história não fosse somente sobre Susan Vernon e, por último, que a adaptação para o cinema tivesse um título com maior apelo comercial, o que não ocorre com nomes próprios. Assim sendo aproveitou um título de Austen, Love and Friendship, consertando o erro de grafia e acrescentando um subtítulo.

O filme, baseado no livro Love and Friendship:  In Which Jane Austen’s Lady Susan Vernon Is Entirely Vindicated, conforme já comentei aqui no blog, estreará em outubro.

A boa notícia é que a tradução do livro sairá no segundo semestre deste ano pela editora Gutenberg! No momento que tiver meu exemplar em mãos tenho certeza que terei muito a escrever, até lá vamos ficando com duas capas, que encontrei como sendo do livro.

Acredito que a última capa, a que mais gostei, foi apenas prova para imprensa.

Love and Friendship, With Stillman

Love and Friendship, With Stillman